Montoya compara e diz que 2000 foi “fácil” diante da segunda vitória em Indianápolis: “Nesta trabalhamos muito”
Na sua primeira vitória em Indianápolis, em 2000, Juan Pablo Montoya era piloto da Ganassi e liderou 167 das 200 voltas da prova. 15 anos depois, o colombiano chegou a andar em 30º, ficou na frente por apenas nove giros e deu à Penske mais uma conquista no lendário Speedway
Juan Pablo Montoya foi o grande nome das 500 Milhas de Indianápolis, uma das maiores corridas do automobilismo mundial, disputada pela 99ª vez no último domingo (24). 15 anos depois de vencer a mítica corrida pela primeira vez, o colombiano, hoje com 39 anos, largou justamente da 15ª colocação, e sofreu um toque de Simona de Silvestro ainda no começo da prova, fato que o colocou momentaneamente em 30º lugar. Mas com uma pilotagem soberba e contando com o ótimo conjunto Dallara-Chevrolet da Penske, a maior equipe da Indy, Montoya reagiu, travou duelo épico com o atual campeão Will Power nas últimas voltas e teve novamente a chance de beber do leite da vitória no Speedway.
Das 200 voltas da corrida do último domingo, Juan Pablo liderou apenas nove. A título de comparação, Scott Dixon, o pole-position, comandou a prova durante 84 voltas, enquanto Simon Pagenaud, seu também parceiro de equipe na Penske, ponteou a disputa em 35, contra 30 do brasileiro Tony Kanaan, que largou para sua 300ª corrida na Indy no domingo, mas abandonou após bater.

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Os números da conquista de Montoya no último domingo são bem diferentes, por exemplo, da sua primeira vitória em Indianápolis. Em 2000, Juan Pablo ainda era um jovem de 24 anos que, na temporada anterior, havia sido contratado pela Ganassi para substituir Alessandro Zanardi e fora campeão da Cart (nos tempos em que a Indy era dividida entre Cart e IRL). No ano seguinte, a tradicional equipe levou dois carros para as 500 Milhas de Indianápolis, válida então pela IRL: Montoya e Jimmy Vasser.
Montoya, em grande fase, arrasou a concorrência. Contando com o conjunto formado pelo chassi G-Force e motor Oldsmobile, o colombiano levou o #9 vermelho e amarelo ao segundo lugar no grid de largada, formando a primeira fila com Greg Ray e o chileno Eliseo Salazar. O grid das 500 Milhas de Indianápolis de 2000 tinha alguns bons nomes, como Robby Gordon, Vasser, Eddie Cheever, Scott Goodyear, Sam Hornish Jr., Al Unser Jr. e os brasileiros Airton Daré e Raul Boesel. Mas o maior nome da corrida foi justamente Juan Pablo.
A prova daquele ano teve apenas quatro líderes, sendo que Montoya comandou com facilidade a prova ao liderar por 167 voltas, vencendo com vantagem enorme de 7s184 para cima do segundo colocado, Buddy Lazier. Por isso, em comparação com o sufoco com o qual obteve sua segunda vitória em Indianápolis, ele não tem dúvidas ao admitir: 2000 foi bem mais fácil que em 2015.
“2000 era o começo da minha carreira. Eu era muito jovem. Viemos para cá, tinha um carro muito bom, nós dominamos. Foi uma corrida fácil”, declarou o colombiano pouco depois de triunfar novamente em Indianápolis.
“Mas nesta trabalhamos muito. Quando você tem de trabalhar por isso, é empolgante”, vibrou o colombiano, que agora lidera a classificação da Indy em 2015 e soma 272 pontos, contra 247 de Power.

A chave para a vitória, segundo Montoya, foi estar entre os primeiros no fim da corrida. Nas últimas 50 voltas, Juan Pablo esteve sempre entre os cinco primeiros. E nos últimos 15 giros, o colombiano travou disputa intensa com Dixon e, por fim, com Power, para sair como grande vencedor da Indy 500. “Isso é o que você tem de fazer, seguir entre os primeiros na pista. O que importa são as últimas 15 voltas, isso é divertido”.
Montoya admitiu também que os kits aerodinâmicos projetados pela Chevrolet ajudaram de forma decisiva no desempenho ao longo da prova. Os novos aparatos adotados pela Indy em 2015 foram alvo de desconfiança depois de uma série de acidentes fortes durante os treinos em Indianápolis. “Os kits aerodinâmicos foram uma enorme vantagem. Tivemos uma boa corrida por causa dos kits aerodinâmicos”, afirmou. “A Indy está no rumo certo. Claro, você vai ter um monte de gente criticando, olhando pelo lado negativo da coisa. Mas, não, isso é muito legal”, complementou.
Por fim, o piloto da Penske lamentou o incidente no qual foi envolvido por Simona de Silvestro e procurou isentá-la de culpa, considerando que largar do meio do grid é muito mais complicado.
“É isso o que acontece quando você se classifica mal. Você se encontra no meio da multidão errada. A Simona não fez de propósito. Ela quer provar que é boa, ela é muito rápida. Mas quando você está correndo por um trabalho, então é muito mais difícil. Você tem de entender a dimensão de tudo isso”, concluiu.
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