Sem “liderança técnica”, Renault sente que desperdiçou R$ 82 mi de investimento

A Renault aumento o orçamento na F1 em R$ 82 milhões de 2018 para 2019, mas não conseguiu transformar isso em resultados superiores. O chefe Cyril Abiteboul sente que a história seria outra com uma boa liderança interna

A Renault segue investindo pesado na Fórmula 1, mas ainda sem conseguir trazer os resultados esperados. O chefe Cyril Abiteboul comandou uma equipe que, quatro anos após o retorno ao grid, ainda não conseguiu um pódio, nem sequer se firmar como melhor das equipes médias. Aos olhos do dirigente, parte disso é culpa da falta de uma verdadeira "liderança técnica", que fizesse valer o alto investimento na F1.
 
"A sensação é de que estamos sem uma espécie de liderança técnica nessa equipe, com a habilidade de encaixar todos os recursos que trouxemos", disse Abiteboul, falando ao ‘Motorsport.com’. "Falamos muito sobre números, manchetes dizendo que temos 750 funcionários em Enstone agora. Isso é muito, e também tivemos muito investimento, £ 15 milhões [R$ 82 milhões]. Só que, você sabe, tudo isso precisa de uma força que guie. E eu senti, nós sentimos, que ficamos fracos em termos de liderança técnica. É isso que levou à escolha pelo Pat [Fry]", seguiu.
 
Os R$ 82 milhões citados por Abiteboul representam o aumento do investimento da Renault na F1 de 2018 para 2019. O investimento total da Renault na F1 em 2019, de acordo com números divulgados pelo site ‘RaceFans’, gira na casa de US$ 210 milhões – R$ 878 milhões.
A Renault seguiu sem dar o tão esperado próximo passo na F1 (Foto: Renault)

Fry, citado pelo chefão, chega após breve passagem pela McLaren. O britânico foi contratado em 2018 como diretor-técnico, mas perdeu espaço ainda no meio de 2019, consequência da reformulação interna da equipe alaranjada.

 
Com novos funcionários, Abiteboul quer uma equipe que maximize seu potencial, isso após desperdiçar oportunidades no primeiro semestre de 2019.
 
"Acho que nós tínhamos um carro decente na primeira metade da temporada. Só que isso não era muito visível porque não conseguimos os resultados, não conseguimos marcar os pontos que poderíamos na época, dada a teórica competitividade do nosso carro contra o dos competidores. Foram diferentes motivos para isso. Confiabilidade, motor, operação da equipe na pista, pit-stops, estratégias. Um pouco também dos pilotos, em particular o Daniel [Ricciardo] se acostumando com o carro. Isso infelizmente nos custos pontos quando estávamos em boa forma", encerrou.
 
A Renault parte para 2020 com novidades também na dupla de pilotos. Agora é Esteban Ocon quem acompanha Daniel Ricciardo na missão de levar os franceses a um novo patamar.

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