Vitória na F2 logo de cara consolida longo processo de evolução de Drugovich

Felipe Drugovich ganhou fama ao vencer na F2 no domingo, mas essa é só a ponta do iceberg de um processo de evolução que já rendeu bons frutos. Recorde a carreira do paranaense

Felipe Drugovich. Um nome que ganhou protagonismo após a vitória de domingo na Fórmula 2, mas que não era lá muito conhecido até mesmo uma semana atrás. Um brasileiro que sempre mostrou potencial no automobilismo de base, mas que ainda precisava de resultados que fizessem brilhar os olhos. O destaque já veio, mas se engana quem pensa que o piloto de Maringá só virou agora um nome a ser acompanhado de perto: a ainda curta carreira no automobilismo europeu já traz vitórias, títulos e motivos para acreditar na ida à F1.

A trajetória de Drugovich no automobilismo europeu começou a decolar em 2016. Na ocasião, fazendo estreia na F4 Alemã, ainda se tratava de um desconhecido para a maioria das pessoas. E assim continuou, já que um 12° lugar na temporada não empolgou. Havia um benefício da dúvida por ser o ano da estreia, com uma curva de crescimento ainda a ser desbravada. A Van Amersfoort, mesma equipe que lançou Max Verstappen ao estrelato em 2014, estendeu a mão e assinou com Felipe, que seguia no grid da F4 Alemã em 2017.

A temporada foi bem melhor. Com sete vitórias, Drugovich foi com sobras o melhor da equipe e chegou a lutar pelo título. Faltou pouco para derrotar Jüri Vips e Marcus Armstrong, mas o paranaense já estava firmado como um possível nome para o futuro.

Mas o que fazer em 2018? Vips e Armstrong zarparam para a hoje finada F3 Europeia, indicando que Drugovich podia tranquilamente fazer o mesmo. Não foi o caso: com menos suporte do que os outros dois, o brasileiro se contentou com a mais barata Euroformula Open. Era uma manobra arriscada, que podia fazer o piloto perder o impulso após um ótimo 2017. Só que absolutamente tudo deu certo: Drugovich passou o trator sobre a concorrência, vencendo nada menos do que 14 de 16 corridas. Nas outras duas, foi segundo colocado. Estava claro que era hora de dar um novo passo na carreira.

Felipe Drugovich já dava sinais de que poderia ir longe (Foto: Reprodução/Twitter)

A oportunidade que surgiu para 2019 era muito boa no papel: correr pela Carlin na nova F3 da FIA, substituta da GP3. Ou seja: correr por uma equipe tradicional, ficar presente no paddock da F1, ganhar projeção. Só que não é tão simples assim se destacar em um grid de incríveis 30 pilotos. Drugovich passou a maior parte do ano na parte de trás do grid, consequência de uma adaptação conturbada e de uma relação não muito boa com a escuderia britânica. O resultado foi decepcionante: um único resultado na zona de pontos e a certeza de que era hora de repensar o futuro.

E é aí que vem 2020. Até com relativa surpresa, Drugovich conseguiu uma vaga bastante decente na F2. Seria piloto da MP Motorsport, uma equipe média sólida do certame. O companheiro Nobuharu Matsushita é experiente, mas não o mais talentoso do mundo. Um desafio na medida certa para mostrar se a habilidade do brasileiro permite sonhar com uma vaga na F1.

Já dava para acreditar em bons resultados de Drugovich, algo que Sette Câmara conseguiu em 2017 pela mesma MP. Só que nem o mais otimista poderia imaginar uma vitória já no fim de semana de estreia.

Felipe Drugovich deu um passo adiante na carreira na Áustria (Foto: Fórmula 2/Getty Images)

Felipe se adaptou bem às características do Red Bull Ring. Em termos de voltas rápidas, o piloto sempre pareceu estar perto do top-5. Uma classificação truncada jogou a favor, colocando o piloto nada menos do que em segundo no grid. E aí, na corrida 1 do fim de semana, que os problemas começaram a surgir: o ritmo de corrida do piloto de 20 anos ainda não é lá tudo isso. Quer dizer, pelo menos quando consumo de pneus e estratégias entram na equação. O piloto fez o pit-stop obrigatório cedo demais, perdeu terreno e teve de se contentar com um oitavo lugar.

Na corrida 2, que não é chamada de sprint por acaso, tudo foi mais direto ao ponto. Bastava usar a pole conquistada pelo grid invertido para garantir ar limpo em uma prova mais curta. Com isso, e sem a necessidade de poupar tanto os pneus, Felipe ficou com a faca e o queijo na mão para vencer.

O triunfo empolga e consolida Drugovich no radar de academias de jovens pilotos. Afinal, ainda não tem tal vínculo com uma equipe de F1. O torcedor com saudade de um brasileiro na categoria também está com motivos para celebrar. Só que ainda é necessário dar tempo ao tempo: seu desenvolvimento vai acontecer com muito mais naturalidade sem expectativas descabidas sobre as costas.

Felipe Drugovich
Felipe Drugovich venceu no fim de semana de estreia na Fórmula 2 (Foto: Getty Images/Formula 2)

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