Indy

GUIA 2019: Parceria com incógnita Carlin aumenta desafio de Alonso e McLaren para segunda Indy 500

Fernando Alonso e a McLaren não escondem de ninguém a paixão pela Indy 500, mas o próximo passo de ambos na prova e no restante da categoria será complicado ao lado de uma Carlin que é incógnita total

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo
GUIA 2019
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McLaren e Fernando Alonso foram as maiores atrações da edição 2017 da Indy 500. Em uma decisão que pegou o mundo do automobilismo de surpresa, o espanhol resolveu trocar o GP de Mônaco da F1 pela aventura no oval e teve todo apoio do time, que mergulhou de cabeça junto na aventura. A história se repetirá em 2019, agora com o asturiano aposentado da principal categoria do esporte a motor.
 
Mas não é apenas o status de Alonso que se modifica para a segunda participação nas 500 Milhas de Indianápolis. Hoje focada na reação para deixar o fundo do grid da F1, a McLaren designou uma nova equipe própria para cuidar da aventura americana e contratou Bob Fernley, dono de boa passagem pela Force India, para a chefia.
 
Além do papel de estruturar o time para uma boa Indy 500, Fernley também foi o selecionado para um objetivo maior: o de colocar a McLaren no futuro na temporada toda da Indy, mas em boas condições para brigar de igual para igual com qualquer outra equipe.
Fernando Alonso já fez as 24 Horas de Daytona em 2019 (Foto: Reprodução/Twitter)
Só que uma grande Indy 500 2019 será essencial para entender tudo que pode acontecer com a McLaren nos EUA nos próximos anos. Um resultado expressivo traria a confiança e até entusiasmo necessário para os laranjas de Woking passarem de dúvida para certeza no grid de 2020.
 
E o cenário para Alonso não é tão diferente assim. Todo mundo sabe que o objetivo que move o bicampeão do mundo atualmente é buscar a Tríplice Coroa e, já que o GP de Mônaco e as 24 Horas de Le Mans já foram para a conta, é a Indy 500 e nada mais que falta. Na primeira tentativa, foi ao Fast Nine na classificação e chegou a liderar voltas antes de seu motor estourar, um desempenho para lá de satisfatório e impressionante para um novato.
 
Mas viver de uma única corrida não faz nem de longe o estilo do asturiano, que, em 2019, vive de corridas encaixadas em uma agenda bem tranquila que ainda o permite ficar cercando o ambiente da F1, de vez em quando até parecendo uma sombra a pressionar Carlos Sainz Jr. e Lando Norris.
Fernando Alonso se destacou na Indy 500 2019 (Foto: McLaren Indy)
A temporada completa na Indy parece ser a opção mais clara, inclusive quase aconteceu já para 2019. Fernando até chegou a testar um carro da Andretti em Barber no final de 2018, mas recuou e preferiu ficar mesmo só na Indy 500.
 
É fato que Alonso novamente será a grande estrela do grid, que mais uma vez estará no centro dos holofotes, mas o desafio será bem maior que em 2017. Além de um carro novo e mais manhoso que o primeiro que guiou na Indy 500, a McLaren agora tem como parceira a Carlin e não mais a gigante Andretti.
 
A Carlin foi o elo encontrado pelo time de Woking para conseguir manter o esquema de parceria e, de quebra, que o fez deixar a Honda e migrar para a Chevrolet, já que rompeu completamente com os japoneses após os anos conturbadíssimos na F1. A questão é saber se a Carlin terá estrutura e experiência necessárias para empurrar a McLaren para a frente.
 
O panorama que se desenha para a prova do último final de semana de maio é o de Alonso tendo de lutar mais do que em 2017 com um material inferior e, portanto, teoricamente mais longe das primeiras colocações. Se for simplesmente o resultado a mover Alonso e McLaren para um ano completo na Indy em 2020, talvez a Indy 500 com a Carlin se transforme quase que em um dos Trabalhos de Hércules.