Wolff reconhece que domínio da Mercedes “não é bom para F1”, mas pede: “É preciso parar de romantizar o passado”

Diretor-esportivo da Mercedes, Toto Wolff entende que a F1 é cíclica e que períodos de domínio de determinada equipe são normais e fazem parte da história do esporte. Segundo o dirigente austríaco, as pessoas devem parar de romantizar o passado e olhar a categoria sob o prisma de desenvolvimento para o futuro

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A Mercedes vem recebendo muitas críticas por deixar a F1 mais chata e previsível depois dos anos de domínio na categoria em 2014 e 2015. Entretanto, a supremacia de uma equipe no esporte nem de longe é uma novidade. Em temos mais remotos, a McLaren dominou a F1 entre o fim dos anos 80 e começo dos anos 90. Já a Williams, a partir do lendário FW14, reinou soberana no esporte entre 1992 até 1997. A Ferrari, por sua vez, deu as cartas em boa parte da década de 2000, enquanto a Red Bull foi a última equipe a dominar a F1 antes da Mercedes, nos primeiros anos da década de 2010.
 
Recentemente, Bernie Ecclestone foi um dos críticos ao domínio da Mercedes. Wolff concordou, em partes, com as palavras do chefão da F1 e entende que, de fato, a supremacia de uma determinada equipe não faz bem para o esporte, mas que isso acaba fazendo parte do próprio contexto da F1. 
Desde 2014, a imagem central da F1 é essa: a Mercedes sempre na frente (Foto: Getty Images)
Entretanto, o diretor-esportivo da Mercedes entende que cabe aos fãs entenderem que a categoria é assim e que as coisas não vão mudar. É hora, segundo o austríaco, de as pessoas pararem de romantizar o passado.
 
“É bom para a F1 uma equipe dominar e ser bastante previsível, como foi em 2014 e 2015? Não é bom, mas se você olhar para ela, historicamente, sempre foi assim. Então a questão é: o que eu posso fazer?”, questionou quando entrevistado pelo site da revista britânica ‘Autosport’.
 
“Nós esperamos que a concorrência cresça eventualmente mais forte, e nós precisamos parar de romantizar o passado, o quanto ele foi ótimo. Vejo que muitas das partes interessadas têm se esquecido que tudo mudou, que o produto precisa de desenvolvimento”, disse o comandante da Mercedes, pedindo para que o fã entenda que a F1 se modernizou.
Diretor da Mercedes, Wolff não quer que os fãs "romantizem o passado" na F1 (Foto: AP)
“Nós não bloqueamos coisas como a abertura para o desenvolvimento dos motores, por exemplo, para o ano que vem. Se tivéssemos sido oportunistas, teríamos parado com isso, mas não o fizemos”, acrescentou.
 
Wolff voltou a falar sobre o veto ao motor alternativo, polêmica proposta idealizada por Ecclestone e Jean Todt para oferecer às menores equipes do grid uma unidade de potência mais barata e acessível. As montadoras, em uníssono, vetaram a proposta. O dirigente defendeu a posição da Mercedes e ainda aproveitou para alfinetar o chefe supremo da F1.
 
“Nós temos sido um parceiro leal à F1. Estamos no esporte há 23 temporadas consecutivas, e nós somos uma das marcas que mais dá credibilidade à F1. Estamos em qualquer discussão que seja sensata sobre para onde a F1 deve ir. Deixamos claro nosso ponto de que nós não acreditamos que o motor independente era o caminho que a F1 precisava seguir”, disse.
 
“Se isso irritou Bernie ou não, isso eu não sei. Mas Bernie gosta de ser controverso. Às vezes, ele nos costura na mídia, é isso o que ele faz, e eu aceito isso numa boa”, ironizou.

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