Pocono flerta com tragédia, tem corrida modorrenta e é grande decepção da temporada da Indy

Pocono recebeu uma das piores corridas da Indy em 2018. Sem boas disputas e com um acidente gravíssimo com Robert Wickens, a prova foi uma tremenda decepção até se analisado seu histórico

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A etapa de Pocono é, tradicionalmente, uma das mais esperadas do calendário da Indy. Oval largo e com boas possibilidades de disputas lado a lado, a pista costuma ter boas corridas. Definitivamente, não foi o caso do que vimos neste domingo (19).
 
Até por isso, é bem plausível colocar Pocono como a grande decepção da temporada 2018 da Indy. Veja, não quer dizer que foi a pior prova – existe Phoenix, afinal -, mas aquela que mais longe passou de entregar o que dela se espera e, de quebra, teve ainda o fator quase-tragédia.
 
Nem dez voltas tinham passado – nenhuma em bandeira verde, diga-se -, quando Robert Wickens tentou superar Ryan Hunter-Reay, foi espremido quase na grama e tocou no rival. O americano apenas foi no muro, mas o canadense saiu voando, arrebentou a grade e caiu com bastante força.
Robert Wickens e Ryan Hunter-Reay protagonizaram um acidente assustador (Foto: Reprodução/Twitter)

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O estado de saúde de Wickens não foi bem detalhado em hora alguma do dia. O que se sabe é que o canadense passou um bom tempo sendo atendido na pista, foi removido de helicóptero para um hospital próximo acordado e consciente e tem lesões nas pernas, braço e coluna vertebral. Mesmo assim, um tremendo susto pelo acidente espetacular – no pior sentido da palavra.

 
E aí a corrida voltou, duas horas depois por causa dos reparos na grade de proteção, e foi se arrastando de forma quase insuportável. Foram 200 voltas de pouquíssima movimentação na pista e nenhuma graça nas voltas finais.
 
E aqui vale colocar os dois pontos aí: o primeiro é que obviamente os novos kits aerodinâmicos atrapalharam como atrapalharam a Indy 500, mas parece inocência achar que o acidente de Wickens não fez com que o grid ficasse receoso de agir com maior agressividade. Faltou ação para quase todo mundo.
 
"Estou mais velho, mas não mais sábio. Estávamos todos lá, a pista estava liberada e tínhamos de ir. Eu não fiquei feliz com isso, nem um pouco. O pessoal que reconstruíu disse que estava pronto, mas eu fico feliz que ninguém mais bateu ali. Quando vimos o nível dos danos, tive uma boa ideia de que não seria reparado corretamente – e não foi. Os cabos estavam soltos, estava bem tosco. Não fiquei nada feliz com isso", descreveu Sébastien Bourdais, líder entre os pilotos e uma voz que, pode-se dizer, resumiu bem o sentimento de todos os envolvidos na corrida direta ou indiretamente.
Alexander Rossi venceu em Pocono (Foto: IndyCar)
Falando agora apenas de pista e de campeonato, uma grande vitória de Alexander Rossi. Numa pista neutra, sem favoritos, o americano deu show nas largadas, acertou a estratégia redondinha e soube aproveitar o vacilo de Will Power para triunfar pela segunda vez consecutiva.
 
Não há dúvida que Rossi está vivo atrás do caneco, afinal, são apenas 29 pontos para o líder Scott Dixon e a sensação de que é o americano quem tem mais carro. No entanto, impressiona a consistência do neozelandês, que fez um pódio quase milagroso com uma Ganassi capenga em Pocono.
 
"É, foi um dia complicado. Acho que o encontro que tivemos no meio da corrida – eu vou lá me desculpar com ele por isso agora. Tentamos nos ater à estratégia, depois paramos atrás do Marco Andretti e estava extremamente difícil de passar. Estava muito complicado no tráfego. Tivemos dificuldades na curva um e tivemos bons momentos durante o dia, mas no geral o #9 foi o melhor que poderia ter sido hoje. Perdemos pontos importantes hoje [de vantagem na liderança], mas parabéns ao Rossi, ele está guiando demais no momento – vamos precisar que ele diminua o ritmo nas últimas etapas -, mas ainda fizemos alguns bons pontos", disse Dixon.
Scott Dixon foi ao pódio e segue líder (Foto: IndyCar)
Para Rossi, não resta outra alternativa a não ser tentar ganhar sempre, já que Dixon dificilmente deixará muitos pontos pelo caminho. Vale lembrar, por exemplo, que Scott largou em 13º neste domingo e, mesmo assim, chegou no pódio. Aliás, Gateway é outra decisão para os dois, já que Portland e Gateway tendem a ser provas de sobrevivência para ambos, com a Penske favorita.
 
"Fiquei no tráfego, e hoje estava muito difícil ficar atrás de outros carros. O carro #27 estava melhor que todos os outros. Foi um dia excepcional, mas é difícil comemorar com tudo que aconteceu. Pensamos em Rob [Wickens], James [Hinchcliffe], Ryan [Hunter-Reay], todo mundo que estava [no acidente]. É um time, eu tenho companheiros incríveis – aliás, falando em companheiros de equipe, Marco [Andretti] e Zach [Veach] me ajudaram demais, eu devo uma cerveja aos dois. Contei muito com Marco e Ryan desde o começo para aprender a andar nos superovais. Não poderia fazer nada disso sem eles. Agradeço muito à Andretti e meus companheiros. Vou tentar esse título. Precisamos executar em todos os domingos, e estou tentando fazer isso agora. Não temos mais tempo a perder", resumiu Alex sobre a condição extrema de correr após o acidente de Wickens e a situação do campeonato.

O grande derrotado do final de semana na briga pelo título foi Josef Newgarden. Tudo bem que, das três corridas que restam, duas favorecem a Penske, mas a vantagem de Dixon está cada vez maior. O quinto lugar em Pocono não foi bacana para o atual campeão.
 
"Dia difícil, não tínhamos nada… Estávamos raspando o que dava para tentar segurar o top-5, o que não é o bastante para nós. A equipe estava tentando tudo que podia para me ajudar – e eu me esforcei -, mas era só o que tínhamos. Will [Power] deu uma dificuldade para Rossi, o que é bom, mas não é o bastante. Vamos estudar o que aconteceu, recolher todos os fatos e ver se melhoramos. É difícil, perdemos muito espaço. Mas o mais importante é que não conseguíamos passar ninguém. Se conseguíssemos, acho que o ritmo seria bem melhor, mas não foi assim", explicou Josef.
Will Power respira por aparelhos sonhando com título (Foto: IndyCar)
Companheiro de Penske, Will Power ainda respira por aparelhos na disputa, mas deve se lamentar pelo que aconteceu em Pocono, afinal, teve a vitória nas mãos e a perdeu ao escorregar do traçado.
 
"Acabei ficando preso atrás de um retardatário, quase fui para o muro e voltei, tive um problema com o câmbio. Foi horrível. Em compensação, muita gente reclamou do ritmo no tráfego, mas o nosso era muito bom. Fizemos o que era possível, o pessoal teve uma ótima estratégia. Mas hoje era dia do Rossi e seu pessoal. A curva um foi a mais problemática para mim. Ali eu tive algumas dificuldades em duas voltas quando estava na liderança, mas a gente não estava conseguindo andar bem na quela parte. Não é inacreditável. Se eu tiver dois resultados muito bons e Scott continuar em quinto – o cara nunca tem dias ruins. Nas últimas corridas eu estou esperando ele ter dias ruins, mas não acontece. Se isso acontecer, temos uma chance", falou com bom humor o australiano.
Pocono foi mais uma etapa complicada para os brasileiros em 2018. Pietro Fittipaldi foi quem se deu pior, envolvido no grave acidente de Wickens ao acertar James Hinchcliffe, que havia rodado na confusão. Pietro ficou bom tempo sendo examinado, mas saiu sem lesões do acidente.
 
"Fiquei com um pouco de dor pela batida, mas não quebrei nenhum osso ali, então estou 100%, ainda bem. Não consegui ver nada direito, tinha muita fumaça, muito detrito ali. Tentei tirar o pé, mas acertei Hinch por dentro, não teve jeito. Agora é deixar isso para trás, tenho ainda mais três corridas pela frente e espero fazer meu melhor, buscar resultados", falou Pietro logo depois de ser liberado do Centro Médico.
Tony Kanaan e Matheus Leist (Foto: IndyCar)
Matheus Leist quase conseguiu o primeiro top-10 da carreira, batendo na trave no 11º lugar. O gaúcho gostou do que viu, mas sabe que a Foyt precisa muito evoluir nos circuitos mistos.
 
“Foi minha primeira vez neste oval, que é bem diferente dos demais, com um traçado único e que torna o ajuste do carro ainda mais complexo. A corrida teve um grave acidente no começo e torço para que as notícias sobre o Robert [Wickens] sejam as melhores possíveis. Ficamos bem perto do top-10 e mostramos bom ritmo neste tipo de corrida, como foi na Indy-500. Agora precisamos focar na melhora nos circuitos mistos", disse Matheus.
 
Para Tony Kanaan, tudo acabou cedo, mas como outro tipo de problema. A Foyt voltou a deixar o brasileiro na mão, mas o veterano promete que não vai se abalar com um novo abandono.
 
"É como se nós tivéssemos perdido a aceleração… Aconteceu entre as curvas dois e três. Entre nos boxes [para a equipe avaliar], e levaria uns 15 minutos para consertar. Não fazia sentido esperar tanto tempo assim, então resolvemos encerrar o dia. Vamos tentar dar a volta por cima agora. Não vamos desistir", prometeu Tony.
 

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