Indy

McLaren confirma acordo com SPM e volta ao grid da Indy na temporada 2020

Com Gil de Ferran como líder do projeto, a McLaren voltará à Indy na próxima temporada. Em acordo com a SPM, a equipe inglesa contará com dois carros e motores Chevrolet

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro / NATHALIA DE VIVO, de São Paulo
Após mais de um ano de interesse e buscas que se intensificaram após o papelão das 500 Milhas de Indianápolis do último mês de maio, a McLaren enfim está de volta ao grid da Indy. A confirmação surgiu na manhã desta sexta-feira por meio de comunicado oficial. A parceira da equipe inglesa na empreitada será a Schmidt Peterson
 
Por conta da relação conturbada desenvolvida com a Honda ao longo da parceria que as duas tiveram na Fórmula 1 entre 2015 e 2017, a McLaren irá para a temporada 2019 da Indy usando motores Chevrolet. A operação será de dois carros. A SPM utilizava motores Honda desde 2010. Gil de Ferran será o líder da McLaren no projeto.

Da parceria entre McLaren e SPM, entretanto, não nasce uma nova equipe. Será uma união de forças entre as duas e, desta forma, não aumenta o número de carros no grid. A McLaren terá os mesmos dois carros da SPM, atualmente ocupados por James Hinchcliffe e Marcus Ericsson.
McLaren corre temporada completa da Indy em 2020 (Foto: Reprodução)
"A parceria vai ter a infraestrutura da SPM com as operações da equipe, enquanto a McLaren adiciona expertise técnica, experiência comercial e força de marketing para permitir que a nova entidade performe no nível mais alto de competitividade e lute regularmente por vitórias e pelo título", confirmou a equipe por meio de nota oficial. 
 
"Os cofundadores da SPM Sam Schmidt e Ric Peterson continuam em seus papeis atuais. Gil de Ferran, diretor-esportivo da McLaren Racing, vai liderar o programa da McLaren na Indy e o envolvimento da Arrow McLaren Racing SPM. Gil vai liderar um grupo da McLaren independente da equipe da Fórmula 1", seguiu.

Diretor-executivo da McLaren, Zak Brown comemorou o novo acordo e o retorno às origens do time inglês com o retorno de fato ao automobilismo dos Estados Unidos.
 
“A Indy tem sido uma parte da McLaren desde nossos primeiros anos no automobilismo, e a categoria hoje fornece não apenas uma plataforma comercial para continuar o crescimento de nossa marca na América do Norte, mas competir com algumas das melhores equipes do automobilismo internacional. Essa equipe disponibiliza a energia certa como um sócio estratégico para nosso retorno para a categoria. Acreditamos que juntos podemos nos ajudar mutuamente a alcançar nossas ambições mútuas. Sam Schmidt e Ric Peterson construíram uma base sólida e esperamos trabalhar juntos para levar a equipe ao próximo nível", disse.
 
"Estou absolutamente satisfeito que vamos expandir nosso relacionamento com a Arrow Electronics na F1 e na Indy, enquanto renovamentos nossa longa afinidade com a Chevrolet como nossa parceira de motor. McLaren e Chevrolet tem uma história especial na América do Norte [conquistando cinco campeonatos consecutivos no Can-Am entre 1967 e 1971] e eles são parte de nosso retorno em tempo integral a categoria", seguiu.
 
"Vamos para a Indy em total respeito ao esporte, nossos competidores, os fãs e os desafios. Em essência, nós na McLaren somos ‘racers’ e onde há competição que nos testa, vamos correr. A Indy nos fornece tamanho desafio”, completou.


De Ferran, que como piloto venceu dois títulos da Indy e uma vez a Indy 500, também se manifestou e tratou a Indy como uma competição que faz parte da história do tradicional time europeu. O objetivo é lutar por títulos. 
 
“A Indy é um lugar natural para a McLaren, dado nosso legal e determinação de ter sucesso no mais alto nível do automobilismo internacional. Nossa ambição é constantemente competir por vitórias e campeonatos. Nós sabemos do desafio que está diante de nós, mas a McLaren está comprometida com a parceria e apoiando a equipe como um todo”, comentou.

Os fundadores da SPM, Sam Schmidt e Ric Peterson, também falaram sobre a nova fase da equipe que fundaram anos atrás.
 
"Estou extremamente orgulhoso da equipe que Ric e eu construímos e que uma equipe lendária como a McLaren tenha decidido ser parceira em nossa marcha ao topo da Indy. A Arrows [companheira técnica da SPM] é uma tremenda parceira que viu nosso crescimento desde 2015 e quis criar uma nova parceria. Tudo isso combinado com recursos técnicos e oportunidades comerciais tanto da McLaren quanto da Arrow trazem à mesa uma combinação vencedora", argumentou Schmidt.
 
"Estou realmente animado com o que podemos alcançar junto de nossa parceira de longo prazo, a Arrow, e agora com essa nova parceria com a McLaren, que nos torna uma força unida. Fico igualmente animado que Sam e eu possamos continuar nossa velha relação e manter nossa posição como donos da companhia. Mal posso esperar para ver o que o futuro guarda", complementou Peterson. 

É importante lembrar que a McLaren não é uma novata na Indy, mas a última vez em que teve uma equipe de fábrica operando a valer foi na temporada 1979 - naquela década contou ainda com outras equipes, como a Penske, utilizando o chassi forjado pela marca inglesa. Foram três vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis - Mark Donohue, em 1972, e Johnny Rutherford, em 1974 e 1976 - e dois títulos - Roger McCluskey, em 1973, e Tom Sneva, em 1977. Quando o time deixou o campeonato, ao fim de 1979, tinha 28 vitórias.
 
Recentemente, o interesse foi retomado. Inicialmente com o objetivo de deixar Fernando Alonso confortável, a McLaren criou uma parceria com a Andretti e seus motores Honda para a Indy 500 de 2017, quando Alonso, ainda a F1, deixou de correr o GP de Mônaco para participar. Alonso chegou a liderar a prova, mas uma quebra de motor a algumas voltas do fim encerrou as chances de vitória. Já em 2019, quando entrou para a Indy 500 numa mambembe parceria com a Carlin, a McLaren passou vexame: Alonso foi eliminado no Bump Day e sequer largou para a prova.


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