Em Indy 500 ‘japonesa’, Sato e Honda brilham e repetem 2017. Alonso, não

Assim como na estreia do espanhol no Brickyard, melhor para Takuma Sato e para a Honda. Só que, dessa vez, Alonso não foi sequer coadjuvante na principal corrida do calendário da Indy

Fernando Alonso na disputa das 500 Milhas de Indianápolis? Vitória de Takuma Sato. Assim como em 2017, na primeira tentativa do bicampeão da Fórmula 1 no oval mais famoso do mundo, quem levou a melhor neste domingo (23) foi o japonês. Daquela vez, com a Andretti, hoje, com a RLL. Nas duas ocasiões, com a Honda. E é fundamental ressaltar a Honda. Se em 2017 ela foi parte importante da engrenagem na conquista de Sato, em 2020 foi muito além.

A 104ª edição da Indy 500 vai ficar marcada por um domínio impressionante da montadora japonesa, desenhado na classificação e confirmado na corrida. Com ou sem o boost, a potência extra do motor na definição do grid, a Honda rugiu bem alto e permitiu que seus pilotos atropelassem os rivais da Chevrolet nas retas.

Foi também uma resposta muito importante dos japoneses. Ainda que liderassem o campeonato e que tenham toda cara de que vão ser campeões com Scott Dixon, Indianápolis é praticamente um outro torneio. E a Honda conseguiu interromper a sequência da Chevrolet. Mais do que isso, a Honda deu o troco de 2018, quando ficou evidente a maior força da rival numa Indy 500 procissão vencida e dominada por Will Power e Ed Carpenter.

Takuma Sato dedicou vitória na Indy 500 ao Japão (Foto: AFP)

E quando se fala em motores Honda potentes, imediatamente voltam à cabeça as lembranças de Alonso descascando a fabricante na Fórmula 1. O “motor de GP2” que fez com que piloto e montadora nunca mais fizessem parceria alguma juntos, hoje foi, mais uma vez, diferencial na Indy 500. Mas, e quanto ao piloto espanhol? Talvez o mais desavisado sequer soubesse que Fernando esteve na pista neste domingo.

Apático, inofensivo, lento, desaparecido. Os adjetivos para o 21º lugar de Alonso não podem realmente ser positivos. A única coisa que evoluiu em relação à estreia em 2017 foi o fato de ter completado a prova, mas é bem pouco. Longe de qualquer briga, o espanhol simplesmente não foi competitivo, confirmando algo que já era projetado desde os treinos livres. Alonso classificou mal e sequer passou perto do top-10 a corrida toda. O protagonista não virou coadjuvante, virou figurante.

“Foi uma grande experiência”, afirmou Fernando, que largou da 26ª posição de um grid de 33 pilotos. “Quando já estávamos na metade do caminho de uma corrida de recuperação, tivemos uma falha de embreagem. Então, a cada pit-stop, tínhamos de fazer pegar no tranco mesmo, com os mecânicos empurrando o carro, como antigamente”, completou.

Fernando Alonso amargou apenas a 21ª posição, muito longe da tríplice coroa (Foto: AFP)

É vital que a edição de 2020 sirva, de fato, como um aprendizado para Alonso, não apenas da boca para fora. O acidente do TL2, por exemplo, foi típico de alguém sem experiência e, depois daquilo, nem o carro e nem o piloto foram os mesmos. O ritmo nunca mais esteve ali. Para 2023, 2024 ou quando quer que volte, o espanhol precisa pensar no que pode fazer para chegar melhor e, só assim, com uma preparação irreparável e cercado do grupo certo, é que a tão sonhada Tríplice Coroa poderá sair.

Um excelente exemplo de como se preparar e crescer em Indianápolis e na Indy vem justamente de Sato. Não é só porque venceu pela segunda vez no Brickyard, aliás, isso já é um tremendo feito, mas é pelo que representa, é pela trajetória. Do alto de seus 43 anos, Takuma parece longe do fim, mais do que isso: demonstra estar no auge, ser como o vinho e ir ficando melhor a cada ano que passa.

Aquele jovem rápido, mas um tanto estabanado da Fórmula 1 ficou para trás. Na Indy, Takuma se reinventou. Em Indianápolis, Sato se consagrou. É verdade que o japonês ainda está sujeito a erros, faz suas bobagens, mas isso tudo é muito menor do que o tamanho que tem a conquista de duas Indy 500. Com o feito deste domingo, o piloto da RLL se junta em um grupo seleto de pilotos com mais de um triunfo e já está entre os 20 maiores nomes da história da principal corrida do planeta. É muita coisa.

São seis vitórias para Takuma Sato na Indy, duas no Brickyard: o maior do Japão (Foto: AFP)

“Sabemos que é um esporte grande ao redor do mundo, tenho prazer de estar na lista de vencedores novamente, mas especialmente pelo Japão. Eles têm se sacrificado muito desde o terremoto de 2011. Espero que isso dê um ânimo na energia. Obrigado a todos pelo apoio”, comemorou Takuma.

Ao mesmo tempo em que Sato é mais um exemplo de que há muita vida fora da F1 e de que não tem problema algum em encontrar o seu melhor em outras categorias, se consolida como o maior nome do automobilismo japonês na história. E passou da hora de respeitarmos Takuma e de o tratarmos pelo tamanho que tem.

Se em 2017 Takuma venceu a Indy 500 de Alonso, em 2020 ele venceu a Indy 500 de Sato. E da Honda.

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