Correa diz que assinou papéis por “homicídio culposo” no caso da morte de Hubert

Juan Manuel Correa revelou, em entrevista a um podcast, que teve de assinar os papéis de abertura da investigação um dia após o acidente que matou Anthoine Hubert, na Bélgica durante corrida da Fórmula 2 de 2019, quando ainda estava no hospital e não sabia do falecimento do piloto francês

A primeira corrida da Fórmula 2 na Bélgica, em 2019, ficou marcada como um dos momentos mais traumáticos da carreira de Juan Manuel Correa e do esporte como um todo. No começo da segunda volta, Anthoine Hubert bateu com força na barreira de proteção e, logo na sequência, foi acertado a 218 km/h pelo carro do piloto nascido no Equador, entre a Eau Rouge e a Raidillon. Com o impacto, o jovem francês de 22 anos não resistiu e morreu.

Depois do acidente, Correa teve de enfrentar situações nada agradáveis. No mês passado, ele acusou a FIA (Federação Internacional de Automibilismo) de prestar “zero suporte” quanto ao atendimento médico e que por isso chegou a passar por complicações no quadro de saúde quatro dias após a corrida. Dessa vez, em entrevista ao podcast Is this it que aconteceu há quatro meses, mas que viralizou nas redes sociais nesta semana, o atual piloto da Van Amersfoort na F2 contou que foi obrigado assinar um documento no qual reconhecia que estava sendo investigado por homicídio culposo, no caso da morte de Hubert.

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“No dia seguinte [ao acidente], por volta das seis da manhã, a polícia e o procurador belgas entraram em meu quarto do hospital e me fizeram assinar alguns papéis de homicídio culposo”, relatou Correa, que reconheceu a validade da investigação, embora tenha revelado que, naquele momento, “não sabia que alguém tinha morrido”. Ainda segundo Juan Manuel, a decisão de não informar de imediato sobre a morte de Hubert foi de sua equipe em 2019, a Sauber.

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Alexander Albon (à esquerda) visita Juan Manuel Correa (à direita). Piloto naturalizado americano teve de reconhecer investigação sobre homicídio culposo um dia após acidente, quando ainda estava no quarto do hospital (Foto: Reprodução)

Na Bélgica, qualquer caso de homicídio culposo – geralmente chamado de “homicídio involuntário” – demanda a abertura de uma investigação e o indivíduo envolvido deve reconhecer o processo a qual foi submetido por meio da assinatura de uma declaração, fornecida pelas próprias autoridades.

Quase quatro anos depois, diante das lembranças negativas de todo o acontecimento, Correa disse que torce para que um acidente como o de Spa-Francorchamps nunca mais volte acontecer. Porém, se acontecer, o piloto naturalizado americano afirmou que “como ninguém esteve para mim [para ajudar], estarei lá para ajudá-los [os envolvidos]. Eu sei o que eles precisam e o que lhes falta”.

Correa enfrentou uma recuperação lenta, devido a fraturas nas duas pernas e nos pés, além de uma pequena lesão na coluna – que necessitou de cirurgia. O seu retorno às pistas aconteceu em 2021, na Fórmula 3, pela equipe ART. Foram dois anos até assinar com a Van Amersfoort neste ano, a fim de disputar a Fórmula 2.

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