Rali

Em dia de reviravoltas e acidentes, Barreda abandona e De Soultrait vence terceira especial do Dakar

A especial entre San Juan de Marcona e Arequipa foi muito complicada para os então líderes do Dakar, como Mattias Walkner, Ricky Brabec e Joan Barreda Bort, com o espanhol abandonando a prova. O boliviano Walter Nosiglia também ficou fora ao sofrer uma dupla fratura no antebraço após uma queda. A vitória ficou com Xavier de Soultrait, da Yamaha, e Pablo Quintanilla é o novo líder
Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré
3ª etapa – San Juan de Marcona – Arequipa
Trecho de especial: 331 km
Deslocamentos: 467 km
Trecho total: 798 km
 
Ao passo em que o Rali Dakar 2019 avança, as dificuldades aumentam cada vez mais. Nem mesmo os mais experientes e vitoriosos escapam aos desafios das dunas do Peru, como se viu na terceira especial da prova, realizada nesta quarta-feira (9) entre San Juan de Marcona e Arequipa. A etapa, que teve trechos com a altitude acima dos 2.000 m, foi marcada por uma série de reviravoltas e um vencedor surpreendente no fim: o francês da Yamaha, Xavier de Soultrait, que triunfou pela primeira vez em uma especial do maior rali do mundo.

A grande baixa do dia foi Joan Barreda Bort, vencedor da primeira especial e então líder na classificação geral. O espanhol está fora do Dakar.

Outros grandes favoritos ao título, como Matthias Walkner, Toby Price e Ricky Brabec enfrentaram vários problemas e perderam muito tempo ao longo do trecho cronometrado de 331 km. O que culminou para um resultado bastante surpreendente. E ainda é apenas o terceiro dia de Rali Dakar 2019.
 
Por ter vencido a especial do dia anterior, Walkner abriu o caminho nesta manhã de quarta-feira, sendo seguido pelo norte-americano Brabec, que largou três minutos depois do austríaco, com a sequência do grid partindo rumo à etapa. 
Xavier de Soultrait venceu a insana terceira etapa do Rali Dakar nas motos (Foto: Yamaha Racing)
Logo com 21 km de trecho cronometrado, a prova viu a primeira baixa do dia com o acidente sofrido pelo boliviano Walter Nosiglia Jager. Com o impacto da batida, o piloto da Honda sofreu uma dupla fratura no antebraço direito e teve de deixar a competição. Em solidariedade, o pai do piloto, Walter Nosiglia, que disputava a prova nos quadriciclos, também decidiu deixar a disputa.
 
Em seguida, Toby Price, Brabec e Walkner tiveram de lidar com as dificuldades de navegação da especial e se perderam da rota, o que resultou também em uma perda significativa de tempo. Pior ainda para Barreda, o então líder do Dakar depois das duas primeiras etapas, que ficou mais de uma hora parado e distante cerca de 300 metros da rota correta da etapa. Pouco depois, o espanhol abandonou a prova de forma definitiva depois de ter sido resgatado pelo helicóptero da organização.

Uma menção à parte para Pablo Quintanilla. O chileno da Husqvarna, bicampeão mundial de rali cross-country, esteve entre os primeiros colocados desde o início da prova, mas sua moto 'sumiu' desde o quinto waypoint, mesmo ponto do último registro da moto de Joan Barreda. Mas o chileno não teve problemas, como parecia ser, já que foi o primeiro a cruzar a zona de meta na chegada a Arequipa. Em seguida, chegaram Kevin Benavides, Sam Sunderland, Toby Price, Ricky Brabec e Matthias Walkner, que ficou nada menos que 23 minutos atrás do chileno.
Desastre para Joan Barreda Bort, que abandonou o Dakar quando era o líder no geral (Foto: Charly Lopez/Fotop/ASO)
Só que a expectativa estava pela chegada de De Soultrait, que havia largado pouco mais tarde. O francês venceu sua primeira especial de Rali Dakar com o tempo total de 4h07min42s, sendo apenas 15s mais rápido que Quintanilla, com Benavides chegando em terceiro, 2min37s atrás do líder. Adrien Van Beveren, com a Yamaha #4, honrou seu numeral e foi o quarto colocado da especial, tendo 6min42s de atraso para De Soultrait.

Só então, na quinta posição, apareceu a primeira KTM, do britânico Sam Sunderland, que ficou 8min26s atrás do vencedor da especial do dia. E grande estrago para dois dos pilotos que despontaram como favoritos nos primeiros dias, Walkner e Brabec, que passaram mais de 20 minutos atrás de De Soultrait. Grande prejuízo que atrapalha bastante nas pretensões de vitória, ainda que a prova esteja apenas no começo.

Com os resultados desta movimentada quarta-feira, a liderança do Dakar 2019 nas motos mudou de mãos. Pablo Quintanilla é o novo comandante da tabela de tempos no geral, e com uma diferença significativa de 11min23s para Kevin Benavides, da Honda, o segundo colocado. Sam Sunderland pulou para terceiro com a KTM melhor colocada, 12min12s atrás do chileno da Husqvarna, seguido por Van Beveren e Toby Price. De Soultrait, de 30 anos, ganhou nada menos que seis posições, pulando de 12º para sexto lugar na classificação geral, deixando para trás Ricky Brabec e Walkner.


Argentinos seguem dominando nos quadris: Ferioli vence especial
 
Só dá Argentina na competição dos quadriciclos do Rali Dakar. Os irmãos Alejandro e Marcos Patronelli não aceleram mais, mas três compatriotas vêm dando conta do recado e fazendo bonito nas dunas do Peru. Nesta quarta-feira, Jeremias González Ferioli, de apenas 23 anos, venceu a especial entre San Juan de Marcona e Arequipa, quebrando a invencibilidade de Nicolás Cavigliasso. É a quinta participação de Ferioli no Dakar, sempre correndo nos quadris.
 
O piloto nascido em Córdoba se colocou à frente de Cavigliasso, segundo colocado, ao marcar como tempo total 4h49min05s, com 4min42s de frente para Nicolas. Gustavo Gallego completou a trinca toda argentina em Arequipa. Os três correm com quadriciclos da Yamaha. 
Jeremias González Ferioli venceu a especial desta quarta-feira (Foto: Duda Bairros/Fotop/ASO)
O quarto colocado — e primeiro não-europeu da especial — foi o francês Alexandre Giroud, que também compete com um quadri da Yamaha. E o tcheco Tomas Kubiena, que acelera um quadri da marca Ibos na sua terceira participação no Rali Dakar. E fechou a relação dos cinco mais rápidos do dia.
 
A trinca argentina também se faz presente na classificação geral do Dakar nos quadriciclos. Cavigliasso mantém a ponta, com 10h57min12s de tempo total de prova. Mas a disputa agora tem um novo vice-líder: Ferioli, que ganhou uma posição com a vitória na especial e está 28s à frente do compatriota Gallego, que fecha o top-3 parcial do Dakar.