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'As pioneiras': Jamie Chadwick - no automobilismo “por acidente” e primeira mulher campeã no MRF Challenge

Jamie Chadwick pode ter caído de paraquedas no automobilismo. Mas mesmo sem planejar sua entrada no esporte a motor, já acumulou muita quilometragem em diferentes categorias e já entrou para a história - foi a primeira mulher a conquistar o título da MRF Challenge
Grande Prêmio / NATHALIA DE VIVO, de São Paulo
Jamie Chadwick pode não ser um nome tão comum aos ouvidos do fã de automobilismo, mas a pilota tem trabalhado duro para ser reconhecida cada vez mais. A inglesa de Bath tem 21 anos e é talentosa – e começa a conquistar resultados de gente grande.
 
Mas o sonho de viver das pistas não nasceu junto com a jovem pilota. Muito pelo contrário, ela contou ao GRANDE PRÊMIO que “meio que cai no automobilismo por acidente, na verdade. Meu irmão, Ollie, que é alguns anos mais velho, foi andar de kart na pista local, Castle Combe, e começou a gostar disso.”
 
“Acho que então a rivalidade de irmãos acabou acendendo, pois a próxima coisa que vi era que também estava no kart. Comecei a ganhar troféus e uma coisa levou a outra. Minha primeira grande conquista foi quando venci o Ginetta Junior Scolarship em 2013”, seguiu.
 
E mesmo em um meio tão masculino como o do esporte a motor, Jamie afirmou que nunca sofreu por ser mulher. “Para ser honesta, na verdade não [foi desrespeitada]. Nada além da antiga piada de que mulheres não sabem pilotar, mas tive uma experiência muito positiva no esporte”, falou.
Jamie Chadwick (Foto: Reprodução/Twitter)
E de experiência no automobilismo a pilota entende bastante. Coleciona passagens nas mais diversas categorias – como Campeonato Britânico de GT, Campeonato Britânico de GT4, F3 Britânica e até mesmo um teste na Fórmula E.
 
Com tanta milhagem no bolso, seria capaz de escolher um carro favorito? Ela foi direta: não. “Eles são tão diferentes. Tenho muita sorte de ter a oportunidade de pilotar tantos carros diferentes, sejam eles fórmula, GT ou elétrico, mas seria impossível escolher apenas um como favorito.”
 
E o ano de 2019 não poderia ter começado melhor para a inglesa. Disputando a MRF Challenge, conquistou três vitórias na última rodada tripla do campeonato, em Chennai, na Índia, para se tornar a primeira mulher campeã da categoria. O feito, é claro, trouxe muita alegria. “Foi um sentimento incrível”, falou.
 
“Foi uma coisa que inicialmente comecei para me manter em forma durante o inverno, então conseguir o campeonato foi realmente uma agradável surpresa. Mostrou que o trabalho duro que investimos nos últimos meses começou a mostrar resultados”, seguiu.
 
Questionada pelo GRANDE PRÊMIO quando percebeu que poderia conquistar o caneco, a pilota afirmou que foi “após a segunda etapa, no Bahrein, onde conquistei três vitórias. Sabia que tinha uma chance pelo título, mas não foi até a última corrida do campeonato que eu realmente acreditei.”
 
“[Todo o apoio que recebi] É fantástico. Acho que as pessoas realmente querem ver uma mulher ter sucesso no esporte a motor e é muito bom receber tanto apoio. É uma ótima motivação para continuar conquistando cada vez mais”, completou.
 
Mas esse é só mais um dos itens da lista de sucessos da pilota. Em 2019, Jamie também avançou para a parte final do processo seletivo da W Series, nova categoria que vai contemplar apenas mulheres. A inglesa, é claro, não esconde a empolgação com a seleção. “Ainda há um processo para acontecer, então tenho esperança de que possa ter sucesso e garantir meu espaço no grid de 2019 da W Series”, frisou.
Jamie Chadwick celebra o título do MRF Challenge em Chennai (Foto: Twitter)
“Para mim, vejo a categoria como uma oportunidade de poder correr. Caso eu pudesse, correria 365 dias no ano, então ter uma oportunidade de competir em uma categoria de alto nível do esporte a motor, eu vejo como algo incrível”, prosseguiu.
 
E com a iniciativa da categoria, Chadwick afirmou que crê que as mulheres tem recebido cada vez mais apoio no automobilismo. “Definitivamente. O esporte realmente quer mulheres tendo sucesso e até o momento tive muito apoio. Espero que isso encoraje ainda mais jovens pilotas a entrar em todas as áreas do esporte a motor”, disse.
 
E quando questionada pelo GP qual o momento de maior brilho de sua carreira, com exceção do título, obviamente, a pilota afirmou que “diria que vencer minha primeira corrida da F3 Britânica. Foi um momento de grande emoção para mim”. A pilota tornou-se a primeira mulher a ter esse êxito na categoria.
 
Mas apesar de ser bom relembrar as grandes conquistas, Jamie também está focada no futuro. Em 2019, conta com uma agenda bastante recheada de eventos. “Estamos com planejamento cheio para 2019. Espero que possa disputar a W Series junto com alguma corrida de GT com a Aston Martin e quem sabe até mesmo mais testes com a Fórmula E”, apontou.
 
Por fim, foi questionada sobre como avalia sua carreira até o momento. E apesar de ter mostrado orgulho, deixou claro ter fome de mais. “Enquanto estou orgulhosa do que conquistei até agora, ainda há muito mais coisas que quero alcançar em minha carreira. Estou ansiosa para trabalhar duro ao longo dos próximos anos para tornar o meu sonho realidade”, falou. “Sonho ser uma campeã mundial”, encerrou.