Guia Indy 2015: Maduro e com mesmo tesão de 18 anos atrás, Castroneves reinicia luta pelo “danadinho” título inédito

Os cabelos não continuam os mesmos porque os fios brancos já são muitos. Mas Helio Castroneves garante a mesma disposição do menino que em 1998 começou a carreira na Indy para conquistar o almejado título. Ao GRANDE PRÊMIO, o brasileiro falou da maturidade conquistada sem apelar para o revanchismo, da novidade dos kits aerodinâmicos e da decepção de não correr em Brasília

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;

Relacionadas

HELIO CASTRONEVES é um dos grandes nomes da Indy. Partindo para a sua 18ª temporada completa, mais uma vez defendendo a Penske, o paulista vai em busca de seu primeiro título após quatro vice-campeonatos, incluindo os das temporadas 2013 e 2014. Dono de 29 vitórias na Indy, Castroneves teve uma grande primeira metade de campeonato em 2014 e uma acentuada queda na parte final – especialmente nas cinco últimas provas. Mesmo assim, o brasileiro brigou pelo título até a corrida decisiva em Fontana e por pouco não ficou com o caneco que foi para as mãos do companheiro Will Power.

 
Às vésperas do início da temporada 2015 em São Petersburgo, o brasileiro conversou com o GRANDE PRÊMIO e contou suas expectativas para o campeonato, mostrando muita confiança ao falar da briga pelo título. “Esse danadinho não me escapa esse ano”, brincou Helio.
 
Após o ótimo final de campeonato da Ganassi em 2014, Castroneves sabe que o time de Chip Ganassi deve ser o grande rival da Penske, mas não descarta ninguém na briga por vitórias e até por título.
 
Animado com a chegada de Simon Pagenaud e do quarto carro para a Penske, Castroneves negou qualquer tipo de pressão pela forte concorrência dentro do próprio time. “A palavra certa é motivação”, explicou.
 
O brasileiro falou também do cancelamento da prova em Brasília, dos novos kits aerodinâmicos e até comentou as diferenças do Castroneves de 1998 – quando deixou a Lights – para o Castroneves de 2015, mais velho, “com cabelos brancos, mas com o mesmo tesão de antes”, segundo ele.
Helio Castroneves vai ficar mais um dia no Texas (Foto: Chris Owens / Indy)
GRANDE PRÊMIO: Quais são as suas expectativas para a temporada?
 
Helio Castroneves: São as melhores possíveis porque estamos vindo de temporadas muito competitivas e estamos sempre evoluindo. Só que está na hora de parar de bater na trave e vou com tudo atrás desse título.
 
O quarto carro pode aumentar a vantagem da Penske em relação ao resto do grid?
 
A gente ganha em escala, principalmente, nos testes. São quatro carros na pista, cada um testando uma coisa. Como na Penske ninguém esconde o jogo, o resultado de tudo isso vai para todos os pilotos e engenheiros, o que permite reações muito mais rápidas, além de elevar o nível de competitividade. Acho que todo mundo ganha com a vinda do Simon. Ele é muito rápido, técnico, tem muita experiência e tenho certeza que foi uma decisão acertada a sua contratação.
 
A Ganassi teve uma grande segunda metade de 2014. É a principal rival?
 
A Ganassi é sempre uma rival de peso. Mas a gente não pode deixar de lado a Andretti, a KV, o time da Sarah Fisher com o Ed Carpenter (CFH), a RLL, a Schmidt e por aí vai. Tem muita gente boa em condições de vencer corridas e lutar pelo título.

A Chevrolet começou bem nos testes coletivos. Acredita em uma evolução da Honda durante o ano?
 
Realmente, o kit desenvolvido pela Chevrolet é muito bom. O carro ganha em performance e equilíbrio, além de ampliar o leque de itens para os engenheiros trabalharem no acerto do carro. Mas a gente só vai ter uma real avaliação em situação de corrida. Mas a Honda vem com tudo, não tenha dúvida.
 
Foram positivas as primeiras impressões que teve com os novos kits?
 
Muito positivas. E digo mais, até agora vocês só viram o kit de misto e oval curto, mas eu já tive a oportunidade de testar o kit para super ovais e vou te contar uma coisa: o bicho vai pegar.
Helio Castroneves durante os testes coletivos da Indy em Barber (Foto: IndyCar)
Ter como companheiros de equipe pilotos do calibre de Will Power, Simon Pagenaud e Juan Pablo Montoya aumenta a pressão?
 
Acredita que não? A vantagem de ter esses pilotos no nosso time só aumenta a competitividade, eleva o nível das trocas de informações e, claro, é mais gente na pista para tentar lhe roubar a vitória. Mas a vantagem é que sei exatamente o equipamento que eles têm. Então, esse quarto não poderia ser melhor para a equipe e para o campeonato. A palavra certa é motivação, não pressão.
 
Quanto o cancelamento da prova em Brasília te surpreendeu e decepcionou?
 
Decepcionou muito! A coisa foi tão repentina que, para você ter uma ideia, eu estava em Indianápolis participando de um Media Day, com todos os pilotos da categoria reunidos, e eu só fiquei sabendo depois que recebi um telefonema do Brasil. Foi uma surpresa terrível e uma decepção enorme. Você não calcula o prejuízo em cascata que isso gerou. Mas eu fiquei triste, mesmo, foi pelos fãs. Sei de gente que fez um sacrifício enorme para comprar passagem e arranjar hospedagem, tudo para ver a gente de perto. Foi um pecado, uma judiação o que fizeram.
 
Se tivesse de apostar em alguém para incomodar os pilotos de Penske e Ganassi, quem seria?
 
Ter uma equipe como a Dale Coyne, que é modesta, se comparada com a Penske e a Ganassi, ganhando corrida, mostra que a quantidade de gente que tem para incomodar é muito grande. Mas eu acredito que a Andretti é a primeira equipe dessa fila.
 
Espera que a temporada 2015 seja uma espécie de revanche? O que pretende fazer de diferente para conseguir o título?
 
Revanche é uma palavra que não está no meu dicionário. Eu sempre penso para a frente e de forma positiva. Para ser muito honesto, não vou fazer nada de diferente. Vou continuar, como sempre fiz, dando o meu melhor. Eu sou um cara que me dedico 100% naquilo que eu faço e vou continuar assim. Nos últimos dois anos, eu bati na trave — e claro que agora quero fazer o gol — , mas o negócio é trabalhar com a cabeça e o coração tranquilos, lutando como sempre e tendo sabedoria para driblar as circunstâncias de corrida que. às vezes. não estão a nosso favor. Quer dizer, o Castroneves de 2015 será o mesmo de 2014 e 2013 em termos de dedicação, garra e vontade de vencer.
 
Por fim, se você fosse listar as principais mudanças do Helio de 1998 para o de hoje, quais seriam?
 
Cabelo branco serve? Agora, falando sério: o de 1998 era um garoto iniciando cheio de sonhos a fase mais importante da sua carreira. Depois de tanto tempo, eu continuo com muito tesão pelo que faço e ainda tenho muitos sonhos e objetivos. A diferença é que o Castroneves de hoje não é mais um garotão, mas um feliz pai de família, um esportista amadurecido, um homem que conseguiu se manter de pé, apesar de umas boas pancadas da vida. Então, eu acho que o amadurecimento me tornou uma pessoa melhor, mas o coração continua batendo forte e apaixonado pelo automobilismo, tanto quanto em 1998 e tanto quanto 1987, quando comecei no kart. Essa é a verdade. Isso faz de mim um cara abençoado. Eu sonhei um dia viver de um esporte difícil. Passados tantos anos, vejo que esse sonho se tornou realidade e, Graças a Deus, tenho a felicidade de continuar até hoje fazendo o que gosto e — o que é melhor —, em condições de lutar pelo título. Se depender de mim, essa danadinho não me escapa esse ano.

índice

Em ano de aero-kits, mudanças no livro de regras são pontuais, mas podem ser decisivas
Entrosado e menos estressado na Ganassi, quarentão Kanaan promete "ir para cima" atrás do bi
Contraponto: o que os jornalistas pensam da Indy 2015 em poucas palavras

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Indy direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!