F2 chega ao fim em Abu Dhabi: quem pode atrapalhar Sargeant na saga pela superlicença
Logan Sargeant precisa terminar ao menos em sexto na classificação do campeonato da Fórmula 2 — uma tarefa não tão difícil para quem está em terceiro, mas o retrospecto das últimas cinco rodadas é bastante favorável aos rivais diretos que podem atrapalhá-lo nessa caminhada
Atualizado às 10h55
O título da temporada 2022 da Fórmula 2 já está decidido a favor de Felipe Drugovich, mas a última rodada da categoria, que acontece neste fim de semana, em Abu Dhabi, ainda traz algumas lacunas que precisam ser preenchidas. E, sem dúvida, a que mais vai atrair os holofotes estará nos boxes da Carlin: a definição da novela da superlicença de Logan Sargeant.
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O americano foi protagonista de um fato um tanto inusitado: teve seu nome confirmado pela Williams como substituto de Nicholas Latifi na Fórmula 1 em 2023, mas, para isso, precisa atingir os 40 pontos exigidos pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) que garantem o passe para a elite do automobilismo mundial. Considerando que Sargeant é o atual terceiro colocado, posição que já garantiria todos os pontos necessários, é uma meta quase certa de ser alcançada. Porém, o time de Grove tratou de colocar o pupilo de sua academia para andar em todos os TLs possíveis até o final do ano para encurtar o caminho. E o fracasso na sessão do México — Sargeant não completou os 100 km exigidos para somar o tento extra — mostrou que a saga pode não ser tão simples assim.
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Acontece que, pontos extras à parte, Logan precisa terminar ao menos em sexto na classificação geral (considerando, claro, que ele consiga todos os pontos adicionais ainda em jogo, que são mais dois se passar ileso pela rodada final da F2). E o retrospecto das últimas cinco rodadas não é nada favorável.
Vejamos a classificação: do quarto ao sétimo, a tabela da F2 2022 é ocupada por Jack Doohan (126), Jehan Daruvala (126), Enzo Fittipaldi (126), Liam Lawson (123). De Sargeant a Lawson, são 12 pontos de diferença, com 39 em jogo.
Acontece que, desde a última vitória de Sargeant, na corrida principal da rodada da Áustria, o melhor resultado dele foi o quinto lugar na corrida 2 da Bélgica. Em 195 pontos possíveis, o americano somou apenas 20, um aproveitamento de 10,41%.
Já os rivais diretos que podem atrapalhar bastante os seus planos de subir para a F1 tiveram resultados muito melhores. Doohan (quarto) e Lawson (sétimo) somaram 63 pontos cada. Fittipaldi, por sua vez, marcou 51 com a Charouz. Daruvala foi o mais “discreto”, mas também bem melhor que o americano: 46 pontos. Dos pilotos citados, Sargeant foi também o que mais abandonou depois da rodada do Red Bull Ring em diante: cinco vezes.
Agora, vamos imaginar o seguinte cenário: Sargeant não consegue pontuar em Yas Marina. Se isso acontecer, terá de torcer para Doohan, Daruvala e Fittipaldi não abrirem mais de nove pontos para ele. No entanto, a situação ainda o deixaria em sexto, garantindo o passe para a F1.

Porém, ainda há Lawson. Se a combinação acima acontecer e o neozelandês ainda descontar mais que os 12 que tem de diferença atualmente, Sargeant terminaria em sétimo, perdendo a superlicença.
Do quarteto analisado, aliás, Doohan, Fittipaldi e Lawson, pelos últimos resultados, são os que mais ameaçam roubar pontos preciosos de Sargeant na classificação final (e aqui, um parêntese: foi justamente uma bandeira vermelha causada pelo seu companheiro de equipe no TL1 do México que o impediu de bater os 100 km e, com isso, assinalar o suado tento). Será preciso, portanto, focar na sexta para conseguir uma boa posição de largada para a corrida de domingo, de preferência à frente de seus concorrentes diretos.
A boa notícia para o americano é que a F2 só tem mais uma rodada em jogo. A confiança da Williams também é um ponto a favor, mas flerta intimamente com o lado negativo por também significar uma pressão desnecessária. Não há, portanto, nada garantido, e se Sargeant não conseguir a superlicença, será uma das maiores mancadas da história da Fórmula 1 — não por culpa do piloto, que fique claro, mas pela precipitação sem explicação da equipe inglesa.
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