Em meio à polêmica com símbolo confederado, Daytona faz campanha por troca para bandeira dos EUA na Nascar

Em meio à polêmica com bandeira confederada nos Estados Unidos, o circuito de Daytona anunciou um programa para que os fãs troquem suas flâmulas pelo estandarte norte-americano. Criticas ao símbolo sulista tiveram inicio com o massacre em uma igreja em Charleston

A polêmica envolvendo a bandeira confederada chegou à Nascar. A flâmula sulista passou a ser atacada após um massacre na Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel, em Charleston, na Carolina do Sul.
 
No último dia 17, Dylann Roof abriu fogo dentro da igreja, uma das mais tradicionais da comunidade negra, matando nove pessoas. Antes do crime, o jovem de 21 anos havia postado um manifestado racista e posado para fotos com a bandeira confederada.
Daytona vai trocar bandeiras por flâmula dos Estados Unidos (Foto: Jonathan Daniel/Getty Images)
A flâmula foi usada pelos estados do sul durante a Guerra Civil (1861 – 1865), quando os estados confederados buscavam a independência após a vitória do abolicionista Abraham Lincoln nas eleições presidenciais de 1860. O objetivo dos sulistas era impedir a abolição da escravidão e, por isso, a bandeira é vista pelos negros como um símbolo da supremacia branca.
 
Apesar da polêmica, os responsáveis pelo circuito de Daytona decidiram não banir o símbolo confederado de suas dependências na prova deste fim de semana, mas iniciaram uma campanha por meio da qual vão oferecer uma bandeira dos Estados Unidos aos fãs.
 
 Com a etapa da Nascar agendada para o feriado de Independência, Joie Chitwood, presidente de Daytona, lembrou que a prova será uma oportunidade para celebrar a bandeira norte-americana.
 
“Nós estamos celebrando a bandeira norte-americana neste fim de semana, no aniversário da nossa nação”, disse Chitwood. “Vamos ter uma oportunidade de troca de bandeiras, então para fã que quiser agitar a bandeira norte-americana, nós vamos trocar qualquer bandeira que você tenha. Nós queremos celebrar essa bandeira neste fim de semana. Isso que é importante”, frisou.
 
“Seguindo adiante, nós realmente vamos ter de olhar para aquela outra bandeira porque ela realmente não tem espaço no nosso esporte”, reconheceu.
 
O responsável por Daytona avaliou que não há tempo o bastante para planejar e banir a bandeira confederada neste fim de semana. 
 
“Neste ponto, não podemos banir nada e não mudamos a nossa política”, explicou Chitwood. “Desnecessário dizer, mas há muitas discussões no momento, sobre como chegamos lá e o que podemos fazer para celebrar tudo que é certo neste país”, completou.
 
Presidente da Nascar, Brian France classificou a bandeira confederada como um “símbolo insensível” e prometeu uma postura agressiva para banir a flâmula do esporte.
 
“Obviamente, temos nossas raízes no sul, temos eventos no sul, é parte da nossa história como é para este país, mas precisa ser só isso: parte da nossa história”, defendeu. “Não é parte do nosso futuro”, continuou.
 
“Nós queremos que todos nesse país sejam fãs da Nascar e você não pode fazer isso sendo insensível em uma área”, concluiu.
 
Antes da decisão referente à etapa de Daytona, a Nascar já havia emitido um comunicado em apoio ao pedido da governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, para que o legislativo autorize a retirada da bandeira confederada de um mastro em frente ao prédio onde funcionam o governo e o poder legislativo.
 
De acordo com a nota, a categoria “continua com sua política de longo prazo de não permitir o uso do símbolo da bandeira confederada em qualquer capacidade oficial da Nascar”.
 
A Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, no entanto, não permite que os torcedores sejam impedidos de usar a bandeira ou a marca confederada.
 
A guerra da Nascar contra a bandeira, aliás, não é de hoje. Em 2012, a categoria impediu que o jogador de golfe Bubba Watson guiasse o ‘General Lee’, o Dodge Charger do filme e da série ‘Os Gatões’, na pista de Phoenix em uma parada.
 
Após o massacre de Charleston, a Warner Bros, detentora dos direitos da série ‘Os Gatões’, anunciou que as réplicas do General Lee não mais contarão com a bandeira dos confederados no teto. Além disso, empresas de comércio online, como eBay, Walmart e Sears, por exemplo, retiraram de seus catálogos itens que contenham a bandeira.

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