Corrida em Fontana faz Castroneves falar em “desrespeito do limite” e Kanaan questionar benefício para Indy

Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Helio Castroneves reclamou da postura de alguns de seus competidores nas 500 Milhas de Fontana, inclusive do vencedor da prova Graham Rahal. Tony Kanaan também viu algum exagero dos pilotos e acha que a categoria precisa aprender a mesclar uma corrida boa para os fãs e para os pilotos

As 500 Milhas de Fontana renderam uma série de discussões acerca da segurança dos pilotos da Indy. Em entrevistas exclusivas ao GRANDE PRÊMIO, Helio Castroneves e Tony Kanaan reclamaram da postura de alguns pilotos durante a prova. Os brasileiros também comentaram o primeiro esboço do calendário da temporada 2016.
 
Castroneves se mostrou irritado com o comportamento de alguns pilotos e explicou que tem a consciência de quando não deve se envolver em disputas por posições.
“O que tornou a prova perigosa foi a atitude de alguns pilotos, desrespeitando o limite entre a ousadia e irresponsabilidade. Você não pode ficar dançando com seu carro quando está em uma linha de três e muito menos formar linha de quatro ou até cinco carros achando que não vai acontecer nada. O limite da minha ousadia termina quando eu coloco a sua segurança em risco e em Fontana esse limite não foi respeitado”, disse.
 
Para o brasileiro da Penske, o vencedor da prova Graham Rahal foi um dos que excederam os limites e foi responsável pelo acidente que encerrou a sua prova. Castroneves também criticou Ryan Briscoe.
 
“O meu acidente, por exemplo, foi prova disso. O Rahal moveu o carro para o lado de maneira perigosa e o Briscoe foi meter o carro dele onde não havia a menor condição. Eu repito o que já disse, a corrida foi ótima, mas o perigo foi potencialmente aumentado pela inconstância de alguns pilotos”, completou.
Helio Castroneves para no muro interno da pista após ser espremido por Ryan Briscoe (Foto: Reprodução TV)
Em uma linha parecida com a do compatriota, Kanaan destacou que, para quem assistiu, a corrida foi excelente, mas não negou que as 500 Milhas de Fontana foram perigosas.
 
“A corrida foi muito boa. Para os fãs, acho que foi a melhor corrida da Indy em muito tempo. Mas, a falta de experiência de alguns pilotos fez com que a gente passasse por uma situação um pouco delicada”, falou.
 
Para Kanaan, é hora de reflexão. O baiano acredita que pilotos e categoria precisam pensar no que seria bom tanto para os fãs, quanto para os competidores. Kanaan também deixou claro que Fontana e a Indy 500 foram perigosas por motivos completamente diferentes.
 
“O que eu acho é que nós precisamos pensar se esse tipo de corrida vai trazer algum benefício para a categoria. Em Indianápolis era outra história, em Fontana o único carro que voou foi porque foi parar no meio da grama. O que acho é que precisamos achar um denominador entre pilotos e fãs, acharmos um formato de corrida que deixe todo mundo contente”, explicou.
 
Kanaan gostou das primeiras projeções de calendário para 2016 feitas pelo diretor da categoria Mark Miles. Para o baiano, a mescla entre os tipos de pista é ótima para a Indy, assim como a duração maior do campeonato. Contudo, o piloto da Ganassi gostaria de ver mais corridas em ovais.
 
“Quanto mais longa a temporada, melhor. Sou de um tempo em que o campeonato começava em março e ia até novembro. Acho que isso vai ajudar as equipes e vai manter todo mundo empregado. Eu acho legal a mescla entre os três tipos de pistas, mas acho que deveríamos ter um pouco mais de ovais. É até o que o Miles tá vendo, deixar o calendário balanceado, mas mais próximo de como era na CART”, disse.
 
Para Castroneves, ainda que o calendário não esteja definido, o importante é que ele contemple todos os tipos de pista e passe por importantes centros do automobilismo.
 
“Ainda não temos um calendário definitivo. De qualquer maneira, sou favorável a um calendário que empolgue o fã e que visite lugares que realmente fazem parte das grandes tradições do automobilismo. Acho que um ponto altamente positivo da Indy é oferecer provas para todos os gostos. Hoje já fazemos isso e, se conseguirmos melhorar, será ótimo”, falou.
 
Por fim, questionado se um dia o Brasil poderia voltar ao programa da Indy, Castroneves afirmou ser “potencialmente otimista” para dizer que isto pode acontecer. Para Kanaan, entretanto, a realidade mostra que o país precisaria de um patrocinador muito forte.
 
“Acho muito difícil que aconteça. Minha esperança, enquanto brasileiro, vai sempre querer dizer que sim. Mas, depois de tudo que aconteceu, acho complicado. Não é fácil arrumar um apoiador como a Bandeirantes depois de toda a frustração que ocorreu”, afirmou.
 
Kanaan e Castroneves tiveram resultados bem diferentes nas 500 Milhas de Fontana. Enquanto o baiano completou na segunda colocação, o paulista foi 23º, abandonando após toque com Rahal e Briscoe.

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