Doohan tira tonelada das costas na Hungria, mas F1 tem de ficar de lado para deslanchar

Jack Doohan foi cotado para o lugar de Fernando Alonso na Alpine, mas a equipe achou por bem esperar um pouco mais, não sem antes estabelecer uma meta ousada: o título da F2. Só que o carro da Virtuosi esse ano não ajudou, e o jovem teve de ser muito resiliente para enfim vencer e tirar o gigante peso das costas

Jack Doohan enfim venceu na temporada 2023 da Fórmula 2. Uma vitória fácil, até, considerando que o australiano largou na pole-position e não perdeu a liderança nem quando parou para trocar pneus, coisa rara de se ver na categoria. Mas ser for levado em conta todo o contexto até domingo, na Hungria, foi uma vitória suada, chorada, dramática. Uma vitória que ajudou a tirar um gigantesco peso das costas do jovem de 20 anos.

Doohan chegou em 2023 embalado. No ano anterior, as três vitórias conquistadas em Silverstone (sprint), Budapeste (sprint) e Spa-Francorchamps (corrida principal) o deixaram em condições de brigar ao menos pelo vice-campeonato, uma vez que Felipe Drugovich mantinha-se seguro na liderança, conquistando o título com uma rodada de antecedência.

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Vesti, Doohan e Martins no pódio da corrida 2 da F2 na Hungria (Foto: Prema)

Imediatamente, a expectativa em torno do filho de Mick Doohan cresceu. Mais: em meio ao imbróglio envolvendo a renovação de Fernando Alonso, que preferiu a Aston Martin, e, depois, a repentina ida de Oscar Piastri para a McLaren, a Alpine voltou as atenções para outra jovem promessa de sua academia. Jack foi cotado para formar a dupla deste ano na Fórmula 1 com Esteban Ocon, mas a equipe entendeu que era preciso um pouco mais de tempo até o piloto da Virtuosi receber a graduação e ainda estabeleceu uma meta ousada: o título da F2. Era, portanto, inevitável olhar para o garoto e não enxergar um dos favoritos à conquista, como o próprio CEO da F2 e da F3, Bruno Michel, pontuou.

Só que a Virtuosi não conseguiu cumprir uma parte fundamental para que isso acontecesse: dar ao seu piloto um equipamento capaz de brigar por pódios e vitórias. Com uma performance muito irregular nas quatro primeiras rodadas da competição, somando apenas 24 pontos em 156 possíveis, Doohan passou a lidar constantemente com questões envolvendo o seu real preparo para assumir um carro de F1. A todo tempo, buscava afastar a pressão, dizendo que não havia nada para ser provado da sua parte e que não estava pensando na elite do automobilismo mundial. Mas ele sabia que apenas a vitória o traria um pouco mais de paz.

“É o que queria fazer desde o começo do ano e o que acredito ser capaz de fazer”, começou Doohan na coletiva pós-corrida. “Neste fim de semana, nada mudou em minha abordagem, apenas estou tentando ser mais e mais resiliente. Estou muito feliz que tivemos uma corrida suave hoje, a equipe fez um pit-stop incrível, o carro estava do jeito certo e demos bons passos adiante desde ontem [sábado]. Terminar com um mega ritmo com ambos os pneus foi maravilhoso”, celebrou.

Com o resultado da Hungria, Doohan subiu para quinto, a 53 pontos do líder, Frederik Vesti. Com mais 156 em jogo, a rodada magiar colocou o australiano definitivamente na briga, e talvez a partir de agora, Jack consiga correr mais solto para, enfim, desfilar a sua pilotagem. Pois F1, se vier, ainda está longe, muito longe.

Fórmula 2 retorna já no próximo final de semana, entre os dias 28 e 30 de julho, para a disputa da rodada da Bélgica, em Spa-Francorchamps. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2023.

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