Power diz que “ficou puto” com Penske por indecisão sobre contrato: “Não disseram nada”
Além de explicar como aconteceram as últimas conversas com a Penske sobre uma possível renovação de contrato, Will Power também lembrou do primeiro contato com a Andretti e evitou falar de aposentadoria
Embora tenha demonstrado enorme gratidão pela Penske devido aos anos compartilhados na Indy, Will Power abriu o jogo sobre o fim da parceria, anunciada há alguns dias, e admitiu que ficou realmente irritado com o fato de a equipe não o ter procurado para discutir uma possível renovação mesmo após vencer três corridas na temporada 2024. O veterano de 44 anos também falou do contato que teve com Dan Towriss, CEO da TWG Global, antes de assinar com a Andretti para 2026.
O bicampeão da categoria e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 2018 passou 16 anos no time liderado por Roger Penske, desde a estreia, em 2009, sendo que foi titular durante 15 anos. A possível saída da escuderia foi um dos principais assuntos ao longo dos últimos meses, e ainda que a decisão tenha sido tomada apenas recentemente, Power explicou que os primeiros indícios de que o casamento chegaria ao fim começaram a aparecer no ano passado.
“É simplesmente o momento certo. Senti isso no meu íntimo. Quando você chega à minha idade, sabe quando é hora de mudar, e esse foi o meu sentimento desde o começo”, disse durante uma participação no podcast Ask Off Track. “Tudo começou lá em 2024. Sei que, quando assinei meu último contrato, cheguei a conversar com Tim Cindric (que ainda era responsável pela operação da Penske na Indy) e disse: ‘Ei, gostaria de fazer três anos’. Foi algo meio informal, tipo: ‘Vamos conversar no fim de 2024 e, se você ainda estiver desempenhando bem, continuamos'”, lembrou.
“Bom, venci três corridas em 2024. Fui o único piloto que chegou à última corrida com chances reais de disputar o título contra [Álex] Palou. Então, naquele ponto, pensei: ‘Com certeza eles vão falar comigo na intertemporada’. Mas isso nunca aconteceu. Simplesmente não disseram uma palavra”, continuou. “Então, em maio, fiquei puto por causa disso. Estava puto no início da temporada. Fiquei puto com o fato de que ‘vocês nem vão dizer nada'”, apontou.

“É verdade. Roger nem estava ciente, quando falei com ele, de que isso era algo que tinha sido combinado. Então, sim, talvez eu devesse ter simplesmente ligado para Roger”, admitiu Power. “Mas, sinceramente, só pensei: qual piloto no grid não teria o contrato renovado depois de vencer três corridas, sendo que o campeão venceu duas? Foi Palou. Eu venci três. Tipo, vamos lá”, bradou.
No dia 10 de agosto, em Portland, Will largou da segunda colocação, fez a melhor estratégia e ainda sobreviveu a um final eletrizante, quando tinha pneus mais gastos que Christian Lundgaard, para acabar com o jejum de vitórias da Penske, que ainda não tinha vencido em 2025. Foi somente após o triunfo que a equipe entrou em contato — ainda que sem uma decisão sobre o contrato.
“Recebi uma mensagem do Roger depois daquela corrida, não confirmava nada, só dizia algo do tipo: ‘Isso talvez ajude na sua situação para o ano que vem'”, recordou. Embora tenha guardado essa mágoa, Power voltou a destacar a “equipe incrível” pela qual competiu durante a carreira e enfatizou que será “eternamente grato por tudo que Roger fez por mim”.
Na sequência, detalhou como sempre foi muito honesto com a Penske. “Fui muito leal o tempo todo. Nunca considerei outra equipe. Recebi ligações de equipes, que me ofereceram mais dinheiro. Simplesmente nem considerei. E nos contratos que assinei, quase não teve negociação. Eu praticamente perguntava o que eles achavam justo. Esse era o tipo de relação que tínhamos. Foi muito boa. E é assim que tem de ser — as duas partes precisam estar muito satisfeitas com a situação. E sempre foi assim na Penske”, sublinhou, antes de brevemente apostar em David Malukas como seu substituto.

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Com a equipe liderada por Roger ficando no passado, Power decidiu fechar um acordo com a Andretti, que, por sua vez, viu Colton Herta tomar a decisão de se aventurar na Fórmula 2 em 2026 para perseguir o sonho de ocupar uma das vagas da Cadillac na Fórmula 1. O bicampeão da Indy não discutiu a escolha do colega de profissão, apenas lembrou como foi o primeiro contato com Towriss.
“A primeira vez que falei com Dan, percebi que é um cara muito inteligente. Ele tinha total consciência do que precisava mudar na equipe dele, o que, às vezes, é incomum, eu diria, para alguém na posição dele, que não está lá no dia a dia. Mas ele realmente entendeu: ‘Ok, sei que essas coisas precisam mudar naquela equipe’. E estava muito determinado a fazer tudo acontecer”, seguiu, deixando claro que está animado para a continuação da aventura na categoria norte-americana.
“Vou te dizer o que ainda há para provar: que um piloto pode ser incrivelmente competitivo aos 40 anos. Ainda pode vencer corridas e campeonatos, o desempenho não precisa cair”, afirmou Power, que evitou fazer qualquer previsão sobre aposentadoria. “Diria que por mais cinco anos você ainda pode ser muito competitivo, desde que não relaxe em nada. É um jogo que está sempre mudando, e você precisa estar sempre se atualizando”, encerrou.
Com a temporada encerrada, a Indy só retorna em 2026. A primeira prova do ano será o GP de São Petersburgo, na Flórida, que ainda não teve a data oficialmente confirmada.
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