Ericsson tem Indy 500 crucial para afastar sombra Hauger e manter status na Andretti
Marcus Ericsson preferiu deixar a Ganassi e o título de piloto-pagante para receber um bom salário na Andretti. Com poucos resultados até aqui, tem Indy 500 chave para continuar na equipe
Com a chegada do mês de maio, a Indy vai ao momento mais importante do ano — mais até do que a semana da decisão do título. O brilho do troféu das 500 Milhas de Indianápolis reluz mais do que a taça de campeão da categoria. Um evento grandioso, que transborda — e muito — as barreiras da Indy e que ganha olhares de todo o mundo, pode definir o futuro de muita gente no certame. Seja para o bem, seja para o mal — como é o caso de Marcus Ericsson.
Ericsson é um dos pilotos que chegam à Indianápolis precisando dar uma resposta dentro da Indy, principalmente à Andretti. Desde 2019 na categoria, teve uma boa passagem pela Ganassi entre 2020 e 2023, que culminou na vitória na Indy 500 de 2022, além de ter ficado no quase em 2023. Fora o brilho na principal prova da categoria, o sueco esteve entre os postulantes ao título em algumas dessas situações.
Não foi brilhante como Álex Palou, nem tão eficiente como Scott Dixon, mas mostrou que entende do jogo da Indy, a ponto de bater o pé com Chip Ganassi e rejeitar seguir na equipe com a necessidade de levar patrocínio. Exigiu salário — e dos altos. Em 2024, rumou para a Andretti para receber um ordenado estipulado em US$ 3 milhões (R$ 17,22 milhões) anuais. Algo digno de um vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, próximo do que recebe Dixon e um pouco abaixo de Palou, por exemplo.
No entanto, a passagem de Ericsson está longe de ser um sucesso. Em 21 corridas pela Andretti, foi ao pódio apenas uma vez, com o segundo lugar no conturbado GP de Detroit do ano passado. Fora isso, outros três top-5. No mesmo período, viu seus companheiros, Colton Herta e Kyle Kirkwood, fazerem poles e vencerem provas, ao mesmo tempo que seu contrato vai caminhando para o fim — termina com a temporada 2025.

O próprio Ericsson admitiu que deixou a desejar em 2024 e declarou no início deste ano que aumentaria ainda mais a preparação para 2025. Entendeu que a primeira temporada na Andretti, naturalmente, era um período de adaptação, mas que não poderia continuar abaixo do esperado. Mas, até aqui, não atuou para justificar o alto investimento por parte da equipe de Dan Towriss. Foi sexto em St. Pete e não conseguiu fechar entre os dez em nenhuma outra corrida — 21º no Thermal, 12º em Long Beach e 20º no Alabama, distante de seus companheiros de equipe.
Apesar do status especial de vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Ericsson tem feito pouco pela Andretti e uma sombra interna começa a surgir. Dennis Hauger, piloto da equipe na Indy NXT, dominou as duas primeiras provas da temporada e tem agradado ao paddock da Indy. O time já sabe que o norueguês tem recebido sondagens de outros concorrentes para uma vaga em 2026.
Além de Hauger, outros pilotos rondam a Andretti — e as 500 Milhas de Indianápolis proporcionam algumas ocasiões para isso. Em 2024, pudemos ver muitos competidores visitando o Indianapolis Motor Speedway em busca de relacionamentos com os times. O próprio Felipe Drugovich foi até lá com o pretexto de testar no simulador da Dallara para se preparar às 24H de Le Mans e também visitou a Ganassi, com o argumento de moldar o banco para a prova. Em geral, sabem que até a vaga de Herta pode ficar em aberto, caso o norte-americano migre para a F1.
É notório dentro da Indy o quanto um piloto vencedor da Indy 500 recebe um status especial. Alexander Rossi estendeu alguns vínculos dentro da Andretti e conquistou um bom contrato com a McLaren em cima da vitória que alcançou em 2016. Mas o norte-americano não conseguiu resultados expressivo no time, agora, comandado por Tony Kanaan e teve de recorrer à Carpenter, com um salário muito menor, para continuar na categoria em 2925.

Como todo piloto que chega a uma categoria, Hauger seria uma aposta da Andretti. Isso é fato. No entanto, os resultados atuais de Ericsson são pífios perto da expectativa de sua contratação, feita a peso de ouro dentro da Indy. No mínimo, estima-se que o atual piloto da Indy NXT possa manter o nível em 2026, com um salário menor e, possivelmente, carregando um patrocinador.
Se Herta for para a Cadillac na F1 em 2026, a sombra Hauger pode diminuir um pouco para Ericsson, caso o norte-americano opte em deixar a Indy. Mas o tempo urge para o sueco, que precisa de uma resposta o quanto antes para não ver seu prestígio minguar dentro da Andretti, o que pode resultar na demissão ou no retorno ao seu status anterior, de piloto pagante dentro da categoria.
A Indy neste fim de semana, quando a categoria disputa no próximo dia 10 de maio, sábado, o GP de Indianápolis, no traçado misto, com cobertura completa de GRANDE PRÊMIO. A largada está agendada às 17h30 [de Brasília, GMT -3].
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