Palou minimiza pressão para se provar na F1 e vira chave para reescrever história da Indy
Álex Palou mudou a postura ao longo do anos. Deixou de lado o "tudo pela F1" e se mostra mais consciente e determinado em quebrar os recordes da Indy
Álex Palou chegou causando à Indy. Não só por demonstrar enorme talento e vencer o campeonato justo no primeiro ano na Ganassi, destronando Scott Dixon em sua própria casa em 2021. Mas mostrou que faria de tudo pelo sonho da F1, até mesmo tentar romper o contrato a quem lhe deu uma oportunidade de correr em um time competitivo. Anos depois de toda confusão, o espanhol parece ter cabeça no lugar e o alvo em fazer história na categoria norte-americana, afastando a possibilidade de migrar de categoria.
Depois de vencer as 500 Milhas de Indianápolis, há duas semanas, Palou nunca respondeu tanto sobre ir para a F1 — e olha que já perguntaram muito sobre esse assunto ao espanhol nesses últimos anos. O piloto da Ganassi “zerou o game” da Indy e caminha a largos passos para conquistar o quarto título. Atuando de forma exuberante e dominante na categoria, as questões se voltam à Fórmula 1, o que é rapidamente rechaçada.
Durante entrevista coletiva acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO logo após a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, Palou falou sobre “buscar uma nova meta”, mas indicou que esse futuro segue dentro da Indy, mostrando ambição peculiar para quem estava celebrando a glória.
Vamos lembrar que em 2022 tentou romper com a Ganassi após assinar com a McLaren. Seria titular na Indy e reserva na F1. Após o início de uma disputa na justiça, o espanhol ficou no time de Chip Ganassi e disse que não seguiria o contrato com o time liderado por Zak Brown no ano seguinte. De tudo pela F1, agora é tudo pela história na Indy. Mas o que fez Palou mudar de opinião?

Talvez seja o retrospecto. Nos últimos anos, somente Jacques Villeneuve e Juan Pablo Montoya fizeram a troca e tiveram sucesso. Ambos se adaptaram muito rapidamente à mudança de categoria e puderam ficar por muitos anos na F1 — o canadense, inclusive, foi pole na estreia em 1996 e campeão em 1997. Michael Andretti e Alessandro Zanardi naufragaram na tentativa de cruzar o oceano, mas não tiveram mais que um ano para provar valor.
Em geral, o automobilismo em alto nível não dá tempo. O mesmo é válido para a Indy. Os nomes que deixaram a F1 e deram certo na categoria precisaram se adaptar rápido ou tiveram um prazo ímpar — que diga Marcus Ericsson, que conseguiu ficar duas temporadas graças a milhões de coroas suecas com resultados apagados até começar a vencer na Indy em 2021 e faturar as 500 Milhas de Indianápolis em 2022.
Talvez seja o tempo — ou a falta dele — que fez Palou mudar de opinião. Ele segue sendo observado pela F1. Como mencionado acima, esteve perto desse mundo quando foi reserva da McLaren, mas sabe que uma oportunidade na categoria só vai surgir por uma equipe do meio para o fundo do grid. Analisou o cenário e, ao que tudo indica, acredita que não vale a pena essa mudança. Como disse à revista alemã Auto Motor und Sport: “por que desperdiçar três ou quatro anos em uma equipe que não pode vencer? Isso não é o que entendo por pilotar.”
Analisando essa frase de Palou, a questão é se o espanhol terá três ou quatro anos para se provar na F1. Se tiver, aos 31 ou 32 anos, vai ser ativo para as equipes grandes na categoria? Tudo leva a crer que não, a não ser que chegue de modo avassalador na Fórmula 1 como chegou à Indy. No entanto, a oportunidade na Ganassi apareceu logo no segundo ano dele na categoria de monoposto dos EUA.

Palou tem feito história na Indy aos 28 anos. Com uma longa jornada pela frente, caminha para, quem sabe, quebrar todos os recordes da categoria. Tem quase nas mãos o quarto título — conquistados nos últimos cinco anos — e se aproxima dos sete de A.J. Foyt em velocidade assombrosa, com menos de 100 corridas.
Mas não importa quantos recordes forem quebrados, Palou sabe que não vai entrar em discussões sobre um dos maiores da história. No Brasil e na maior parte do mundo, ter sucesso na F1 é praticamente item obrigatório para entrar nessa conversa — algo que sofre A.J. Foyt, Tom Kristensen, Sebastien Loeb e muitos outros.
Palou pode não ser o melhor da história, da atualidade ou nem entrar nessa discussão para alguns. No entanto, parece que é algo que o espanhol não busca mais — e se esquiva muito bem da pressão que lhe é imposta para se provar na F1. Tem frisado que é feliz na Indy e que seu objetivo é seguir brigando por vitórias e títulos. Virou a chave para reescrever as estatísticas na categoria.
Sem a F1, o que mais Palou pode almejar? Quem sabe, torcer para a Indy monte seu calendário sem conflito com grandes provas, com as 24 Horas de Le Mans.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
LEIA MAIS: Kirkwood cresce na reta final e vence GP de Detroit da Indy. Palou bate
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Indy direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!