Câmara tem estrela, mas precisa de calma para lutar pelo título da F2
Após quatro etapas, Rafael Câmara mostrou que tem velocidade e uma pitada de sorte que, vez ou outra, o permite conquistar resultados além do esperado. Porém, para ser campeão da Fórmula 2, é preciso ser mais frio nas disputas por posição
A Fórmula 2 completou apenas quatro etapas na temporada 2026, mas o recorte foi suficiente para mostrar que Rafael Câmara tem estrela e, em alguns momentos, mesmo quando a situação é desfavorável, é capaz de se colocar em posição de aproveitar as oportunidades para maximizar resultados. No entanto, também é impossível negar que, em alguns momentos, o piloto brasileiro precisa de mais calma — principalmente no que diz respeito às disputas por posição.
Ter estrela nada mais é do que ter uma pitada de sorte nas disputas mesmo quando a situação parece desfavorável. Isso é algo relativamente comum nas diferentes esferas do automobilismo e já ajudou em algumas campanhas vitoriosas tanto na F1 quanto na F2. Mas, lógico, não basta ter sorte: o piloto precisa estar no lugar certo e na hora certa e ser rápido para capitalizar em cima do erro ou da quebra do adversário.
E Câmara fez isso com maestria ao longo de boa parte da temporada 2026. Começando pela rodada na Austrália, em que sofreu com o ritmo na sprint, terminou fora dos pontos e não parecia ter carro para brigar pelo pódio na corrida principal. O enrosco entre Alex Dunne e Martinius Stenshorne, no entanto, abriu as portas para que o brasileiro começasse a temporada com um segundo lugar.
Em Miami, fez uma ótima classificação ao ficar em segundo, mas não encontrou ritmo na sprint. Na prova principal, largou mal e perdeu posições, mas se valeu da punição de Stenshorne para recuperar o segundo lugar. Ainda que estivesse bem posicionado, não teve o suficiente para acompanhar o ritmo de Kush Maini na chuva, mas um safety-car fez a situação melhorar para o brasileiro, que parou nos boxes na hora certa e voltou à pista na liderança virtual da corrida.

No Canadá, depois de terminar sem pontos quando tinha potencial para conquistar um segundo lugar, viu Nikola Tsolov, um dos rivais na briga pelo título, ser punido com 10s após a corrida e despencar de quarto para 12º. Em Mônaco, quebrou a suspensão depois de tocar no muro durante a classificação e parecia que a sessão estava comprometida. Porém, a bandeira vermelha causada pelo acidente de John Bennett a três minutos do fim permitiu à Invicta realizar os reparos necessários. Com isso, o brasileiro voltou à pista e encaixou uma volta perfeita para assegurar a pole-position.
Câmara é um piloto rápido e, em algumas situações, mostrou que, mesmo quando o cenário não é favorável, é capaz de maximizar os resultados para obter desempenhos positivos. Por outro lado, ainda falta um pouco de consistência e calma, principalmente nas disputas por posição.
Em Miami, quando brigava pela vitória nas voltas finais, Câmara ficou vendido após o safety-car e virou uma presa fácil para Dino Beganovic. Porém, ainda era possível conquistar o segundo lugar, mas o divebomb na curva 1 permitiu a aproximação de Gabriele Minì, que ficou com a vitória. Assim, o brasileiro terminou apenas em terceiro.
No Canadá, o ritmo era bom e um lugar no pódio parecia quase certo. Porém, ao tentar uma ultrapassagem na curva 2 sobre Roman Bilinski — que estava em uma estratégia completamente diferente —, bateu no rival, rodou e caiu para o fundo do pelotão.

Por fim, em Mônaco, Câmara cometeu mais um deslize que custou caro. Já na parte final da corrida, ao dividir a curva 1 com Tsolov, o brasileiro travou os pneus, passou reto e abandonou. Pelo rádio, o piloto da Invicta informou que não tinha aderência nos pneus e, por isso, havia perdido toda a vantagem que havia construído durante a prova.
De fato, a falta de aderência não é totalmente culpa de Câmara. Afinal, praticamente todos os pilotos sofreram com os pneus na volta de saída dos boxes. Mas, se a situação era ruim, não havia necessidade de levar a disputa ao limite, principalmente em uma pista tão punitiva quanto Mônaco.
Realmente não é fácil simplesmente facilitar a ultrapassagem para um rival direto na briga pelo título. Porém, em um campeonato longo como a F2, é preciso ter um pouco mais de cautela nas disputas por posição. Afinal, em Mônaco, ainda que fosse superado por Tsolov, os 18 pontos do segundo lugar não seriam ruins e manteriam o brasileiro próximo dos líderes.
Câmara é um piloto extremamente rápido, e a campanha dominante na Fórmula 3 no ano passado mostrou que ele sabe como brigar pelo título. Porém, na F2, ainda é preciso ter um pouco mais de cautela nas disputas por posição. Afinal, três erros nas últimas três etapas custaram pontos que podem se mostrar decisivos na disputa pelo campeonato. Rafael parece estar perto da primeira vitória na categoria; basta aparar algumas pontas que ainda estão soltas.

Com o fim da corrida principal em Mônaco, a Fórmula 2 retoma as atividades entre 12 e 14 de junho, com a rodada em Barcelona. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da temporada.
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