Collet eleva nível na hora certa e vira esperança de retorno do Brasil na Indy

Mercado estagnado e complemento financeiro são desafios, mas Caio Collet cresce em momento crucial por vaga na temporada 2026 da Indy

Caio Collet subiu de nível nas últimas corridas na temporada 2025 da Indy NXT e tem mostrado um desempenho, no mínimo, igual ao de Dennis Hauger, que tinha quase todos os holofotes da categoria para si. A arrancada na fase decisiva do campeonato aumentam as esperanças do Brasil ter um representante na Indy em 2026.

Hauger teve um início de ano tranquilo na Indy NXT. Após disputar três temporadas na Fórmula 2, o norueguês foi aos Estados Unidos competir pela Andretti, equipe que revelou Kyle Kirkwood e por quem Louis Foster dominou a temporada 2024. Tem claramente o melhor pacote na categoria, o que não tira o mérito do começo arrasador de campeonato: venceu quatro das cinco primeiras provas — só não ganhou a corrida 1 do misto de Indianápolis, quando foi tocado na largada.

O entorno da Indy passou a tratar o título de Hauger como favas contadas. Houve quem o chamou de ‘Álex Palou da Indy NXT’, afinal, dominava a temporada da categoria de base como o espanhol na principal. Analisando o cenário de modo mais amplo, Lochie Hughes, também da Andretti, aparecia como única possível ameaça, pois a HMD, equipe de Caio Collet, batia cabeça com sua dezena de pilotos.

O surgimento de Collet ao campeonato veio na etapa de Gateway, a sexta do certame, em circuito oval. Não que o início do representante do #76 tenha sido ruim, mas era nítido que estava limitado pelo equipamento. O brasileiro foi muito bem ao controlar Hauger, mas ambos pagaram pela falta de experiência nesse tipo de traçado. O brasileiro e o norueguês sofreram com os pneus no fim da etapa, o que permitiu a Hughes e Miles Rowe superar os dois ponteiros. Mas o desempenho superior ao egresso da F2 mostrou que a reação era possível.

Caio Collet (Foto: IndyCar)

O dissabor de perder uma corrida controlada durou somente uma semana: Collet venceu a etapa de Road America. Em Elkhart Lake, o brasileiro comboiou Hauger e atacou no fim, ultrapassando o norueguês por fora nas voltas finais. Em Mid-Ohio, Hauger levou a melhor diante de Collet, mas a exibição do brasileiro mostrou que o norueguês não era mais soberano na Indy NXT.

Em Iowa, novo circuito oval, os dois pilotos provenientes do automobilismo europeu sofreram para os locais — Rowe venceu a primeira na carreira de modo impressionante. Para Collet, o quarto lugar foi o melhor que poderia fazer em um fim de semana que a HMD não entregou um equipamento competitivo a nenhum de seus pilotos.

Collet mostrou que a etapa em Newton foi um somente um desvio de rota e sacramentou a boa fase — e o nome na lista de algumas equipes da Indy — com a varrida na rodada dupla de Laguna Seca. Venceu as duas corridas com direito a duas poles, liderança de todas as voltas e o melhor giro de ambos eventos. Uma apresentação que o colocou de vez na disputa pelo título da Indy NXT.

Em Portland, o Collet cravou a pole, mas cometeu um raro na largada, que abriu caminho para Hauger. Tentou recuperar a liderança em todos os giros da prova, mas o adversário sobe segurar a dianteira. Com isso, o norueguês parte com a vantagem de 54 pontos para as últimas duas corridas do ano, nos ovais de Milwaukee e Nashville — que podemos chamar de campo neutro para os dois, que ainda não venceram nesse tipo de traçado —, mas o brasileiro mostrou potencial de, sim, correr na Indy em 2026.

Caio Collet (Foto: IndyCar)

O título seria muito importante para Collet, que nunca teve valores volumosos para correr, e levaria uma premiação perto de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,4 milhões) para alguma equipe na Indy, mas manter a boa fase também nos circuitos ovais vai ampliar o destaque para as conversas visando a temporada 2026 — afinal, o principal evento da categoria é neste tipo de traçado, as 500 Milhas de Indianápolis.

Até aqui, é inegável o talento de Collet. Uma vaga na Indy para 2026 é justa para o que apresentou nestes anos nos Estados Unidos, ainda mais em uma equipe que divide as atenções com outros nove pilotos. A maior dificuldade, certamente, estará no lado financeiro, pois as equipes da Indy estão gastando mais para manterem as operações, o que faz com que seja necessário mais dinheiro — por isso, endinheirados, como Devlin DeFrancesco, Sting Ray Robb, Nolan Siegel e outros possuem cada vez mais espaço no certame.

O sistema de charters elevou um pouco os custos pelo valor pago para ter uma dessas franquias, assim como limitou a participação de mais carros em algumas etapas — expediente adotado por alguns times para diluir o valor da operação em cada corrida. Outro ponto foi o motor híbrido, que aumentou o valor da peça, mas que o peso extra tem danificado muito mais os monopostos em caso de batida.

Pesa contra Collet a estagnação do mercado de pilotos. Todos estão a espera do que vai acontecer entre Will Power e Penske, no entanto, o staff do representante da HMD na Indy NXT segue fazendo sua parte e conversando com equipes da categoria, conforme apuração do GRANDE PRÊMIO.

Porém, pesa muito a favor essa arrancada na fase decisiva do campeonato, justamente no momento em que as equipes começam a planejar a temporada de 2026. O desafio é fechar todo esse quebra-cabeça financeiro para fazer de Collet o próximo brasileiro na Indy.

A temporada 2025 da Indy NXT retorna no próximo dia 24 de agosto, com a antepenúltima etapa do ano em Milwaukee, um oval curto de uma milha (1,609 km).

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