O’Ward detona motor híbrido e pede que Indy “confie em própria história” para expandir
Pato O'Ward afirmou que motores híbridos trouxeram "benefício zero" e sugere que Indy atenda desejos dos fãs para aumentar relevância
Pato O’Ward voltou a criticar os motores híbridos introduzidos na Indy durante a temporada 2024. O mexicano apontou que as novas unidades de potência não trouxeram benefício algum para a categoria, que precisa “confiar na própria história” para continuar expandindo nos Estados Unidos e em outros países.
A ideia de ter motores híbridos na Indy surgiu em 2019 e foi homologada em 2020, praticamente junto da mudança de mãos da gestão da categoria para a Penske Entertainment, empresa de Roger Penske que gere o campeonato. Porém, a introdução da unidade de potência foi postergada em diversas vezes e entrou em meio a temporada de 2024 — e não caiu no gosto da maioria dos pilotos. A estreia foi no GP de Mid-Ohio, que foi vencido pelo próprio O’Ward.
“Honestamente, o híbrido trouxe benefício zero para a categoria em qualquer maneira, formato ou sentido. Sei que estão tentando uma terceira montadora, mas, na minha humilde e sincera opinião, a Indy tem de confiar em sua própria história”, comentou O’Ward à revista norte-americana Racer.
“[A Indy] deveria confiar mais no seguinte: ‘o que os fãs realmente querem ver? E buscar oferecer esse produto que sempre vendem, de que as corridas são muito boas, ainda mais agora que a Fórmula 1 parece estar mais interessante. Sinto que a Indy sabe o que quer, então vamos apenas tornar isso incrível — e mais incrível do que já é”, prosseguiu O’Ward.

A Indy prometeu para 2027 um novo carro para a categoria, o que aposentaria o chassi DW12, utilizado desde 2012. Além de atualizar um defasado monocoque, que precisou se adaptar ao aeroscreen e também aos híbridos sem ter sido projetado para isso, a Penske Entertainment quer que o monoposto seja eficiente à unidade de potência e atrativo para uma nova montadora. O’Ward apontou que a Indy deveria seguir um caminho próprio, como fez muitas vezes na história, sem prosseguir uma jornada já adotada por outras categorias — mencionando a própria F1.
O que vale destacar é que a Chevrolet, uma das montadoras da Indy ao lado da Honda, tem feito investimentos pesados em tecnologia de motores híbridos e elétricos — anunciou US$ 888 milhões (R$ 5,073 bilhões na cotação atual) na fábrica de Tonawanda, Nova Iorque, para produzir a sexta geração de unidades de potência V8, sendo estes híbridos ou elétricos.
“Sinto que a Indy está tentando equilibrar dez coisas ao mesmo tempo e está esquecendo da mais importante, que é acreditar em si mesma e no que a categoria sempre representou. A F1 fez isso [a hibridização] uma década antes da gente. Por que estamos tentando seguir o que todo mundo está fazendo? Isso não traz nada de novo para os fãs, que nem percebe que esses sistemas estão nos carros. Os pilotos percebem, porque os carros estão muito, muito mais tristes agora”, opinou O’Ward
Sem entrar em detalhes, O’Ward declarou que a Indy precisa “fazer exatamente o que quer” e não seguir caminhos visando o mercado em primeiro momento. Para o mexicano, caso a categoria adote algo que agrade mais aos fãs, isso fará com que as arquibancadas estejam lotadas e a audiência cada vez maior, o que vai atrair investidores e patrocinadores por consequência.

Até por isso, O’Ward espera que a Indy reavalie a questão dos motores híbridos para o futuro e que tenha um carro mais fácil de fazer ultrapassagens.
“Realmente acredito que a Indy tem muito a ganhar fazendo exatamente o que quer fazer, sem se deixar pressionar a tomar decisões só para proteger, salvar ou o que quer que seja. Porque sei que dá para criar algo que as pessoas não vão querer perder, que vai naturalmente atrair dinheiro e público, e vai trazer de volta tudo o que se quer — e muito mais”, frisou O’Ward.
“Viramos híbridos e não entrou nenhuma montadora nova. Então qual é o problema de manter o que realmente se quer e entregar aos fãs exatamente o que eles querem, além de algo mais prazeroso de pilotar? Por que continuar deixando tudo mais pesado e mais lento? Queremos ser mais barulhentos, melhores e mais rápido. Que a Indy seja tema de conversa dentro das casas das pessoas, nas salas de estar e na internet”, encerrou O’Ward.
A Indy retorna neste fim de semana com o GP de Detroit, agendado para domingo (1), no circuito de rua montado na principal cidade do Michigan, com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO.
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