Herta patina de novo e faz de bobo quem achou que tinha nível de F1

Colton Herta errou mais uma vez. E a possibilidade de ter corrido na Fórmula 1 mostra que a FIA estava certa em negar a superlicença, e faz de bobo quem pensou que o americano iria além de uma grande promessa

Era março de 2019. O palco era o mesmo que a Fórmula 1 visita todo ano: o Circuito das Américas, em Austin, no Texas. Naquele dia 24, a Indy viu o mais jovem vencedor de corridas de sua história. E bem antes da história de AlphaTauri e superlicença, Colton Herta já surgia com toda cara de que tinha o potencial de ser o primeiro piloto a romper a barreira dos Estados Unidos e competir no Mundial desde a fracassada passagem de Sébastien Bourdais por lá. Porém, a trajetória de lá para cá é de bastante decepção.

Precisamos fazer justiça também. Herta fez muito mais que aquela vitória com a modesta Harting. Ainda naquele ano, fez pole-position e venceu em Laguna Seca. No ano seguinte, foi promovido para a Andretti, onde teve um ano constante e foi top-3 do campeonato. Na temporada seguinte, mais bons momentos.

E talvez o ápice de Herta tenha sido justamente meses antes da situação superlicença. A exibição na pista molhada no misto de Indianápolis, em 2022, foi uma das mais memoráveis dos últimos anos na categoria. Naquele estágio, não existiam tantas dúvidas da qualidade de Colton. O problema foi o pós. De cara, dificuldades com uma Andretti que tinha dificuldades estratégicas e de confiabilidade, mas Herta também não se ajudava sempre que poderia.

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Colton Herta esnobou Santino Ferrucci (Foto: IndyCar)

Então, veio a polêmica. Sem pilotos prontos na academia da Red Bull, a AlphaTauri olhou para Colton Herta como uma alternativa viável a substituir Pierre Gasly. Afinal, era jovem, rápido, americano, com potencial de atrair fãs de todas os tipos e aumentar a popularidade da equipe. O negócio foi dado como certo, mas tinha um problema: ele tinha apenas 32 dos 40 pontos necessários para a superlicença. E a FIA optou por não ceder uma liberação especial a Herta.

No fim, a decisão acabou se mostrando acertada. Naquele ano, Colton sequer foi o melhor piloto da Andretti, sendo derrotado por um Alexander Rossi que estava de saída da equipe. Em 2023, um cenário ainda pior. Uma ruptura com o pai, o ex-piloto Bryan, gerou uma mudança no time estratégico. O patriarca passou a chamar as corridas de Kyle Kirkwood, enquanto Colton ficou com o estrategista Rob Edwards. E não é que Kirkwood, no primeiro ano dele pelo time, saiu com duas vitórias e à frente na tabela?

2024 até começou com as esperanças de que seria um ano menos conturbado. O bizarro é que Herta chegou ao mês de maio, após dois pódios nas quatro primeiras corridas, na liderança do campeonato. Mas, mais uma vez decepcionou. Na Indy 500, tinha chances de vencer se não tivesse batido sozinho. Em Detroit, foi pole. Poderia perder por fatores de caos e estratégia, mas jogou a corrida no lixo com um ataque desnecessário para cima de Tristan Vautier.

O ciclo de Herta sempre parece o mesmo: faz boas classificações, começa a andar no top-5, mas sempre que pode mais, erra, Mais de uma vez já vimos Colton batendo enquanto estava na liderança. Mais de uma vez vimos a Andretti forçada a dividir culpa com o piloto por conta de suas más escolhas estratégicas e do equipamento entregue. Ele ainda tem 24 anos e pode mudar esse jogo, mas a cara é muito mais de promessa que não vingou do que alguém que teria nível até para estar na Fórmula 1.

Colton Herta (Foto: IndyCar)

E isso não serve como cobrança para disputa de título. Sabemos quem pode brigar pelas coisas na Indy. Mas a decepção coletiva vista com Herta não é vista com Pato O’Ward, que mesmo após um ano em branco, largou a ideia de Fórmula 1 de vez para se tornar um dos pilotos mais populares dos Estados Unidos. Não há decepção com Kyle Kirkwood, que tem comido pelas beiradas e vai se consolidando como principal piloto da Andretti. Não há decepção com Christian Lundgaard, elogiado dia após dia pelo sentimento de que faz muito com pouco.

Colton ainda pode ter uma carreira de mais 15 anos na Indy, vencer as 500 Milhas de Indianápolis e também levantar a Astor Cup. Ainda há muito tempo. Porém, a impressão dos últimos anos é de que foi bobo demais quem confiou tanto que seria uma nova estrela do esporte a motor.

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