Andretti e Honda na frente, Newgarden puxando Chevrolet: o que esperar da Indy 500

Em uma edição que não promete chegar nem perto do recorde de ultrapassagens, a posição de largada pode ser um fator ainda mais importante do que o normal. E a Honda tem a faca e o queijo na mão para voltar a triunfar no Brickyard

Principal prova do calendário da Indy e uma das maiores do mundo, as 500 Milhas de Indianápolis chegam finalmente neste domingo (22). Com três meses de atraso pela pandemia de coronavírus, a prova acontece em condições bastante anormais, especialmente pelos portões fechados ao público. Na pista, uma primeira edição com o aeroscreen, algo que deve mexer com o arrasto e, consequentemente, a configuração dos carros para a corrida. Tal mudança de acerto também pode causar uma etapa com bem menos ultrapassagens do que estamos acostumados. E isso é ótimo para a Honda.

É que os japoneses tomaram de assalto as quatro primeiras filas do grid: são 11 carros da Honda contra apenas a Chevrolet do brioso novato Rinus VeeKay. Em uma corrida mais procissão e menos loucura, ótimo para quem vai sair mais da frente. E isso já joga uma pressão grande na turma da Chevrolet desde a largada, com a necessidade de já ganharem posições ali mesmo. A boa notícia, porém, é que os carros da montadora americana parecem no ritmo dos da japonesa, algo que não aconteceu na classificação pela potência extra dos motores.

Marco Andretti e Alexander Rossi têm boas chances na Indy 500 2020 (Foto: IndyCar)

Passando pelo grid, a primeira fila reúne alguns dos principais candidatos ao triunfo. Marco Andretti, tentando quebrar a escrita da falta de vitórias da família na Indy 500 desde 1969 sai na pole e é favorito natural. Mesmo longe da melhor forma que já teve na carreira, o americano parece ter se encontrado na edição 104 e a Andretti fez ótimo trabalho focando na corrida. Aliás, além de Marco, a equipe ainda tem outros três bons nomes para a briga: Ryan Hunter-Reay (5º), James Hinchcliffe (6º) e Alexander Rossi (9º), que pode voltar à briga pelo título em caso de vitória no Brickyard. Colton Herta (10º), pela falta de constância em ovais, e Zach Veach (17º), por não ter o nível dos parceiros, apenas correm por fora.

A Ganassi é a segunda força aparente da Indy 500 2020, mas não é exagero chamar, especificamente no IMS, de exército de um homem só. Como nos últimos anos, as esperanças estão quase que 100% em Scott Dixon, que parte da segunda colocação. É verdade que o neozelandês pode optar por uma postura mais conservadora pensando no título e em bons pontos, mas é ele quem pode levar o time de Chip Ganassi para frente. É que Marcus Ericsson (11º) ainda é bastante cru nos ovais e Felix Rosenqvist (14º) empilha erros em traçados assim. Complicado imaginar que superem outros 31 carros.

Scott Dixon é a Ganassi nas 500 Milhas de Indianápolis (Foto: IndyCar)

Vale ficar de olho no que pode aprontar a RLL. Takuma Sato fecha a primeira fila e está em ótima posição para atacar e tentar o segundo anel em Indianápolis, mas Graham Rahal (8º) e Spencer Pigot (12º) são outros dois excelentes pilotos que também andam muito bem em ovais e, assim, com um bom acerto de carro, devem acompanhar Takuma na tentativa da equipe de surpreender as principais forças do grid.

Ainda no pelotão de força da Honda, Álex Palou puxa a trinca da Dale Coyne. O espanhol abre a terceira fila, mas a falta de experiência pode cobrar um preço, especialmente nas últimas voltas da corrida. Santino Ferrucci (19º) e James Davison (27º) são mais conhecedores de ovais e da pista, mas a posição de largada deve comprometer bastante qualquer chance. A Ferrucci, resta dar o show costumeiro nas relargadas, enquanto Davison precisa se manter longe do muro.

O último carro da Honda é o de Jack Harvey, 20º no grid de largada. O britânico é bom piloto, a Meyer Shank é uma equipe competente e promissora, mas ambos têm pouquíssima experiência nos ovais e já foram muito mal no Texas. A realidade é outra, a classificação foi decente, mas ainda não parece ter chegado a hora deles.

Rinus VeeKay se destacou na classificação da Indy 500 2020 (Foto: IndyCar)

O intruso da Chevrolet nas quatro primeiras filas é uma tremenda surpresa. Em seu primeiro ano de Indy, Rinus VeeKay colocou a Carpenter no quarto lugar, mas talvez o holandês seja o menos candidato do trio da equipe. É que Rinus pouco andou de oval e, no GP do Texas, bateu duas vezes. Por outro lado, Ed Carpenter (16º) é um verdadeiro especialista em Indianápolis, enquanto Conor Daly (18º) também tem bom retrospecto em ovais. É uma situação curiosa para a equipe.

Mas não dá para fugir do favoritismo da Penske, ao menos no que diz respeito ao grupo de carros da Chevrolet. Assim, Josef Newgarden (13º) é o melhor nome para entrar no bolo, já que ainda sonha com o título do campeonato e é o melhor carro da fabricante americana no grid tirando VeeKay. Will Power (22º), Simon Pagenaud (25º) e, principalmente, Helio Castroneves (28º) são nomes consagrados no Brickyard, mas que só vão ter chances reais em uma corrida bastante atípica.

Aí tem a McLaren, com dois novatos e o mais experiente do trio sendo ninguém menos que Fernando Alonso, em sua terceira participação em Indianápolis e segunda largada. Após cair no Bump Day em 2019, o espanhol tem equipamento bem melhor em mãos, mas não andou nada bem em momento algum desde o acidente sofrido no TL2. Larga em 26º e, ao menos em um primeiro momento, parece ter menos chances que Pato O’Ward (15º) e Oliver Askew (21º), que já são azarões.

FERNANDO ALONSO; INDY; INDY 500; MCLAREN
Fernando Alonso vai precisar de um milagre na Indy 500 2020 (Foto: IndyCar)

A Foyt tem sofrido muito nas últimas temporadas, mas cresce nos ovais, especialmente em Indianápolis. Assim, ainda que as posições de grid sejam bem complicadas, o time pode ir para frente se a Chevrolet encostar na Honda. E a melhor aposta dali é Tony Kanaan (23º), que já venceu Indy 500 e é o piloto que mais edições liderou na história. Dalton Kellett (24º) e Charlie Kimball (29º) são mais candidatos ao muro do que qualquer outra coisa.

O grupo dos quatro carros mais lentos parece bastante claro e está refletido no grid. Max Chilton, Sage Karam, JR Hildebrand e Ben Hanley, respectivamente, fecham os 33 e só devem pensar em completar a prova. No caso de Hanley, além do muro, a preocupação com a falta de velocidade da DragonSpeed precisa existir. Karam e Hildebrand também vão sofrer com a DRR e Chilton não deve ir muito mais longe com a Carlin.

Com Honda e Andretti favoritas e a perspectiva de uma prova dura em que o ritmo deve ser mais fundamental que a ousadia nas manobras, as 500 Milhas de Indianápolis chegam para abrir a reta derradeira da temporada 2020 da Indy.

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