Retrospectiva 2019: De Vries é campeão em ano de entressafra da F2

A Fórmula 2 não teve o elenco mais qualificado do mundo em 2019. Quem se deu bem foi Nyck de Vries. O holandês ganhou o campeonato com certa facilidade e chamou atenção da Fórmula E. O único nome que graduou para a Fórmula 1 foi Nicholas Latifi

A temporada 2019 da Fórmula 2 trouxe várias diferenças em relação aos anos anteriores, tanto no campeonato quanto na classe. Com vários nomes dos últimos dois campeonatos já presentes na Fórmula 1 [Charles Leclerc, Alexander Albon, Lando Norris, George Russell e até Sergey Sirotkin], a categoria passou por um processo de entressafra neste ano, com os favoritos ao título já envelhecidos e os novatos não tão bons assim.
 
A disputa começou com Nicholas Latifi, da DAMS, com início muito forte. As três vitórias nas seis primeiras corridas deram uma margem grande do canadense para Luca Ghiotto, Sérgio Sette Câmara, Nyck de Vries e Jack Aitken, os principais concorrentes.
 
A situação mudou de forma drástica na etapa de Mônaco. De Vries foi pole, Latifi largou em oitavo e terminou apenas em 12º, enquanto o rival holandês venceu a primeira corrida e ainda somou mais pontos na segunda. A grande vantagem foi destruída, e o holandês cresceu em uma arrancada rumo ao título.
Nicholas Latifi (Foto: FIA F2)
Foram vitórias nas corridas 1 em Le Castellet e Sóchi (que rendeu o título), além de rodadas excepcionais como em Spielberg e Monza, quatro corridas em que ficou no terceiro lugar. Ao mesmo tempo, Latifi se viu perdido no campeonato, mesmo com a vitória em Hungaroring. Poucas aparições no top-5 e inclusive sem pontuar na rodada inteira em Monza.
 
O curioso é que De Vries não vai para a Fórmula 1. Com a renovação do grid mais controlada e a falta de apoio de algum time (Nyck perdeu o vínculo com a McLaren para Sette Câmara), a principal alternativa ao holandês foi a Fórmula E, e firmou um contrato com a novata Mercedes. Sua ida para a categoria dos bólidos elétricos foi um interessante movimento por parte do piloto, que não se abalou sem a oportunidade na F1.
 
Mesmo sem o título, Latifi assinou com a Williams para 2020. A ida já estava na cara desde que o desempenho apresentado por Robert Kubica foi totalmente insatisfatório. Piloto de testes em Grove e trazendo uma boa quantia de dinheiro, Nicholas é um encaixe perfeito para as necessidades da equipe do momento. Não foi o melhor piloto da F2, sequer o mais talentoso, mas teve a chance de graduar.
Nyck de Vries é campeão da Fórmula 2 (Foto: FIA F2)
Ghiotto, que iniciou a temporada muito bem, não conseguiu fazer frente aos concorrentes, especialmente porque a desclassificação na corrida 1 em Mônaco (olha ela aí de novo) o prejudicou no restante da competição, além de não ter o ritmo suficiente para montar uma recuperação. As vitórias em Silverstone (corrida 1), Sóchi e Yas Marina (corrida 2) o colocaram em terceiro no campeonato, à frente de Sérgio Sette Câmara, que correu por uma equipe melhor.
 
O nível péssimo de alguns pilotos também chamou a atenção em 2019. Mahaveer Raghunathan, da MP Motorsport, acumulou infrações absurdas ao longo do ano e por diversos motivos. Batidas, receber bandeira quadriculada duas vezes, treinar largada durante treino livre, excesso de velocidade no pit-lane e outros. A presença de um piloto pagante como ele abriu as discussões se a FIA deveria introduzir uma espécie de superlicença para a Fórmula 2.
 
No fim, a qualidade não se comparou com a de 2018, mas o campeonato desenhou caminhos diferentes para seus principais nomes. A presença de Nyck de Vries na Fórmula E mostra que a não ida para a F1 não é o fim do mundo, e pode servir também como uma possível alavanca para o holandês encontrar um espaço por lá no futuro.
 

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