Retrospectiva 2025: Slater repete Câmara e leva título dominante na FRECA

Freddie Slater seguiu os passos de Rafael Câmara e Andrea Kimi Antonelli e dominou a temporada 2025 da FRECA. Na Super Fórmula, Ayumu Iwasa desbancou Sho Tsuboi na última corrida do ano para ficar com o título. Por fim, as diversas edições da Fórmula 4 ao redor do mundo se revezaram entre disputas acirradas e campeões dominantes, como Kean Nakamura-Berta na Itália

Enquanto a Fórmula 1 viveu um ano marcado pelo duelo entre Lando Norris, Oscar Piastri e Max Verstappen pelo Mundial de Pilotos, as categorias de base voltaram a cumprir um papel fundamental: indicar quem está pronto para subir o próximo degrau. Desde a base da pirâmide, nas F4 nacionais, até a FRECA, passando pela Super Fórmula japonesa, o automobilismo mundial apresentou um retrato variado, com campeonatos decididos pela regularidade, pelo talento puro e, em alguns casos, por domínio técnico claro. E, mais uma vez, pilotos brasileiros estiveram presentes em diferentes pontos desse caminho.

Começando pela FRECA, em 2025, o campeonato teve em Freddie Slater mais um campeão dominante. Após Rafael Câmara e Andrea Kimi Antonelli, o britânico foi o grande nome do ano, com oito vitórias e outros três pódios. A regularidade impressionou: das 20 corridas, só cruzou a linha de chegada fora do top-3 em cinco delas, além de ter tido dois abandonos e uma desclassificação. Ao total, somou 313 pontos e conquistou o título com uma prova de antecedência. Na próxima temporada, já está confirmado na Fórmula 3 pela Trident, onde tentará replicar o feito de Câmara, que conquistou ambos os títulos consecutivamente.

Para o Brasil, o grande destaque foi Pedro Clerot. Com duas vitórias e sete pódios, o piloto terminou em quarto lugar, empatado em pontos com Enzo Deligny, e confirmou evolução técnica ao longo do ano. Clerot mostrou capacidade de brigar na frente em diferentes tipos de pista, reforçando-se como um dos nomes mais interessantes da nova geração brasileira em monopostos. No próximo ano, salta para a F3 com a Rodin.

No degrau abaixo na escada, a F4 Brasil confirmou a tendência de amadurecimento da categoria em estrutura e competitividade. Em uma temporada marcada pela alternância de vencedores e pelo equilíbrio no pelotão da frente, Heitor Dall’Agnol construiu o título pela consistência.

Heitor Dall’Agnol foi o grande campeão da F4 Brasil em 2025 (Foto: Gilmar Rose)

Mesmo sem vencer de forma esmagadora, soube capitalizar todas as oportunidades ao longo das seis etapas, somou 243 tentos e terminou no topo da tabela. Murilo Rocha, com 204, e Pedro Lima, com 193, chegaram a ameaçar em diferentes momentos, mas acabaram pagando o preço de oscilações pontuais.

O campeonato passou por Interlagos e Velocitta, com provas marcadas por vitórias distribuídas entre diversos nomes, como Filippo Fiorentino, Pedro Lins, Rogério Grotta e Alceu Feldmann Neto. O cenário reforçou a proposta da F4 Brasil como um campeonato competitivo, que dificulta temporadas dominantes de qualquer piloto.

Fora do país, a diversidade de perfis ficou ainda mais evidente. Na F4 Italiana, uma das mais tradicionais portas de entrada do automobilismo europeu, Kean Nakamura-Berta se destacou como o nome a ser batido. O japonês construiu uma campanha dominante, com nove vitórias — incluindo uma sequência de cinco consecutivas a partir da segunda prova —, 342 pontos e um título conquistado com autoridade.

Ainda assim, a temporada teve um destaque relevante para o Brasil: Gabriel Gomez foi vice-campeão, com 267 tentos, quatro vitórias e 11 pódios no total, sustentando presença constante entre os protagonistas. Após o campeonato, liderou sessão de testes da FRECA em Monza. Apesar de ainda não ter sido confirmado, esse parece ser o próximo passo da trajetória do brasileiro.

Kean Nakamura-Berta venceu a F4 Italiana de forma dominante (Foto: F4 Italiana)

A F4 Britânica, por outro lado, apresentou um campeonato mais fragmentado nos triunfos, mas decidido pela consistência de Fionn McLaughlin. O piloto terminou com 363,5 pontos, 52,5 à frente de James Piszcyk. Mesmo com menos vitórias que Piszcyk, McLaughlin soube navegar bem pelos desafios de um calendário longo, com 30 corridas e pistas de características bastante distintas, e foi coroado pela consistência.

Já a F4 Espanhola teve um formato mais enxuto, mas nem por isso menos competitivo. Thomas Strauven se destacou pelo aproveitamento cirúrgico das oportunidades e garantiu o título com 143 tentos, enquanto Jan Przyrowski foi o principal adversário ao longo do ano. Mesmo com Przyrowski vencendo o dobro de corridas — 2 a 4 —, dois abandonos em Algarve e Navarra pesaram em um campeonato com somente nove provas e o título ficou com Strauven, que teve quatro pódios além das vitórias. Entre os brasileiros, Miguel Costa terminou em oitavo, enquanto Filippo Fiorentino, Alexander Jacoby e Aurelia Nobels enfrentaram uma temporada de aprendizado, sem grande protagonismo nos resultados.

Na F4 Francesa, o cenário foi de pulverização de vencedores, mas com Alexandre Munoz como fio condutor do campeonato. Campeão com 247 pontos, construiu vantagem a partir da regularidade, em um grid que teve Arthur Dorison, Jules Roussel e Rayan Caretti como presenças frequentes no topo. Apesar dos múltiplos vencedores, Munoz triunfou cinco vezes, subiu ao pódio outras quatro e só não pontuou nas duas provas que abandonou — Spa-Francorchamps e Lédenon —, além de ter ficado fora do top-5 em somente duas corridas.

Do outro lado do mundo, a Super Fórmula entregou uma das temporadas mais imprevisíveis dos últimos anos. Ayumu Iwasa conquistou o título com uma virada impressionante na última etapa. Sho Tsuboi chegou à última corrida da etapa derradeira, em Suzuka, com 9,5 pontos de vantagem, mas ficou apenas no oitavo lugar, enquanto o reserva da Red Bull venceu e sagrou-se campeão por somente 4,5 tentos. O campeonato teve múltiplos vencedores e diferentes protagonistas ao longo das 12 provas, refletindo o alto nível técnico da categoria japonesa.

Ayumu Iwasa arrancou o título da Super Fórmula das mãos de Sho Tsuboi na última corrida (Foto: Honda)

A temporada também foi positiva para o automobilismo brasileiro. Igor Fraga foi o único representante do país, mas fez bonito no primeiro ano na categoria. Terminou em sexto, com 77,5 pontos, conquistou uma vitória em Suzuka — a primeira do país no campeonato nipônico desde João Paulo de Oliveira, em 2016 — e ainda somou dois outros pódios. Em um grid repleto de nomes experientes e jovens em ascensão, Fraga conseguiu se afirmar como presença competitiva constante, reforçando o valor da Super Fórmula como alternativa sólida para carreiras internacionais. Nos testes de pós-temporada, chegou a liderar uma sessão e foi presença constante entre os líderes, mostrando que pode sonhar com voos mais altos no certame no próximo ano.

A categoria japonesa é a primeira a retornar com as atividades em 2026, com a corrida inaugural programada para acontecer no fim de semana dos dias 4 e 5 de abril. Nesses mesmos dias, a F4 francesa abre os trabalhos do primeiro nível dos monopostos na Europa. No Brasil, o calendário oficial ainda não foi anunciado. Por fim, a nova Fórmula Regional Europeia, que assume o lugar da FRECA, começa entre 25 e 26 de abril.

Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias do GP direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!