Fittipaldi culpa economia brasileira por dívidas e ataca cobertura da imprensa: “Querem acabar com minha integridade”

Emerson Fittipaldi segue respondendo com, digamos, contundência as informações sobre suas dívidas orçadas em mais de R$ 27 milhões. O duas vezes campeão da F1 disse que a cobertura da imprensa é uma tentativa orquestrada de acabar com sua imagem, agradeceu fãs que seguem com ele e voltou a culpar a economia e as altas taxas de juros do Brasil

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As informações sobre o estado financeiro e as dívidas de Emerson Fittipaldi surgem a cada dia, mas enquanto credores dão suas versões sobre os acordos com o duas vezes campeão mundial de F1 e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Fittipaldi se defende. Diz que estão acontecendo ataques orquestrados para afetar sua imagem e volta a culpar a situação econômica do Brasil e suas altas taxas de juros.

 
Em entrevista ao site norte-americano 'Motorsport.com', Fittipaldi fez um ataque ao programa 'Domingo Espetacular', da Rede Record, que primeiro fez a denúncia sobre a penhora de alguns carros históricos que mantinha num museu. Para ele, a cobertura da imprensa tem por função desestabilizá-lo. Por causa disse, agradeceu aos fãs que ainda o suportam. 
Emerson Fittipaldi em Miami (Foto: Divulgação)
"Fiquei muito desapontado por um programa noturno de domingo usar meu nome e minha imagem para melhorar seus índices. Foi a conclusão que eu cheguei. Para mim, tudo foi orquestrado para acabar com a minha integridade e com tudo que criei em 40 anos de carreira internacional", disse.
 
"Primeiro, gostaria de agradecer as milhares de mensagens de apoio que recebi dos meus fãs, meus amigos e patrocinadores. Eles todos me conhecem, sabem como eu trabalho. Estou fazendo de tudo para cuidar dessa situação", seguiu.
 
"Muitos não entendem que, após a F1, eu trouxe a Indy e a prova de endurance para o Brasil, coloquei muito dinheiro nisso e perdi muito também. Nas últimas 6 Horas de São Paulo, guiei uma Ferrari 458, foi muito divertido, mas eu também perdi muitos patrocinadores antes da prova, o Brasil estava em crise econômica e isso atrapalhou muito", falou.
Na sequência, Emerson se auto-intitulou pioneiro e contou mais de sua história para ser um nome importante do automobilismo brasileiro enquanto voltou a usar isso como algum tipo de prova de que está sendo atacado pela imprensa. 
 
"Eu comecei correndo no Brasil, no kart, passei por diversas categorias e situações até chegar à F1. Eu sou de família honesta, tive uma grande educação do meu pai. Trabalhamos duro para ter o que conquistamos. Foram os meus resultados com a Lotus e Colin Chapman que trouxeram a F1 para o Brasil", lembrou.
 
"Depois nós tivemos Nelson Piquet, Ayrton Senna, Felipe Massa, todos com muito sucesso, mas eu fui o pioneiro ao lado do meu irmão e de Carlos Pace, três brasileiros que trabalharam muito duro para criar essa paixão pelo automobilismo no país. E aí eles chegam destruindo minha imagem após tudo que fiz", atacou.
Ainda deu tempo de Fittipaldi voltar a culpar decisões governamentais por seus problemas.
 
"Todo mundo sabe que o Brasil tem seus problemas e que eu estou passando por um momento muito difícil com meu pessoal, mas ainda estamos lá, lentamente resolvendo os problemas. Passo a passo vamos recuperando nossa situação", afirmou. "Investi muito dinheiro numa refinaria de etanol no Brasil. Eu era um dos grandes investidores neste ramo no Brasil", falou.
 
"Esperava um preço que recuperasse o investimento, mas o governo colocou um preço complicado para qualquer refinaria sobreviver. Só em São Paulo pelo menos cinco refinarias estão pedindo falência. Usaram investidores privados como eu, que perdi R$ 7 milhões. Esse foi o começo dos problemas", voltou a contar.
 
Os problemas de Fittipaldi explodiram, segundo apurou o GRANDE PRÊMIO, após ele assumir a organização das 6 Horas de São Paulo, prova válida pelo Mundial de Endurance. De qualquer forma, Fittipaldi já afirmou antes que seu patrimônio é maior que as dívidas acumuladas.
A Mansao adquirida por Fittipaldi em Miami (Foto: Divulgação)

Entenda o caso

Na semana passada, após a publicação da máteria na TV Record, que foi respondida por Fittipaldi, surgiram uma série de notícias envolvendo o ex-piloto e hoje empresário. Uma empresa de comunicação visual, contratada para prestar serviços na etapa brasileira do WEC, em 2014, recebeu apenas R$ 20 mil dos R$ 70 mil combinado.

GRANDE PRÊMIO também averiguou que, em 2015, Emerson adquiriu uma mansão em um dos condomínios mais luxuosos de Miami, nos Estados Unidos, avaliada em R$ 16 milhões. Em comunicado, o bicampeão mundial de F1 negou a aquisição. Porém, um dos responsáveis pelo empreendimento Park Groove, ratificou que Fittipaldi é mesmo o dono do imóvel de 260 m².
 
Em meio aos imbróglios judiciais, o Copersucar Fittipaldi de 1977 e o Penske PC18 Chevrolet de 1989 foram removidos do escritório de Fittipaldi e levados a um galpão pertencente a um dos bancos que entraram com o pedido de penhora dos bens. Na sequência, a assessoria de imprensa do hoje empresário informou que entrou com uma ação na justiça para recuperar os dois carros.
 
Na última sexta-feira (8), veio a notícia que a SPTuris, órgão da Prefeitura de São Paulo, rejeitou em duas oportunidades a prestação de contas referente à realização das 6 Horas de São Paulo. O documento era da Endurance Racing Eventos, empresa de Emerson Fittipaldi.
 
Em entrevista à revista Veja, divulgada no sábado (9), Emerson Fittipaldi reconheceu as dificuldades financeiras, lamentou a série de notícias divulgadas sobre o episódio e garantiu que o seu patrimônio é muito superior à dívida.
PADDOCK GP #23, FALA SOBRE FITTIPALDI E FIM DE SEMANA MOVIMENTADO NO ESPORTE

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