Coluna Punta-Taco, por Francis Trennepohl: Os ‘burros anormais’
Basta um pneu furado, uma porta amassada ou um ‘capote’ para que todos tenham razão de que automobilismo realmente é dinheiro jogado fora e que não vale a pena
“Esse pessoal do automobilismo é mesmo burro. Torra dinheiro, coloca seu pescoço a prêmio e ainda diz que está se divertindo”. É exatamente isso que a maioria das pessoas pensa, a começar por uma parcela dos familiares e amigos mais próximos.
Basta um pneu furado, uma porta amassada ou um ‘capote’ para que todos eles tenham razão de que realmente é dinheiro jogado fora e que não vale a pena, assim sendo, somos todos ‘burros rasgando dinheiro pelas pistas’.
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Mas aí vem o questionamento: e os ‘normais’, quem são e o que fazem? Os ‘normais’ não correm riscos e são mais inteligentes. Normalmente eles praticam esportes menos ousados, como, por exemplo, jogar futebol de várzea às quartas, aos sábados ou aos domingos. O problema é que lá, eventualmente, estouram um joelho, torcem o tornozelo ou mesmo quebram uma perna, mas não há o menor problema, pois “isso faz parte do futebol”. A consequência pode ser ficar seis meses apoiado numa muleta, mas “futebol é assim mesmo”, dizem.
Estou exemplificando com o futebol, mas pode ser aplicado qualquer outro esporte.
É extremamente desagradável ser chamado de “louco, burro, irresponsável, maluco” e outros tantos adjetivos negativos pelo simples fato de gostar e praticar um esporte que, assim como todos os outros, tem seus riscos, alegrias e frustrações. Parece que viemos de outro planeta…
Creio naquele velho e batido bordão que diz que “viver é perigoso”, e de fato é: subir ou descer uma escada, atravessar a rua, tomar um banho de piscina, trocar uma lâmpada ou instalar a iluminação de natal também pode ser perigoso, e até mesmo fatal!
O pior é que, mesmo com todos esses argumentos e mais alguns, a história continua se repetindo e a chateação também, até que finalmente vem a pergunta: “e o que vocês ganham com isso?”. Nada, absolutamente nada, da mesma forma que você jogando futebol, fazendo trilha de jipe ou de moto, voando de parapente ou jogando dominó não ganha nada. É prazer, é paixão, e ponto. Feliz daquele que tem a oportunidade de fazer o que gosta, o que ama!
Realmente devemos ser burros, uns palhaços de macacão torrando dinheiro por aí, dinheiro este que em parte nem nosso não é, mas de patrocinadores.
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