Kanaan acerta com Foyt apenas para ovais e anuncia 2020 como último ano na Indy

Tony Kanaan vai fazer sua última temporada na Indy! Aos 45 anos de idade, o campeão de 2004 oficializou o acordo com a Foyt para um terceiro ano na equipe norte-americana, mas valendo somente para as cinco etapas em circuitos ovais. Tony, no entanto, não fecha as portas para um eventual retorno às 500 Milhas de Indianápolis no futuro

A temporada 2020 da Indy vai encerrar uma história que começou há 22 anos, em 1998: Tony Kanaan vai fazer o ano de despedida dele da categoria. O campeão de 2004 anunciou, na tarde desta quinta-feira (30), que voltará ao cockpit da Foyt, mas apenas por cinco corridas. Não é a despedida ideal, mas, neste momento, é a possível para o piloto de 45 anos e dono de currículo invejável: 17 vitórias (sendo a mais importante a lograda na Indy 500 de 2013), 15 poles e 377 corridas disputadas — número de largadas inferior somente ao alcançado por Mario Andretti na Indy.
 
As cinco etapas de Kanaan em 2020 serão exatamente as cinco provas em pistas ovais: Indy 500, Texas, Richmond, Iowa e Gateway. A última, em 22 de agosto, no Illinois, marca a despedida do piloto de 45 anos. 

Ao falar sobre um ciclo que está prestes a terminar, Kanaan agradeceu por todo o tempo em que fez parte de uma das principais categorias do esporte a motor. “Quando paro para pensar em todos estes anos que estive na Indy, a primeira coisa que vem em minha mente é como sou uma pessoa de sorte por ter ficado tantos anos na categoria máxima do automobilismo americano. Entrei nesse esporte com 23 anos, cheio de sonhos e vontade de vencer. Posso dizer, sem a menor dúvida, que conquistei todos os meus objetivos”, disse o piloto.

Além de Kanaan, a Foyt terá Charlie Kimball no carro #4 por todo ano — substituto de Matheus Leist -, enquanto Kanaan irá dividir o #14 com Sébastien Bourdais, que guiará em quatro etapas, e o novato Dalton Kellett, veterano de Indy Lights, fará as oito provas restantes.

 
Tony está desde 2018 na Foyt, onde descolou um pódio em Gateway na temporada passada, ainda que com um carro bastante problemático, tido por quase todos no paddock como o pior do grid. 

Kanaan também falou sobre um dos momentos cruciais e dos mais difíceis para um atleta de alto nível e vitorioso: o fim de um ciclo. “Tenho 45 anos, tenho fãs ao redor do mundo, vitórias, pódios, recordes, um campeonato e uma vitória nas 500 Milhas. Sei e sinto que posso continuar fazendo isso por muitos anos, mas como tudo na vida, no automobilismo também temos um ciclo. Por muito tempo tenho sido perguntado quando que iria me aposentar, e minha resposta sempre foi a mesma: o dia que eu acordar e sentir que não sou mais competitivo, esse será o dia que vou me aposentar”, comentou.

Tony Kanaan fez história na Indy com trajetória vitoriosa (Foto: IndyCar)
Até por isso que Kanaan ficou insatisfeito com os rumos da negociação com a Foyt. Conforme o GRANDE PRÊMIO divulgou no GP às 10 desta manhã, Kanaan se sentiu traído pela equipe de AJ durante as conversas. Segundo apurou o GP, a Foyt dissera a Tony, em dezembro, que não tinha dinheiro para fazer toda a temporada, mas já havia garantido quatro provas para Bourdais por debaixo dos panos. Kanaan fechou assim mesmo, mas incomodado.

Contudo, Kanaan deixa claro que o fim de um grande ciclo na Indy não significa sua aposentadoria das pistas. “Infelizmente existem outros fatores que devemos levar em consideração quando estamos planejando o futuro, e, provavelmente, o fator mais importante é que opções estão disponíveis. Para 2020, minha melhor opção era correr as cinco corridas ovais do calendário da Indy, esporte que me deu tudo que tenho e que sempre fará parte da minha vida. Não estou me aposentando das pistas, isso é fato. Mas decidi que este ano eu iria ‘tirar o pé’ um pouco e curtir estas cinco corridas, ter mais tempo para minha família, meus fãs e também para os patrocinadores que sempre me apoiaram”.

Tony Kanaan alcançou o Olimpo com a vitória na Indy500 de 2013 com a KV (Foto: IndyCar)
Tony chegou primeiro à Cart (categoria que surgiu da cisão com a IRL, promovida em 1996), em 1998, um ano após o título da Indy Lights. Defendeu a Tasman, a Forsythe, a Mo Nunn e, já na fase Indy, viveu o grande momento na Andretti Green antes de passar por KV, Ganassi e Foyt.
 
Quando foi campeão, em 2004, Kanaan viveu uma temporada que pode seguramente ser chamada de histórica. Completou todas as 3.305 voltas da temporada, algo que jamais havia sido feito antes na história moderna da Indy. Além disso, teve um oitavo lugar, na abertura da temporada, em Homestead, como o pior resultado. Das outras 15 provas daquele ano, venceu três, foi segundo colocado em seis, terceiro colocado em duas, ficou na quarta posição uma vez e na quinta outras três vezes.

Quanto ao que está por vir depois de 2020, Tony prefere esperar. “Para o futuro, quem sabe? Adoraria continuar envolvido com a Indy de alguma forma. Tenho propostas para correr em várias categorias diferentes, mas isto não é a minha prioridade no momento”, concluiu.

 
A temporada da Indy começa no fim de semana do dia 15 de março, em São Petersburgo. Sem a presença de Tony Kanaan no grid.

 

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