A primeira metade da temporada 2024 da MotoGP teve momentos de altos e baixos, mas é Francesco Bagnaia quem teve o melhor aproveitamento. Às vésperas da retomada do campeonato, o GRANDE PRÊMIO traz o boletim de todos os pilotos titulares

A MotoGP está perto de retomar a temporada 2024. Depois de três semanas de férias, o Mundial de Motovelocidade volta à ativa neste fim de semana, com o GP da Grã-Bretanha. Mas, antes de olhar para o futuro, é hora fazer um balanço do que aconteceu até aqui. Por isso, o GRANDE PRÊMIO preparou uma edição especial do Ranking GP, com as notas de todos os competidores titulares da classe rainha.

Assim como aconteceu no ano passado, a primeira fase de 2024 foi dominada por Francesco Bagnaia e Jorge Martín, mas foi o italiano quem saiu de férias na liderança do Mundial de Pilotos, mas com só dez pontos de vantagem para o espanhol. A terceira colocação é de Marc Márquez, que conseguiu resgatar a competitividade perdida na Honda e ainda assegurou uma vaga no time de fábrica da Ducati a partir do próximo ano.

Usando a ordem numérica dos pilotos, o Ranking GP apresenta as notas dos competidores.

As notas do Ranking GP foram atribuídas por Guilherme Bloise, Juliana Tesser e Pedro Luís Cuenca.

MotoGP retoma temporada 2024 neste fim de semana (Foto: Michelin)

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#1 – Francesco Bagnaia – 9,3 – o italiano até teve alguns momentos mais apagados nas primeiras nove corridas do ano, mas, uma vez que se encontrou, engatou uma fase dominante, cortou o atraso na tabela de pontuação e virou o jogo para cima de um Jorge Martín que, tradicionalmente, é mais veloz.

#5 – Johann Zarco – 5,3 – vindo da Ducati, o francês não tem tido vida fácil em 2024 (assim como, aliás, todos os pilotos da Honda). Limitado pelo equipamento, Zarco tem conseguido aparecer aqui e ali, mas sem chances der fazer muito mais. O ponto alto no ano de Johann, por sinal, veio longe da MotoGP, com uma vitória nas 8 Horas de Suzuka representando a equipe oficial da HRC.

#10 – Luca Marini – 2,6 – escalado para substituir Marc Márquez, o italiano apanhou feio na primeira parte de 2024. Ainda se entendendo com a difícil RC213V, Marini passou a maior parte do ano colado no fundo da tabela, inclusive com um considerável atraso em relação ao penúltimo colocado. Foi só no GP da Alemanha, que encerrou a primeira parte da temporada, que Luca somou o primeiro ponto e deu algum sinal de reação.

Luca Marini passou uma primeira parte de temporada de puro sofrimento (Foto: Repsol)

#12 – Maverick Viñales – 7,3 – O espanhol foi o melhor piloto da Aprilia em 2024, mas a irregularidade ainda é uma marca. Viñales teve dias dominantes, como os que culminaram com as vitórias nas corridas sprint de Portugal e Américas, e no GP em Austin, mas também teve lá dias para esquecer.

#20 – Fabio Quartararo – 6 – o francês de Nice é mais um limitado pelo equipamento. Em um ano em que a Yamaha corre atrás do prejuízo, Quartararo tem se esforçado para extrair até a última gota do potencial da YZR-M1, mas ainda não tem equipamento para poder peitar Ducati e companhia. Mesmo assim, o talento de ‘El Diablo’ garantiu alguns momentos de brilho em 2024.

#21 – Franco Morbidelli – 6 – não dá para dizer que o ítalo-brasileiro faz uma boa temporada, mas o saldo é positivo diante das condições. Morbidelli perdeu toda a pré-temporada por causa de uma concussão sofrida em um teste privado e, vindo da Yamaha, teve de usar as primeiras corridas do ano para aprender a lidar com a Desmosedici. Apesar do revés, Franco foi melhorando pouco a pouco e, em Sachsenring, voltou a figurar entre os protagonistas da MotoGP.

Franco Morbidelli confia que pode voltar a vencer ainda em 2024 (Foto: Pramac)

#23 – Enea Bastianini – 8 – livre de lesões, o italiano faz um 2024 a altura do talento e do equipamento que tem. Após um 2023 de muita dificuldade, Bastianini conseguiu dar um passo à frente, mas ainda precisa evoluir no quesito classificação para poder transformar em resultados as boas atuações que teve até aqui.

#25 – Raúl Fernández – 5,5 – o espanhol não faz um ano dos piores, mas tampouco apareceu tanto assim. Único a usar a RS-GP 2023 nesta temporada, Raúl mostrou irregularidade, mas teve alguns momentos de destaque que lhe asseguraram uma renovação de contrato por dois anos com a Trackhouse.

#30 – Takkaki Nakagami – 2 – o japonês recebeu uma sétima chance da Honda, mas o ano na LCR tem sido de pouquíssimo brilho. Também limitado pela falta de performance da RC213V, Nakagami tem o próprio futuro na MotoGP ameaçado.

Takaaki Nakagami está ameaçado de perder vaga no grid (Foto: LCR)

#31 – Pedro Acosta – 8,5 – exigente, o estreante se deu nota 4 para a performance exibida até aqui, mas o espanhol foi um dos destaques no ano e ocupa a sexta colocação no Mundial de Pilotos. Sem demora para se adaptar à RC16, Acosta soma cinco pódios – dois em GPs e três em sprint, ofuscando completamente os colegas de KTM. A própria marca não esconde o espanto com a performance, mas reconhece que não cabe ao estreante defender a honra de Mattighofen.

#33 – Brad Binder – 5,8 – homem de confiança da KTM, o sul-africano não vem mostrando o mesmo desempenho de anos anteriores. Sem um encaixe ideal com a RC16, Binder foi ofuscado por Acosta, especialmente no início do ano, e fechou a primeira parte do campeonato devendo resultados.

#36 – Joan Mir – 4 – assim como os outros pilotos do time, o campeão de 2020 da MotoGP está pagando o preço da falta de performance da RC213V. Ao longo do ano, Mir se mostrou levemente desesperado, chegou a insinuar a aposentadoria e deixou clara a insatisfação com a falta de performance da Honda, mas renovou contrato até 2026. Ainda assim, tem sido o piloto de melhor aproveitamento da marca.

Joan Mir chegou até a cogitar aposentadoria (Foto: Repsol)

#37 – Augusto Fernández – 3,3 – o espanhol não se entendeu nem um pouco com a versão 2024 da moto da KTM. Depois de ganhar uma até inesperada renovação de contrato no ano passado, Fernández agora caminha para ficar fora do grid. E, pelo que fez ao longo do ano, não vai nem deixar saudades.

#41 – Aleix Espargaró – 6,6 – capitão da Aprilia, o catalão teve na Catalunha o ponto alto da temporada, mas foi superado por Viñales na primeira parte do ano. O mais velho dos irmãos Espargaró conseguiu uma vitória em sprint e outros dois pódios nas provas curtas, mas tem pecado pela irregularidade.

#42 – Álex Rins – 4,3 – estreando na Yamaha, o espanhol teve uma primeira metade de temporada marcada por lesão. Rins se machucou na Holanda e ficou fora do GP da Alemanha, mas, enquanto esteve na pista, ainda tenta se adaptar à YZR-M1. Álex pontuou mais de cinco vezes menos do que Quartararo, mas caminha para ter o contrato renovado por mais dois anos.

Álex Rins deve ter contrato renovado com a Yamaha (Foto: Yamaha)

#43 – Jack Miller – 4,3 – até aqui, o australiano faz uma campanha decepcionante. No segundo ano de contrato com a KTM, Miller já sabe que precisa procurar outro endereço para 2025. Jack viu Binder acumular mais do que o triplo de pontos e também foi ofuscado por Acosta. Dos quatro pilotos da marca, é apenas o terceiro melhor, superando apenas Augusto Fernández.

#49 – Fabio Di Giannantonio – 6,3 – até 2022, a performance do italiano na primeira metade da temporada seria plenamente elogiável. Mas o ano passado mostrou que Di Giannantonio é capaz de mais. Ainda assim, válido reconhecer que, dos quatro pilotos que usam a GP23 – na versão inicial, aliás, e não aquela com que o time de fábrica fechou a temporada passada –, só Marc Márquez se entendeu com o protótipo. Mesmo assim, Fabio virou a bola da vez e é disputado por VR46 e Pramac, que será equipe satélite da Yamaha no próximo ano.

#72 – Marco Bezzecchi – 5,3 – em comparação ao que demonstrou no ano passado, o italiano decepcionou na primeira parte do ano. Bezzecchi não se entendeu ainda com a GP23 e teve só um momento de grande destaque na temporada, com um pódio no GP da Espanha, mas já garantiu o futuro, com um acordo para correr pela Aprilia na próxima temporada.

Marco Bezzecchi não se entendeu com a GP23 da VR46 (Foto: VR46)

#73 – Álex Márquez – 7 – o caçula dos irmãos de Cervera teve bons momentos na temporada, especialmente no GP da Alemanha, quando dividiu o pódio de Sachsenring com Marc. Feliz na Gresini, Álex já até renovou com a equipe de Nadia Padovani. E por dois anos.

#88 – Miguel Oliveira – 6 – o português já viveu momentos de maior destaque na MotoGP, mas foi apenas mediano na primeira parte do ano. A melhor performance veio na Alemanha, com um pódio na sprint. Oliveira, porém, ainda tem o futuro incerto. A Trackhouse já manifestou interesse em renovar, mas Miguel é cotado também pela Pramac.

#89 – Jorge Martín – 8,6 – tal qual no ano passado, Martín mostrou que é um piloto veloz, mas, também como aconteceu em 2023, deixou evidente que, às vezes, o excesso de confiança o leva a falhar. Depois de iniciar o ano em alta, Jorge viu Francesco Bagnaia virar o jogo no segundo quarto do campeonato e, para piorar, ainda levou a virada no campeonato por causa de um abandono em Sachsenring, quando liderava a disputa.

Jorge Martín perdeu a liderança do Mundial na última corrida antes das férias (Foto: Red Bull Content Pool)

#93 – Marc Márquez – 9 – hexacampeão da MotoGP, o espanhol abriu 2024 tentando entender se ainda podia ser competitivo depois da fratura no braço que lhe custou quase quatro temporadas. E, com a Ducati da Gresini, mostrou que segue sendo um piloto forte e combativo. A vitória ainda não veio, mas Marc tem sido um habitué no pódio e ocupa a terceira colocação no Mundial de Pilotos. Além da pista, o trabalho fora dela também rendeu dividendos, já que ele lançou mão das cartas certas para ser o escolhido pela Ducati para compor o time de fábrica nos próximos dois anos.

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