Ministério Público e OAB investigam corrupção na Confederação Brasileira de Automobilismo, revela revista

O Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil estão investigando denúncias de fraude, tráfico de influência e recebimentos irregulares por parte da gestão liderada pelo presidente Cleyton Pinteiro

Reportagem publicada pela revista ‘IstoÉ’ revelou que o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil estão debruçados sobre os documentos da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) para investigar denúncias de corrupção.

Os dirigentes da CBA estão sendo acusados de fraude, tráfico de influência, compadrio, uso indevido do cartão corporativo e recebimentos irregulares por consultorias com o objetivo de garantirem uma renda mensal da entidade — o que é proibido, já que diretores de associações esportivas não podem receber salários.

A denúncia foi enviada ao Ministério Público por Dione Rodrigues e Antônio dos Santos Neto, que já foram vice-presidentes da CBA, e tem respaldo de Edilson Rodrigues dos Campos, membro do atual conselho fiscal da entidade. Este último ainda relatou ter sido ameaçado por membros da cúpula da CBA.

O processo está sendo analisado pela Procuradoria Geral da República e, dentre os acusados, tem Cleyton Pinteiro, presidente da entidade desde 2009 e reeleito para um segundo mandato no ano passado. Pinteiro é acusado de receber R$ 770 mil por ano entre gastos com cartão corporativo e consultorias dadas por sua empresa.

Os reembolsos recebidos pelo presidente, de acordo com a revista, teriam sido por “aluguel de carros, passagens aéreas de primeira classe, despesas com supermercados e até serviços de cabelereiro”.

Pinteiro foi acusado de usar cartão corporativo até mesmo no cabelereiro (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)

A reportagem também menciona contratos pontuais da CBA com empresas que pertencem aos presidentes das federações regionais e pagamentos feitos ao escritório de advocacia do diretor-jurídico Felippe Zeraik. À publicação, o próprio Zeraik confirmou que pagamentos são feitos ao seu escritório por serviços prestados há 20 anos, mas negou que receba dinheiro por atuar como diretor da entidade.

Zeraik também é alvo de acusação de compadrio a membros do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Fernando Cabral, presidente do tribunal, é pai do sócio de Zeraik, Fernando Cabral Filho, que faz parte da Comissão Disciplinar do mesmo tribunal. E Carlos Alberto Diegas Dutra, auditor do STJD, trabalha na firma do diretor-jurídico.

A CBA ainda não se manifestou oficialmente a respeito das denúncias. O GRANDE PRÊMIO procurou a entidade e trará o posicionamento dela assim que houver um.

Ainda de acordo com a ‘IstoÉ’, a Confederação enviou ao MP uma carta na qual desqualificou os denunciantes e afirmou que Rodrigues foi alvo de processo administrativo no STJD e teve a federação de Brasília, que presidia, desfiliada em função de fraudes, e que Neto “já esteve preso e, atualmente, responde a diversos processos criminais”.

Dione Rodrigues foi personagem de reportagem investigativa conduzida pela REVISTA WARM UP em 2012 a respeito de desvios de conduta na administração da Federação de Automobilismo do Distrito Federal (FADF).

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