GUIA 2025: Collet destaca aprendizados e assume favoritismo para título da Indy NXT
Caio Collet admitiu erros durante temporada de estreia na Indy NXT, mas apontou ter aprendido lições para disputar o título em 2025
Caio Collet foi um dos destaques da temporada 2024 da Indy NXT, último passo antes da Indy. O brasileiro, que foi terceiro colocado no campeonato e novato do ano, destacou o aprendizado — alguns deles assimilados na base dos erros — durante entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO sobre seu primeiro ano no certame e reconheceu que as expectativas aumentaram em torno do título da categoria de base para, então, subir ao principal campeonato de monoposto dos Estados Unidos em 2026.
Postulante ao título de 2024 na maior parte do campeonato, Collet encerrou atrás de Louis Foster e Jacob Abel, que conquistaram vagas na RLL e Dale Coyne na Indy. A saída do campeão e vice da Indy NXT, na visão do brasileiro, não representa que a disputa estará mais fácil. Ao contrário, apontou que o grid continua forte com a chegada de novos nomes ao grid, como Dennis Hauger, ex-F2, Sophia Flörsch, ex-F3, e Lochie Hughes, atual campeão da Pro 2000.
“Cheguei aqui meio de paraquedas — fui o último da equipe a assinar em 2024 —, mas tive um ano muito bom. Com certeza, as expectativas aumentam agora. Acho que todo mundo espera que eu esteja nesta disputa, que leve o título, mas tenho muito trabalho a fazer junto da equipe. Da minha parte, tenho de procurar sempre o algo mais. Se sentar aqui e esperar ser campeão, isso não vai acontecer de jeito nenhum. É trabalhar duro e entregar tudo na pista. Espero que seja suficiente para ser campeão, mas não vai ser nada fácil”, falou Collet.
“A Indy NXT está com um grid cada vez mais forte, com grandes pilotos vindo de fora e outros subindo das categorias de base. Não dá para dizer somente um nome. A Andretti e a Abel possuem grandes potenciais como equipe. A Andretti foi campeã com o Foster e está trazendo Hughes e Hauger. São duas equipes muito fortes que vão disputar. Espero estar na briga desde o começo”, prosseguiu.

“A consistência vai ser a chave para ser campeão. Temos de estar entre os três primeiros sempre. Isso é muito importante, junto da paciência e cabeça fria. Quando não der para ganhar, chegar em segundo ou terceiro. Não tive isso no último ano. Sempre quis ganhar e dar o máximo, mas cometi alguns erros. Aprendi que não posso repetir esses equívocos, tenho sempre de pontuar alto”, completou.
Collet admitiu que a temporada de 2024 foi acompanha por alguns erros, a maioria por estar conhecendo as pistas, inclusive, os ovais, algo que nunca tinha feito na carreira até então. O piloto da HMD admitiu ter subestimado um pouco esse tipo de traçado, mas destacou que aprendeu valiosas lições, que serão importantes para disputar o título da Indy NXT deste ano.
“O ano foi muito positivo, mas cometi alguns erros, principalmente no começo da temporada. Acho que foi um ano onde todas as pistas eram novas para mim. Perdia um bom tempo me adaptando à pista. O bom trabalho com a equipe permitiu que eu me adaptasse rápido — encontrava ritmo ainda treinos. Isso foi muito positivo. Ganhamos corrida, fizemos muitos pódios e brigamos pelo título até chegar os ovais. Errei bastante nessas pistas, que foi algo novo para minha carreira. Ficou o aprendizado e acho que nesse segundo ano é colocar tudo junto, ter um pouco de paciência e fazer as coisas na hora certa”, comentou
“As corridas nos ovais não tem nada a ver com as provas nos circuitos mistos. É um mundo totalmente diferente. Tive de aprender tudo do zero. Eu gostei muito. Consegui ser rápido desde os primeiros treinos, mas faltou paciência. Nas primeiras duas corridas, quis ir logo pra frente para mostrar que podia ser bom em tudo logo de cara e me envolvi em acidente. A gente estava rápido, não foi uma questão de velocidade ou confiança, mas acho eu subestimei um pouquinho os ovais, até por ter virado rápido logo de cara”, continuou Collet.

Com a experiência de uma temporada na Indy NXT e continuando na mesma equipe, Collet destacou o aprendizado na dinâmica da corrida, que é muito mais física do que nos tempos de Fórmula 3. O brasileiro explicou que é uma mistura entre um carro mais pesado e pneus mais resistentes, que permitem os pilotos de acelerarem mais, sem a necessidade de preservar os compostos.
“A Indy NXT tem uma corrida muito mais física. O carro é um pouco mais pesado que o Fórmula 3, mas os pneus são bem diferentes — e isso influencia a parte física também. Os compostos duram mais aqui, então você tem três ou quatro voltas para encontrar o tempo na classificação e faz a corrida inteira em 98%, 99%. Demanda mais por sempre precisar andar no limite. Precisa acelerar todas as voltas”, revelou Collet.
“Estou bem adaptado. Quando fiz meu primeiro teste, em 2023, sofri bastante no final do dia. Comecei a me preparar mais a partir dali para ganhar mais musculatura e aguentar as corridas. Do meio para o final do último ano, eu já estava muito bem fisicamente. É o trabalho que sigo fazendo desde então, que é a base para a temporada 2025”, continuou.
Collet explicou que a experiência adquirida em pista é muito mais valiosa dentro da cultura do automobilismo norte-americano. Mesmo com a limitação dos testes — a categoria testou somente em Sebring e Laguna Seca neste ano —, as equipes e categorias não possuem uma rotina de simulador. No caso da HMD, time do representante do #23, eles não possuem um aparelho em sua sede, por exemplo. Isso significa que um piloto novato, como parte dos pilotos destacados acima pelo próprio Collet, vão precisar rebolar um pouco mais.

Por essas e outras, Collet conseguiu trabalhar durante os testes de pré-temporada em questões que vão além do que foi apresentado durante 2024, sem a necessidade de passar por algum período de adaptação. A tentativa foi buscar mais desempenho.
“Os testes são bem limitados, mas o simulador não é algo que ainda está enraizado na cultura dos Estados Unidos. A HMD, por exemplo, não tem simulador. Não existe uma programação como é na Europa, de fazer dois ou três dias nessa área. Aqui é um pouco mais raiz, digamos assim. Mas temos toda uma preparação antes da temporada. É necessário se preparar e saber tudo o que tem de fazer na pista, como serão os testes e assim por diante”, destacou Collet.
“Durante os testes, a gente sempre procura algo novo, algo diferente para melhorar os tempos. A gente tem o básico, sabe o que fazer para colocar na pista o que fizemos ano passado, mas precisamos buscar algo mais. Por exemplo, em Laguna Seca [rodada dupla de 2024], brigamos pela vitória, mas não ganhamos a corrida. Ainda falta alguma coisa. É tentar achar aquele 0s1. Parece pouco, mas é quase impossível encontrar”, completou.
Collet faz parte da equipe mais numerosa do grid, a HMD, que tem nove representantes — Nolan Allaer, Bryce Aron, Hailie Deegan, Sophia Flörsch, Nikita Johnson, Josh Pierson, Liam Sceats, Tommy Smith e o próprio brasileiro —, mas isso não significa ser uma vantagem por conta das informações obtidas para se encontrar os acertos. O #23 alegou que é necessário um filtro, pois muitos dados também podem atrapalhar.

No entanto, Collet sabe que seu papel mudou dentro da equipe. Tendo sido o melhor piloto da HMD em 2024, o papel dele vai ser liderar o time na temporada deste ano da Indy NXT — e ele admitiu gostar dessa situação.
“Sempre é importante filtrar as informações. São vários pilotos aqui, com muitos feedbacks. Meu engenheiro e eu analisamos tudo de forma muito racional e objetiva para não perder tempo. Muita informação pode atrapalhar. Acho que não daria tempo de analisar tudo isso com calma”, disse.
“Esse ano tenho um papel diferente na equipe, as pessoas olham para mim como um líder e um dos favoritos ao título. Vou precisar andar na frente e liderar o caminho de alguma maneira. Gosto de fazer isso, já estive nessa posição na Europa, e isso me motiva e me ajuda”, encerrou Collet.
A Indy e a Indy NXT já estão em contagem regressiva para o início da temporada 2025. Ambas começam no dia 2 de março com o GP de São Petersburgo, na Flórida.
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