Retrospectiva 2022: Doohan se destaca, Hauger frustra. Quem sobe e quem desce na F2
Felipe Drugovich dominou, mas não faltaram nomes dispostos a roubar o posto na Fórmula 2 em 2023 — assim como quem ficou devendo quer dar a volta por cima
Numa temporada dominada por Felipe Drugovich, a Fórmula 2 fechou 2022 com potenciais nomes na fila por um assento na Fórmula 1 no futuro, e não muito distante. Apesar de Logan Sargeant ter sido o único agraciado com uma vaga no grid da F1 2023, não faltam candidatos dispostos a brilhar na base ano que vem — assim como quem ficou devendo quer ter a chance de dar a volta por cima.
O nome mais notável dessa lista é Jack Doohan, afinal, ele esteve na mira da Alpine e chegou a ser cotado para o lugar de Fernando Alonso na F1, em meio à novela envolvendo a ida de Oscar Piastri para a McLaren. Aos 19 anos, Doohan conquistou três vitórias na temporada, sendo uma na corrida principal, em Spa-Francorchamps, três pole-positions e chegou até a última rodada com chances matemáticas de ser vice-campeão.
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O australiano passou a ser membro da Academia de Pilotos da Alpine este ano depois de um período no Programa de Jovens Pilotos da Bull. Na F2, defendeu a Virtuosi ao lado com Marino Sato, e o duelo foi uma verdadeira goleada a favor de Doohan. A parceria com a equipe britânica seguirá em 2023, e o filho do pentacampeão da MotoGP, Mick Doohan, já avisou que o foco será na conquista do título.

Outro que terminou 2022 em alta foi Théo Pourchaire, que possui um forte retrospecto em classes anteriores e foi o grande rival de Drugovich na temporada. Foi Pourchaire quem começou o ano na liderança, com a vitória na corrida principal da primeira rodada, no Bahrein, e viu o nome no topo da tabela novamente após a etapa da Emília-Romanha. Mas o entrosamento de Drugovich com a MP falou mais alto nos momentos decisivos, e o brasileiro foi campeão com uma rodada de antecedência.
Pourchaire ainda teve um ótimo momento antes da parada para as férias de verão com a vitória na corrida principal da Hungria e o pódio em casa, na França. Os resultados o ajudaram a descontar 18 pontos, ficando a 21 de Drugovich com ainda quatro rodadas pela frente. No final, chegou em Abu Dhabi com o vice-campeonato praticamente assegurado. Para 2023, no entanto, o jovem de 19 anos ainda não confirmou se estará no grid em busca do título na categoria.
Enzo Fittipaldi também foi um dos destaques da temporada 2022 da F2, tirando leite de pedra com a Charouz. Em seu primeiro ano disputando o campeonato na íntegra, foi ao pódio seis vezes e marcou 126 pontos dos 130 que a equipe tcheca alcançou no ano. O ‘tubarãozinho’, como é chamado, ainda chamou a atenção da Red Bull, que não perdeu tempo e o colocou em sua academia de pilotos. Ano que vem, Fittipaldi vai vestir as cores de uma equipe mais forte, a Carlin, que fechou 2022 atrás apenas da campeã MP. Ou seja: a briga pelo título promete um duelo bastante equilibrado, a julgar pelas boas performances que vimos de Enzo.
Por fim, mais dois nomes merecem menção, principalmente pelas arrancadas na reta final: Liam Lawson e Ayumu Iwasa. O primeiro foi o ‘Mr. Sprint Race’, com quatro vitórias nas corridas de sábado ao longo do ano. Lawson também foi um dos únicos que conseguiu pódios duplos em uma rodada — Drugovich, Fittipaldi, Doohan, Frederik Vesti e Jehan Daruvala foram os outros. A ótima performance em Abu Dhabi, aliás, foi o que fez o neozelandês roubar de Sargeant o terceiro lugar na classificação.

Iwasa também desencantou após a vitória na França. Voltou a vencer em Yas Marina, palco do encerramento do campeonato, e aqui um detalhe: tanto em Paul Ricard quanto em Abu Dhabi, o japonês da DAMS partiu da pole-position. Foi o quinto melhor na classificação, também aplicando uma goleada no companheiro de equipe, Roy Nissany.
Agora, os destaques de 2022 não foram apenas positivos: alguns nomes deixaram muito a desejar, e outros chamaram mais atenção pelas polêmicas fora da pista do que dentro dela.
Comecemos por quem ficou devendo em termos de desempenho, e Dennis Hauger encabeça a lista. Isso porque a crítica, na verdade, partiu do próprio Christian Horner, chefe da Red Bull, equipe da qual Hauger faz parte como membro da academia de pilotos. Campeão da Fórmula 3 em 2021, o norueguês foi um dos nomes da Prema, equipe campeã com Oscar Piastri, mas o máximo que conseguiu foram duas vitórias em sprints. Foram seis rodadas sem pontos, sendo três em sequência, uma temporada muito irregular.
O companheiro de equipe, Daruvala, também decepcionou. Foi o piloto que mais chegou em segundo, em cinco ocasiões, mas todas em corridas sprint. Vitória, apenas uma, em Monza, e o indiano ainda terminou o ano empatado com Fittipaldi, que correu com um carro tecnicamente pior. Foram três temporadas até aqui na F2 e o sétimo lugar como melhor resultado. Daruvala participou dos três dias de testes de pós-temporada, em Abu Dhabi, com a MP, que já confirmou Hauger para o ano que vem, mas ainda não anunciou quem será o segundo piloto.
Clément Novalak também sofreu uma goleada, afinal, foi o companheiro de Drugovich, mas não conseguiu acompanhar o ritmo do brasileiro. O melhor resultado do franco-suíço foi o segundo lugar na sprint da Holanda, mas o pódio não foi o bastante para ajudá-lo a fechar 2022 numa posição melhor que a 14ª. Ao todo, foram apenas 40 pontos contra 265 de Drugovich e oito rodadas zeradas.
E teve quem também chamou mais atenção por situações fora da pista, como Jüri Vips. Pupilo da Red Bull, Vips vinha num início de temporada regular com a Hitech, mas viu tudo mudar ao ser flagrado durante uma live na Twitch usando uma palavra de cunho racista e também comentários homofóbicos. Assim que tomou conhecimento do caso, a equipe taurina suspendeu o vínculo com o estoniano. A Hitech, por sua vez, decidiu mantê-lo, mas a temporada de Vips foi de um total coadjuvante: 11º lugar ao final, com apenas uma vitória na conta (sprint race da Itália).

O último trio negativo disputou o prêmio de ‘Piloto-problema’ na pista: Nissany, Olli Caldwell e Amaury Cordeel. Todos acumularam uma sucessão de erros e tomaram suspensão ao longo da temporada por excesso de punições. Cordeel ainda foi o responsável por tirar Drugovich da corrida curta em Monza, embora o brasileiro tenha contado também com os problemas de Pourchaire para assegurar o título.
Mas foi fora da pista que o belga se superou: foi condenado após dirigir a 179 km/h em uma rua da Bélgica onde a velocidade máxima permitida é de 50 km/h. Além de perder a habilitação por seis meses, foi multado em € 3.600 (R$ 19.479). A F2 já disse que avalia o caso com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para decidir se também pune Cordeel pela condução imprudente.
A Fórmula 2 retorna às pistas de 3 a 5 de março, no Bahrein, para a rodada de abertura da temporada 2023. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do campeonato.
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