Caçula de Hamilton revela motivação para buscar carreira no automobilismo: ganhava de Lewis no videogame

Lutando desde a infância contra uma paralisia cerebral, Nicolas Hamilton estreou neste fim de semana no Campeonato Britânico de Carros de Turismo. Foi o resultado de uma longa batalha contra a doença, e que contou com o apoio do irmão bicampeão da F1

O irmão mais velho pode ser, hoje, um bicampeão mundial de F1. Mas, no videogame em casa, há um bom tempo que quem leva a melhor é o caçula.
 
Este é o caso de Lewis e Nicolas Hamilton.
 
Nic, sete anos mais novo, luta desde que nasceu contra uma forma de paralisia cerebral. Sempre acompanhou as corridas do irmão, mas, depois de se assustar com os karts ainda pequeno, decidiu que aquilo não era para ele. O que mudou alguns anos mais tarde, graças aos videogames.
 
No último fim de semana, ele estreou em um campeonato profissional de automobilismo no BTCC. Foi 25º nas duas primeiras corridas em Croft e melhorou para 22º na terceira bateria da rodada tripla. Antes, em 2011 e 2013, ele chegou a competir na Copa Clio no Reino Unido e em um torneio europeu de turismo.
Nicolas Hamilton correrá no BTCC em 2015 (Foto: Divulgação)
“Foi praticamente a minha vida por três anos. Eu adorava jogos, jogos de simulação, e pensava que, se não pudesse ser piloto na vida real, seria no mundo virtual”, contou Nicolas em entrevista à BBC. “Se Lewis e eu não estivéssemos atirando um no outro, estávamos correndo um contra o outro. Ele me ensinou muito, nos termos e tudo o mais. Depois, quando saiu de casa, nos comprou uns computadores irados para jogarmos, e sempre jogávamos online.”
 
Foi quando o negócio ficou sério. “Comecei a competir pra valer. Eu me tornei campeão britânico no virtual em 2009 e cheguei a um ponto em que, sempre que jogava contra o Lewis, eu era mais rápido que ele”, falou.
 
“Alguns podem achar que é triste, mas, para mim, era uma forma de automobilismo. Foi o que começou com a minha carreira, o que tornou real. Basicamente, a ideia era ‘você precisa entrar em um carro de verdade’”, seguiu.
 
A paralisia de Nicolas afetou suas pernas de modo que os médicos acreditavam que ele não andaria mais. Por três anos, ele chegou a se locomover apenas com uma cadeira de rodas. Mas, para ser piloto, esforçou-se para fortalecer os membros. O principal aspecto, do ponto de vista da pilotagem, é que ele não tinha força suficiente para pisar no freio.
 
No BTCC, seu carro tem a embreagem no volante, para ser acionada com as mãos, e pedais maiores para o acelerador e os freios.
 
“Meus pais garantiram que eu não me tornasse dependente. Eles me ensinaram a cair, cometer erros, chorar e passar por todos os processos de quem tem alguma deficiência. Eles merecem todos os elogios por me darem a força para superar minha condição”, completou.

Nicolas Hamilton está garantido em mais quatro etapas do BTCC em 2015.

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