Isack Hadjar e Arvid Lindblad são realmente dois dos mais talentosos pilotos da atual geração, e a Red Bull sabe perfeitamente que tem em mãos joias para serem lapidadas. O LADO A LADO desta semana compara a trajetória de cada um
Demorou até a Red Bull finalmente olhar para a sua tão badalada academia e enxergar, de fato, algum piloto com aquele ‘quê’ a mais. Não seria exagero, na verdade, dizer que talvez uma das razões para a alta rotatividade vista nas garagens taurinas desde o surgimento de Max Verstappen tenha sido justamente a insistência, ainda que implícita, de procurar a todo custo a nova versão do agora tetracampeão, que estreou na Fórmula 1 ainda adolescente, aos 17 anos, quebrando recordes e mais recordes de precocidade e provou ser uma aposta ousada das mais certas.
É bem verdade que algumas injustiças acabaram sendo cometidas nesse meio do caminho, sendo Alexander Albon e Pierre Gasly os casos mais clássicos de que bastaria o tempo certo para a Red Bull ter nas mãos dois pilotos rápidos, maduros e consistentes. Hoje, cada um é determinante em suas respectivas equipes — Albon na Williams e Gasly com a complicada Alpine — e deram a volta por cima depois da dolorosa rejeição.
Do lado da Red Bull, no entanto, o jogo seguiu implacável, porém chamou a atenção como o programa de jovens pilotos ficou parado por algumas temporadas, vide a decisão de colocar Nyck de Vries, alguém completamente fora do radar, para correr ao lado de Yuki Tsunoda em 2023 e depois escolher o velho de guerra Daniel Ricciardo para voltar ao grid quando o neerlandês foi chutado sem dó no meio da temporada.
A questão é que a esquadra chefiada por Christian Horner precisou de tempo até ter disponível aquele que realmente interessava: Isack Hadjar. Quem acompanha as categorias de base, aliás, já sabia que o francês — a quem Helmut Marko já chegou a se referir como ‘pequeno Prost’ — destoava em meio a tantos outros pilotos. Na Fórmula 2, depois de uma temporada de estreia marcada por quebras e muito aprendizado, levou a briga pelo título contra Gabriel Bortoleto até a última rodada na unha, com uma Campos sofrível em ritmo de classificação e corrida.

Aquele GP da Austrália no início do ano enganou todo mundo. Sim, foi um tropeço daqueles que ficam martelando na cabeça por muito tempo, porém nem de perto o incidente na volta de apresentação traduzia o que era Hadjar. Passado o susto, começou a ser constantemente mais rápido do que o companheiro, Liam Lawson, e ainda vem ganhando de Tsunoda nos fins de semana, mesmo o japonês na Red Bull.
É consenso que Hadjar será fatalmente piloto da equipe A em algum momento, e se isso acontecer, a vaga que será deixada na Racing Bulls será suprida por Arvid Lindblad. O pedido da superlicença ao igualmente talentoso britânico já está nas mãos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para ser analisado, mesmo ele ainda não tendo completado 18 anos. Mera questão de detalhe, pois.
Mas é errado acusar os austríacos de precipitação. Hadjar e Lindblad são realmente dois dos mais talentosos pilotos da atual geração, e a Red Bull sabe perfeitamente que tem em mãos joias para serem lapidadas. Em uma categoria em que cada segundo conta, quanto mais rápido esse processo começar, melhor — até porque, Verstappen já não é uma certeza para os próximos anos há tempos, por mais que as vozes do pit-wall insistam que está tudo como sempre foi.
Isack Hadjar
Idade: 20
Nacionalidade: franco-argelino (nasceu em Paris, França)
Corre com licença: francesa
Está na Red Bull desde: 2022
Melhor resultado nas categorias de base: vice-campeão da F2 em 2024
Categoria atual: Fórmula 1 (estreante)
Melhor resultado na F1: sexto lugar (GP de Mônaco)
Pontos na F1: 21 (nono colocado)
Arvid Lindblad
Idade: 17 anos
Nacionalidade: britânico-suíço (nasceu em Virginia Water, em Surrey, Inglaterra)
Corre com licença: britânica
Está na Red Bull desde: 2021
Melhor resultado nas categorias de base: campeão da FROCA (2025) e vencedor do GP de Macau da F4 (2023)
Categoria atual: Fórmula 2 (estreante)
Melhor resultado na F2: primeiro lugar (Jedá e Barcelona)
Pontos na F2: 79 (terceiro colocado)

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