Opinião GP: Power e Castroneves precisam aproveitar melhor oportunidades para colocarem fim ao jejum da Penske

Will Power e Helio Castroneves são líder e vice-líder do campeonato da Indy após dez etapas, mas poderiam estar em situação mais confortável na disputa se tivessem sido mais cautelosos na rodada dupla de Houston. Eles precisam aproveitar melhor as chances e mostrarem logo para as outras equipes que a batalha pelo título será interna na Penske

WILL POWER E HELIO CASTRONEVES são favoritos para lutar pelo título da Indy em 2014 — mas não são favoritaços. Até poderiam ser, mas, para isso, precisam aproveitar melhor as oportunidades que têm para disparar na tabela de pontuação e fazer da disputa pelo campeonato um duelo interno da equipe Penske, que tenta colocar fim a um jejum que dura desde 2006, antes mesmo da fusão entre IRL e ChampCar em 2008.

Os dois principais pilotos da Penske poderiam ter dado um salto em relação aos rivais de outras equipes no fim de semana que a Indy passou em Houston, mas não foram capazes. É bem verdade que pontos foram desperdiçados em meio à luta pela vitória, mas um tiquinho a mais de cautela cairia bem e tornaria a situação bem mais confortável.

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Extremamente bagunçada no que dizia respeito às estratégias, principalmente pelo começo debaixo de chuva, a corrida de sábado já não fora positiva para o #3 e o #12. Castroneves só conseguiu ficar no top-10 por causa das punições pós-corrida para Graham Rahal e Ryan Briscoe, descontando assim um pouco da diferença que existia entre ele e Power, que rodou e bateu no piso molhado.

Helio Castroneves toca o muro e acaba saindo o GP de Houston (Foto: Reprodução)

Na corrida de domingo, ambos acabaram penalizados pelo excesso de agressividade. Primeiro, Castroneves, que acabou atingindo o carro de Sébastien Bourdais ao abortar uma tentativa de ultrapassagem em Simon Pagenaud e tentar voltar para o traçado normal — o #11 já estava lá para tentar se aproveitar do duelo pela ponta da prova. Não foi uma barbeiragem, um erro absurdo, nada disso: foi uma desatenção, um deslize. Era um toque evitável. Helio não viu Sébastien ali.

Depois, Power, que poderia somar bons pontos com a quarta colocação, mas, compreensivelmente, queria tentar o pódio nas voltas finais. O problema é que acabou sem nada. Antes, já se enroscara com Justin Wilson e Marco Andretti.

A dupla capitaneada por Roger Penske possui estilos completamente distintos. O australiano é agressivo e conhecido por forçar a todo instante — às vezes, cometendo exageros. O brasileiro, como já disse outras vezes, faz o trabalho de “formiguinha”, coletando pontos aqui e ali, embora tenha se mostrado um pouco mais sedento depois da doída derrota para Ryan Hunter-Reay nas 500 Milhas de Indianápolis, no mês passado. E a experiência tem feito dele um piloto mais forte apesar de ele estar mais próximo do fim do que do começo da carreira.

Power e Castroneves deixam Houston ainda líderes, mas permitindo aproximações perigosas. Hunter-Reay pouco fez nas duas corridas, mal apareceu, porém está só dois pontos atrás de Helio. E Simon Pagenaud não só ganhou muitos pontos com a vitória na segunda bateria, mas também uma confiança que já lhe permite dizer que vai lutar até o fim pela taça.

Essas aproximações são ainda mais perigosas quando se leva em conta o histórico recente da Penske. Em todos os últimos campeonatos a equipe foi perdendo terreno na reta final, por quaisquer que fossem os motivos — falhas mecânicas, erros próprios, azares, etc.

Will Power perdeu ótima chance para disparar no campeonato (Foto: Richard Dowdy/IndyCar)

Olhando para o passado recente não da Penske, mas da Indy, dá para notar outra coisa: a inconstância dos competidores. Por um lado, esse é um aspecto interessante da categoria, visto que permite agradáveis surpresas como a vitória de Carlos Huertas. Por outro, quem quer ser campeão precisa fugir ao máximo disso, e o conjunto da Penske parece ser o que chega mais preparado às mais diversas pistas — autódromos, de rua, ovais curtos e ovais longos. Só que nem sempre transforma isso nos melhores resultados possíveis.

Hunter-Reay saiu de Indianápolis e emendou, na ressaca da maior vitória da vida, apresentações ruins em Detroit e em Fort Worth. Pagenaud e a Schmidt ainda precisam de mais para se firmarem como um conjunto de ponta. A Ganassi mais uma vez parece um pouco perdida na metade inicial — embora sempre seja fortíssima na segunda metade do campeonato.

Não que o ano esteja sendo ruim, muito pelo contrário. Tanto que eles estão no topo da tabela de pontuação. Mas dá para extrair um pouco mais de cada prova.

A próxima etapa da temporada será fundamental para a preparação do terreno para a fase final do campeonato, pois vale pontuação dobrada. Muito pode acontecer em uma corrida de 500 Milhas, mas, principalmente pelo fato de a vitória premiar o vencedor com 100 pontos, é bom ir com um pouco mais de cautela na hora de arriscar. Um resultado mediano é melhor do que nada. E seria ideal se Power e Castroneves se impusessem desde já sobre a concorrência. Esse tem de ser o ano de um dos dois — e o ano da Penske voltar ao topo.

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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