Insatisfação e brigas internas mexem no mercado da Indy. Como a categoria se desenha para 2018?

Penske é favorita ao título, mas Josef Newgarden e Simon Pagenaud viraram "inimigos". O que fará Helio Castroneves se não conquistar o título? Ganassi vê insatisfação interna e Dixon lutando pelo campeonato sem ajuda dos companheiros. Movimentação também é intensa nas equipes menores. Como o grid estará na próxima temporada?

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Faltando apenas duas corridas para o final da temporada 2017, a Indy deveria estar focada na ótima briga pelo título que se desenha já há algumas etapas. Josef Newgarden é o favorito e vem de três vitórias nas últimas quatro provas. Scott Dixon persegue o rival da Penske e mantém a Ganassi viva na disputa sozinho. Os companheiros de Newgarden vêm logo atrás, sonhando: Helio Castroneves e Simon Pagenaud se permitem acreditar (Will Power, com o abandono em Gateway, deixou a briga). Mas os quatro nomes já citados não podem focar apenas nessa disputa – todos são personagens centrais da intensa movimentação do mercado da categoria para a temporada 2018.

É importante começar a falar do mercado pelas equipes que brigam pelo título, pois é de se imaginar que, se até nelas a movimentação é intensa e cheia de dúvidas, na parte de trás do grid só aumentam as discussões, as hipóteses e os boatos.

É possível que tanto Penske como Ganassi "implodam". Não, elas não sairão do grid da Indy. Mas seus desenhos de time ainda não estão claros. Cheios de contornos e possibilidades, mas não fechados.

Simon Pagenaud e Josef Newgarden (Foto: IndyCar)

Por exemplo, na que tem mais chances de título, o clima esquentou no última final de semana. Quando Newgarden deu um "chega pra lá" em Pagenaud para ultrapassá-lo e conquistar a vitória no oval de Gateway, ganhou a prova, sim, mas também a inimizade do francês. Pagenaud deixou claro que não mais respeita seu companheiro: "Ele não tem respeito por mim e teve sorte que era eu, senão iriam os dois para o muro". 

Newgarden pediu desculpas? Pelo contrário: "Simon me deu espaço. Claro que não queria tocá-lo de forma tão forte, mas creio que se tivesse ido mais para a esquerda perderia o controle e tiraria ambos da prova. Ele não bateu no muro, então para mim funcionou bem para os dois a ultrapassagem."

Essa guerra foi declarada. Newgarden deve ser o campeão, mas agora dificilmente terá jogo de equipe para ajudá-lo. Pagenaud ficará na Penske se alguém que diminuiu suas chances com um toque proposital for o vencedor da temporada? Mas pode não ser uma guerra de apenas uma batalha. Scott Power foi o pole em Gateway, mas levou um fechada de Newgarden já na largada, antes de rodar. Outro "climão" que pode destruir o que a Penske construiu de domínio.

E Helio Castroneves parece à margem disso. Só parece. Ele pode não brigar com seus companheiros, mas não está satisfeito com a postura da Penske. Afinal, não sabe se permanecerá na Indy ou se será enviado para a SportsCar. E isso com duas corridas pela frente para tentar o título que persegue há muitos anos. A Penske já  tem substituto para o brasileiro?

Helio Castroneves (Foto: IndyCar)

Se na Penske o clima parece ser de "bagunça", não é nada perto – ou nada tão declaradamente aberto – como na Ganassi. A prova em Gateway expôs isso de vez. Tony Kanaan abandonou a prova por ordem direta da equipe e mandou os jornalistas perguntarem diretamente à Chip Ganassi o motivo. Já Max Chilton não poupou palavras: "Gostaria de saber quem deu essa ordem (de parar nos boxes), porque está com problemas no cérebro. É a primeira vez no ano que temos um carro bom. Por que não aprendemos com isso?".

O primeiro ponto na Ganassi é que a equipe de Scott Dixon deve diminuir seus carros para dois ou três no grid. Dixon, que briga pelo título, é o único que certamente correrá pela equipe na próxima temporada. Já os outros estão cada um em uma situação – e sem vontade de colaborar na briga do companheiro pela conquista.

Kanaan está fora. O GRANDE PRÊMIO confirma que ele vai mudar de ares e que as negociações mais avançadas são com a Schmidt Peterson. Outra possibilidade é ser o comandante da Harding, que deve participar de toda a nova temporada. Outra ideia era a volta para a Andretti, que estava complicada em razão da chance da equipe fechar com a Chevrolet – chance esta refutada com a confirmação da manutenção da Honda como fornecedora de motores. Mas, para Kanaan conseguir espaço na equipe, depende do caminho tomado por Alexander Rossi, que também é favorito à vaga na SPM.

Kimball vê o fim de seu contrato ao final da temporada e, além disso, deve ter menos investimento da parceira Novo Nordisk – até um terço do que hoje é investido. O caminho pode ser a Carlin. Que também é o destino, aparentemente, de Chilton.  A Carlin busca colocar dois carros na pista na próxima temporada com chances de brigar na parte de cima. A união com Chilton é especulada desde o começo do ano e pode se materializar.

Max Chilton (Foto: IndyCar)

Para correr ao lado de Dixon, então, a Ganassi pode ter que "apelar" para jovens pilotos. O objetivo é, ao menos, colocar alguém na pista que possa ajudar seu principal piloto a brigar pelo título "menos sozinho" do que em 2017.

Na Andretti, a renovação com a Honda deve manter Rossi, que sairia em caso de acerto com a Chevrolet, e Ryan Hunter-Reay. Mas Takuma Sato é perda certa para a equipe. Ele acertou contrato com a Rahal, pela qual já havia corrido em 2012.

Ou, ao menos, é o que diz o próprio Michael Andretti, dono da equipe: "Não entendo os motivos. Eles não me deram a chance de mostrar como poderia mantê-lo na equipe", disse. A situação começou quando a Andretti passou a negociar com a Chevrolet e nem a manutenção da Honda mudou a cabeça do piloto japonês e seus empresários.

Takuma Sato (Foto: IndyCar)

Por fim, a busca da Indy por acertar a ida para o autódromo mexicano de Hermanos Rodríguez deve forçar a permanência de Esteban Gutiérrez na categoria. O piloto, que substituiu Sébastian Bourdais na Dale Coyne após lesão do francês, é mais um que deve aproveitar os espaços abertos para carimbar uma vaga.

Até o final do campeonato, daqui duas semanas em Sonoma, para o início do ano que vem, há muito o que se especular na categoria. O desenho, por enquanto, é confuso, mas muito interessante.

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