Coluna Punta-taco, por Francis Trennepohl: Um ‘brinquedo’ que dá prazer, mas é perigoso

Tudo que tem motor e rodas não pode, em hipótese alguma, ser tratado como ‘brincadeira’, pois ao mesmo que traz adrenalina também pode machucar ou até mesmo matar

É muito comum ouvirmos o termo ‘brincar’ nas pistas. Uma boa parte dos pilotos entra na pista apenas para brincar. Até aí, nenhum pecado, desde que haja toda a segurança necessária nesta “brincadeira”. Vejo com uma frequência espantosa a brincadeira ser confundida com irresponsabilidade e inconsequência, tudo pautado na alegação de que “eu só vou dar uma brincada na pista”. Macacão? Capacete? Cinto? “Não precisa, é só uma voltinha”, dizem.
 
E quando isso acontece numa prova, numa corrida de verdade? “Aí a porra fica séria”, diriam alguns. Ela já é séria, seja numa voltinha ou numa corrida. Não há desculpa ou argumento que seja motivo para um piloto entrar em uma pista, seja para ‘só uma voltinha’ ou uma corrida, sem os itens de segurança ou usando-os em desacordo com as normas.
Na terra ou no asfalto, corrida de carro não pode, jamais, ser tratada como mera brincadeira (Foto: Autódromo Alceu Feldmann)
 
Não são apenas os acidentes a 150 ou 200 km/h que matam. Numa batida (ou capotagem) a 40 km/h um piloto também pode perder a vida, ou tê-la prejudicada ficando deficiente ou mutilado para sempre. 
 
Vejo muitos cobrando profissionalismo das entidades dirigentes do automobilismo, mas por outro lado, quando quem cobra é cobrado, usa a desculpa do amadorismo, da diversão, do lúdico e da ‘brincadeira para tirar o estresse’.
 
Este não é o caminho e não é assim que funciona, e a prova disso é quando um acidente grave acontece todos ‘pulam fora’, ninguém assume a responsabilidade e os advogados é que se esbaldam.
 
É válido lembrar que tudo na vida tem seus ônus e seu bônus, e olhar para o próprio umbigo, ignorando regras e regulamentos, é irresponsabilidade e inconsequência. Isso não combina em nada com alguém que queira sentar a bunda dentro um carro de corrida e não fazer daquilo uma arma. 
 
Tudo que tem motor e rodas não pode, em hipótese alguma, ser tratado como ‘brincadeira’, pois ao mesmo que traz adrenalina também pode machucar ou até mesmo matar.
 
Francis Henrique Trennepohl é publicitário, jornalista, comentarista, colunista, piloto e fundador da TCC (Turismo Clássico Catarinense) e um dos maiores apaixonados por automobilismo que já pisou na face da terra, além de ser o titular do blog Poeira na Veia (www.poeiranaveia.blogspot.com).

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