Justin Wilson, 1978-2015

Aos 37 anos, Justin Wilson morreu vítima de um grave e bizarro acidente sofrido durante as 500 Milhas de Pocono em 23 de agosto. O piloto inglês, há muito tempo na Indy e com passagem na F1, na World Series, na F-E, além de título da F3000 e vitória nas 24 Horas de Daytona, fazia suas primeiras corridas como piloto da Andretti — e a última prova que fez terminou com um pódio: o segundo lugar em Mid-Ohio

Justin Wilson nasceu em 31 de julho de 1978, na cidade histórica de Sheffield, na Inglaterra. Foi na mesma região, em South Yorkshire, que cresceu e começou a andar de kart, ainda aos nove anos de idade, em 1987. Por lá, ganhou seus títulos locais, entre 1989 e 1994, quando passou, como seria de se esperar, para os carros.
 
Entre 1995 e 1998, Wilson participou da F-Vauxhall. Mas foi exatamente em 1998, só que em outra categoria, que fez olhos saltarem de vez. Na oportunidade, ele venceu a temporada inaugural da F-Palmer Audi.
 
Em 1999, aos 20 anos de idade, Wilson chegou à F3000. Marcou apenas dois pontos na temporada inicial, vencida por Nick Heidfeld, e aumentou para 15 tentos em 2000, temporada conquistada por Bruno Junqueira. 
 
Só que em 2001, ele dominou. Venceu três das 12 corridas, fez seis segundos lugares e um terceiro. Foram dez pódios de 12 possíveis. Justin terminou a temporada com 71 pontos. Na segunda colocação, com 39 tentos, ficou Mark Webber. Também com 39, mas atrás pelos critérios de desempate, Tomas Enge, depois vencedor das 24 Horas de Le Mans. Além de Webber e Wilson, Antônio Pizzonia, Sébastien Bourdais e Stéphane Sarrazin foram outros que seguiram de lá para a F1.
 
Havia o interesse da Minardi para que ele se tornasse, então, piloto da equipe para o Mundial de F1 em 2002. Mas seus 1,93m de altura se mostraram um problema. Wilson ficou como piloto de testes e foi encontrar outras coisas para fazer enquanto isso. Correu as 12 Horas de Sebring na categoria LMP1 ao lado de Christian Vann e Ben Collins, terminando no sexto posto. Disputou a temporada da World Series, sendo quarto colocado geral apesar de não participar de três corridas.
 
Mas em 2003, a Minardi tratou de ajustar seu cockpit para ter Wilson. Isso após a equipe de gerência da carreira do piloto desenvolver um plano ousado de investimento para levantar o cerca de £1,2 milhão, então cerca de R$ 6,5 milhões, necessário. Quem queria investir em Wilson podia comprar ações públicas do piloto.
Justin Wilson (Fotos: Indycar / Arte: Rodrigo Berton)
Deu certo, e lá ele estava no ano seguinte. O carro era péssimo. Ao lado dele, Jos Verstappen, já veterano. Das quatro corridas entre as primeiras 11 em que os dois chegaram ao final, Justin chegou na frente em três. Por isso, ao sacar Pizzonia após o GP da Inglaterra, foi ele que a Jaguar chamou para substituir.
 
As três primeiras provas de Wilson na Jaguar foram terminadas em problemas de câmbio, na Alemanha e na Itália, e de motor, na Hungria. O inglês conseguiu alcançar um oitavo lugar nos Estados Unidos — seu primeiro e único ponto na F1, além de mais que Pizzonia havia feito nas 11 primeiras provas.
 
No entanto, foi o final da história de Wilson na F1. A Ford, dona da Jaguar, anunciou que não queria ter altos custos na categoria, por isso iria daria lugar a um piloto pagante para 2004. Este foi Christian Klien, austríaco e patrocinado pela Red Bull. Em 2005, a Jaguar viraria a Red Bull Racing.
 
Então, em 2004, ele foi aos Estados Unidos e também correu em Le Mans. Na prova de Endurance mais famosa do mundo, e com carros LMP1 ao lado de Tom Coronel e Ralph Firman, não completou a corrida, mas fez a quinta volta mais rápida.
 
Na Champ Car, encontrou um gigante com o qual já tinha lidado na F3000: Bourdais. O francês ganhou as quatro temporadas, entre 2004 e 2008, em que Wilson esteve – até o fim da categoria. De começo, foi o 11º. Já em 2005, ficou na terceira posição geral, vencendo a primeira na Champ Car na prova de Montreal. Foi segundo em 2006 e 2007, chegando a apertar Bourdais, mas sem conseguir superá-lo.
 
Com o fim da Champ Car, Wilson foi à Indy em 2008, pela Newman/Haas/Lanigan, que o bateu ano após ano quando abrigava Bourdais. Logo no primeiro ano, a primeira vitória: Detroit. Ele foi à Dale Coyne para o ano seguinte e mudou para a Dreyer & Reinbold para 2010 e 2011.
Justin Wilson (Foto: Chris Jones/IndyCar)
Wilson voltou para a Dale Coyne para mais três anos, 2012, 2013 e 2014. Em 2013, fez sua melhor temporada, marcando 472 pontos e ficando com o sexto lugar na classificação geral. 
 
Enquanto era regular na Indy, Justin fez também outras coisas. Ainda na época da Champ Car, em 2006, experimentou as 24 Horas de Daytona. Repetiu a dose em 2008, ficando com o quinto lugar ao andar ao lado do brasileiro Oswaldo Negri, Mark Patterson e de Graham Rahal. Mas voltou em 2012, de novo com Negri e agora com AJ Allmendinger e John Pew para vencer a tradicional prova. Em 2013, tentou de novo. Andou, também, em duas provas do V8 Supercar, da Austrália, em 2012. 
 
Sem lugar fixo na Indy para a temporada 2015, Wilson ficou de fora. Até a Andretti chamá-lo para guiar um carro extra nas duas corridas de Indianápolis. No GP, 24º; nas 500 Milhas, 21º. Mas era apenas isso. E enquanto nada melhor aparecia, a mesma equipe americana o convidou para substituir Scott Speed na corrida da F-E em Moscou. Ele estreou sendo décimo, mas então a Andretti resolveu deixar o carro #25 na pista em tempo integral na Indy a partir de Milwaukee. Foram quatro corridas desde então. Esta na capital de Wisconsin, uma Iowa, o segundo lugar em Mid-Ohio e a fatal, em Pocono.
 
Além de tudo isso, Wilson ainda faturou por duas vezes o Greg Moore Legacy Award, criado em homenagem ao piloto Greg Moore, morto num acidente da Cart em 1999. O prêmio era dado anualmente — na época da Cart — àquele piloto que melhor representasse o legado de Moore de talento na pista, assim como uma personalidade dinâmica e amistosa com fãs, imprensa e a comunidade da categoria. Wilson venceu em 2006 e 2007.
 
Na Indy, categoria onde passou mais tempo na carreira, Wilson conseguiu três vitórias, 12 pódios, uma pole-position e 2491 pontos em 119 corridas.
 
Justin também tinha um irmão piloto, Stefan Wilson, de 25 anos. Na única prova de Stefan na Indy, ambos foram companheiros de Dale Coyne: foi em Baltimore, 2013.
 
Wilson deixa esposa, Julia, e duas filhas, Jane e Jessica, de sete e cinco anos de idade, respectivamente.

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