Coluna Punta-Taco, por Francis Trennepohl: A tragédia que sempre vende bem
O capacete deveria ser a primeira preocupação de um piloto na hora de disputar uma corrida, seja um evento pirata ou esteja o presidente da FIA caminhando pelo grid antes da largada
O acidente ocorrido no último domingo (16), em Balneário Arroio do Silva, litoral Sul de Santa Catarina, e que vitimou o piloto Edson Beber novamente levantou uma série de discussões sobre a segurança das (e nas) pistas, equipamentos de proteção dos pilotos (seu uso ou a falta deles, como foi neste caso) e as condições em que o automobilismo vem sendo praticado.
Extremamente lamentável que tenha acontecido uma morte, e grandes lições devem ser tiradas disto, porém a pergunta que todos se fizeram foi: “Sem capacete???”. Em que lugar do mundo se entra numa corrida de carro, kart, caminhão ou moto sem capacete? Não interessa se a prova é pirata ou se o presidente da FIA está passeando pelo grid, isso é responsabilidade do piloto.
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Se você que está lendo este texto recebesse agora, neste exato momento, um convite para testar um carro amanhã em Interlagos, Tarumã ou Caruaru, quais seriam as primeiras coisas que você separaria para levar? Creio que capacete, macacão, luvas e sapatilha estariam no topo das prioridades.
No caso específico deste acidente, talvez o capacete não fosse suficiente para salvar o piloto. Não há como sabermos, uma vez que até o momento sequer foi divulgada a causa mortis, mas o ponto principal é a responsabilidade que o piloto deve ter consigo mesmo. Não estou querendo aqui crucificar o piloto em questão. Não o conhecia, apenas sei que era um campeão das arrancadas de caminhões e na internet há diversas fotos dele presente em outros eventos devidamente paramentado com macacão e capacete, então quero crer que foi uma falha pontual.
Outro ponto importante sobre isso é, novamente, a tragédia vendendo muito mais do que o esporte e sendo a estrela do noticiário. É voz corrente entre os automobilistas as queixas sobre a falta de cobertura das provas, dos campeonatos e o grande desinteresse dos programas esportivos na TV, que são ocupados em mais de 90% do tempo com futebol, contudo agora todos abriram espaço para a morte, para a desgraça.
Gostaria de saber quais desses programas anunciaram a corrida na véspera, quais já abriram espaço, em outra oportunidade, para mostrar a competição, pura e simples, sem sangue e sem infortúnio? Pouquíssimos!
Serão eternamente os “urubus carniceiros” da imprensa!
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