Retrospectiva 2025: Hamilton vê sonho de Ferrari virar pesadelo e busca recuperação

Em Maranello, Lewis Hamilton viveu a pior temporada na Fórmula 1 em um ano confuso e de batidas de cabeça com a Ferrari. Missão para 2026 é demonstrar que não está fora do auge

Aos 40 anos de idade, Lewis Hamilton tomou uma das decisões mais ousadas e surpreendentes da carreira. Abriu mão de uma longa e vitoriosa parceria com a Mercedes — que já não vivia os tempos mais brilhantes — para se juntar à Ferrari. O movimento criou uma enorme expectativa de que o heptacampeão pudesse dar o impulso para o oitavo título. Porém, o sonho virou pesadelo em 2025, e ele vem para um ano fundamental em busca de provar que ainda está no auge e é capaz de vencer.

Os primeiros indícios de que o ano poderia ser caótico vieram antes mesmo da pré-temporada, quando Lewis fez testes de aclimatação com o carro em Barcelona, em janeiro, quando sofreu um forte acidente logo no segundo dia. Os testes do Bahrein também não foram muito promissores, mas não deram a dimensão das dificuldades que estavam por vir.

A abertura do campeonato, na Austrália, já trouxe o início do tom caótico e de falta de sintonia das partes. Na caótica corrida de pista molhada, a Ferrari fez uma aposta ousada nas voltas finais ao segurar Lewis sem trocar para pneus de chuva, mas com a entrada de um safety-car, foi forçado a parar e amargou apenas a décima colocação.

Na China, houve um respeito e o único bom momento do ano. O heptacampeão dominou e venceu a corrida sprint no sábado. Porém, não traduziu isso em ritmo no domingo, sendo apenas sexto colocado e ainda amargando uma desclassificação por excesso de desgaste no assoalho. Então, se iniciou uma sequência que ditaria o tom da temporada: sétimo no Japão, quinto no Bahrein e sétimo na Arábia Saudita. Em Miami, mais uma vez foi bem na sprint, mas acabou eliminado no Q2 e viu a bandeira quadriculada no domingo apenas em oitavo.

Lewis Hamilton (Foto: AFP)

Na Emília-Romanha, teve a melhor performance do ano. Apesar de mais uma eliminação no Q2, escalou muito bem o grid para finalizar na quarta posição. Em Mônaco, foi ao top-5 mais uma vez, e se encaminhava para conquistar o mesmo na Espanha se não fosse um voador Nico Hülkenberg nas voltas finais.

No Canadá, onde sempre teve um bom histórico, acabou em sexto, atrás de Leclerc. Algo que se repetiu na Áustria, quando mais uma vez bateu o quarto lugar. Em casa, no GP da Inglaterra, fez a mesma posição do Red Bull Ring, mas com um gosto muito amargo ao ver Nico Hülkenberg, de Sauber e largando de penúltimo, chegando ao pódio.

Com metade da temporada concluída, Hamilton era sexto do campeonato com 103 pontos contra 119 de Leclerc. Os dois estavam próximos no Mundial e ainda asseguravam a Ferrari em segundo entre os Construtores. O desastre começou a partir deste ponto. Na Bélgica, sofreu com uma amarga desclassificação no Q1, e largando do pit-lane, chegou em sétimo, com Leclerc no pódio. Na Hungria, caiu no Q2 e não pontuou, enquanto Charles largou da pole e foi quarto. Em Zandvoort, voltou ao Q3, mas bateu sozinho e abandonou.

Na primeira vez em que correu em Monza vestindo o vermelho da Ferrari, teve uma corrida discreta após uma classificação abaixo da média, chegando em sexto. No Azerbaijão, foi eliminado no Q2 e se recuperou apenas ao oitavo lugar, mas desta vez à frente de Leclerc. Em Singapura, teve um dos pontos baixos da temporada ao finalizar em oitavo após uma punição por corte de caminho, já que sofria de problemas nos freios na reta final.

Lewis Hamilton (Foto: AFP)

Nos Estados Unidos, teve a última grande performance de 2025, com a quarta colocação mais uma vez. Porém, viu Leclerc somar outro pódio. As expectativas do fim de jejum foram altas no GP da Cidade do México, quando emplacou a melhor classificação do ano, saindo de terceiro. Porém, uma punição por corte de curva na largada o fez terminar apenas na oitava colocação.

Correndo frente ao público brasileiro, Lewis praticamente se arrastou por 37 voltas por efeito de choques com Carlos Sainz e Franco Colapinto na largada, abandonando e coroando um fim de semana terrível da Ferrari, que viu Charles fora da provas nas voltas iniciais por efeito do choque entre Andrea Kimi Antonelli e Oscar Piastri.

Em Las Vegas, o heptacampeão sofreu o ponto mais baixo do ano, sendo o mais lento da classificação. Acabou no oitavo lugar, muito por efeito de outros acidentes e das desclassificações da McLaren. Para fechar o ano complicado, duas eliminações precoces no Catar em Abu Dhabi, com poucos pontos salvos em Yas Marina com uma recuperação que rendeu oitavo lugar.

No total, foram 156 pontos de Hamilton e apenas a sexta posição no Mundial de Pilotos, 86 a menos que Leclerc e a menor pontuação registrada no atual formato da Fórmula 1. Pela primeira vez, Lewis terminou um ano sem subir ao pódio. Com uma nova era de carros e motores chegando, o heptacampeão parte para um ano crucial para se provar que ainda vive os melhores dias.

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