Indy

Com pilotos tão bons quanto os da F1, Indy mostra a ela o que é corrida de verdade

Alexander Rossi parecia Lewis Hamilton em um dia de grande domínio, mas a corrida da Indy em Elkhart Lake em nada lembrou a da F1 na França. Com muitas brigas, direção de prova discreta e atuações memoráveis como as de Colton Herta e Scott Dixon, a Indy mostrou o que é uma corrida de verdade

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
Tudo começa com uma postagem de Lewis Hamilton no sábado. Claramente numa indireta para a F1 na terrível Paul Ricard, o inglês mostrou ao mundo que estava vendo a classificação da Indy em Elkhart Lake e, principalmente, que estava gostando muito.
 
A corrida deste domingo (23) serviu para mostrar que Hamilton estava certo. O inglês, que falou que a pista de Road America era "legal de verdade", venceu uma corrida simplesmente horrível na França mais cedo. Horas depois, Alexander Rossi controlou igualmente a prova da Indy, mas o resto do grid viveu fortíssimas emoções, algo que passou longe de rolar na F1.
 
Enquanto a F1 teve, possivelmente, a pior corrida dos últimos anos, a Indy teve uma das melhores da temporada. Pegas pela pista toda, pelotão compacto em boa parte das 55 voltas e muitas ultrapassagens. Se Rossi foi Hamilton, ninguém parecia Valtteri Bottas, Charles Leclerc ou qualquer outro solitário na manhã francesa.
Alexander Rossi teve um dia de Lewis Hamilton, mas a Indy não foi F1 (Foto: Indycar)
"O que fizemos de noite, em entender o que erramos na classificação, porque doeu, e fazer o que fizemos hoje foi sensacional. Agradeço a todos do time. Tenho que pensar ainda, mas acho que foi a melhor corrida que já fiz. É claro que você não quer reclamar do segundo lugar, mas eu sabia que tínhamos ritmo. Desde o Texas, quando perdemos por pouco, a motivação para este fim de semana era a maior possível, viemos aqui para executar isso. Sem esses caras, não conseguiria isso. Foi uma vitória que precisávamos. Estávamos sempre lá, mas os caras da Penske eram melhores. Ganhar a corrida do jeito que vencemos mostra nossas intenções, agora vamos nos reunir antes de Toronto", disse Alexander.
 
Se Lewis disse que a pista da Indy era de verdade, vamos além: o GP de Elkhart Lake foi uma corrida de verdade, algo que passou e vem passando longe da F1. É mais uma lição que a categoria americana deixa, assim como já havia sido, por exemplo, em Austin.
 
E os ingredientes são muito parecidos com os que foram no misto texano: uma ótima pista, pilotos agressivos e de muita qualidade e, principalmente, uma direção de prova que deixa o jogo correr e o bicho pegar.
Scott Dixon passou quase o grid inteiro (Foto: Indycar)
É inegável que a Indy vem atraindo mais holofotes e elogios e muito disso se deve ao momento cada vez pior da F1 enquanto entretenimento, diversão para quem está vendo. Só para ficar em dois exemplos em Road America, os choques entre Ryan Hunter-Reay e Scott Dixon e Simon Pagenaud e Colton Herta certamente seriam punidos na F1. Na Indy, segue o jogo e ninguém reclama.

"Acho que se não fosse o problema na largada, quando perdemos uns 10 segundos, poderíamos brigar pelo pódio. Tivemos que trabalhar para voltar ao topo. Acontece, e o que você pode fazer é baixar a cabeça e ganhar posições. É apenas um daqueles anos neste ponto. Você tem que baixar a cabeça e somar pontos. Vamos continuar trabalhando", comentou Scott.
 
Não tem limite de pista - o que evitou que Daniel Ricciardo passe dois carros na última volta francesa - e aí existem várias linhas diferentes mesmo em partes mais estreitas do traçado. Isso também potencializou o que fizeram Dixon e Herta, donos de grandes atuações, um saindo de último na primeira volta e outro lutando bravamente com um carro todo complicado.

"Dia difícil hoje em Road America. Tivemos problemas com os pneus vermelhos e perdemos posições no final da corrida, mas no geral, os caras foram ótimos o final de semana inteiro. O carro era muito rápido, me diverti pilotando. Agora vamos mudar o foco para a corrida de rua em Toronto", avaliou um guerreiro Herta.
Colton Herta brigou muito na corrida (Foto: Indycar)
São categorias diferentes, carros e concepções de campeonatos completamente diferentes, mas existem coisas que a F1 pode e deve se espelhar na Indy. Hamilton, acreditem, não postou aquilo apenas para fazer uma graça.
 
Pensando no campeonato, o cada vez mais brilhante Rossi botou ainda mais pimenta na briga, cortando para sete pontos a vantagem do também excelente Josef Newgarden, que teve mais um pódio em Elkhart Lake. Definitivamente, é um duelo desenhado para o resto do ano.
 
Longe de qualquer tipo de briga esteve de novo a Foyt, que se arrastou pela pista e teve raríssimos bons momentos. No fim, Matheus Leist em 20º e Tony Kanaan em 21º.

"Foi um dia de dificuldades. Perdemos muito tempo no segundo stint com os pneus vermelhos e isso estragou nossa estratégia", falou Kanaan.
 
"Dia difícil aqui em Road America. Muitas dificuldades com o acerto. O balanço não era o ruim, mas não tínhamos velocidade e ritmo. Tentamos uma estratégia diferente, com quatro paradas, que nos ajudou porque o desgaste era pior que o de todos. Vamos focar na próxima, tentar classificar melhor e construir um carro melhor", arrematou Matheus.

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