Após maior tragédia natural da região norte nos últimos 80 anos, Chile deixa rota do Rali Dakar após sete edições

O governo do Chile confirmou na última terça-feira (7) que não vai receber a edição 2016 do Rali Dakar. Recursos que seriam investidos na realização da prova serão utilizados para reconstruir a região do Atacama, que foi atingida por fortes chuvas nos últimos dias

O governo do Chile confirmou na noite de terça-feira (7) que vai deixar a rota do Rali Dakar após sete anos. O país sul-americano recebe a maior competição off-road do planeta desde 2009, quando a prova promovida pela ASO deixou a África e passou a ser realizada do outro lado do Atlântico. 
 
De acordo com o jornal ‘El Mercurio’, a catástrofe que atingiu a região norte do país teve papel decisivo para que as autoridades locais decidissem pela não continuidade do Chile na rota do Dakar.
Chile integrava calendário do Dakar desde 2009 (Foto: Florent Gooden/DPPI)
Desde o último dia 24, fortes chuvas atingiram a região norte do país, provocando enchentes e inundações que deixaram, até agora, um saldo de 25 mortos, 125 desaparecidos e mais de 2,7 mil desabrigados. Esta é a maior tragédia natural na região nos últimos 80 anos e já afetou mais de 30 mil pessoas. 
 
Por conta das chuvas, uma série de deslizamentos de terra e enchentes, inesperadas e de grandes proporções, atingiu a região do Atacama, onde fica o deserto mais seco do planeta.
 
 De acordo com a rede britânica BBC, grandes quantidades de lama desceram da Cordilheira dos Andes devido ao desgelo das montanhas, atingindo a região desértica. Há uma grande quantidade de pedras e árvores misturadas a essa lama, o que pode fazer o trabalho de remoção de escombros se estender por meses. 
 
Além dos custos para a reconstrução da região, as autoridades também temem surtos de doenças respiratórias e intestinais, causadas pela quantidade de lama e pela falta de água potável. 
 
A confirmação da ausência na rota do Rali Dakar veio da Ministra dos Esportes, Natalia Riffo, que vai dar uma coletiva de imprensa nesta quarta.
 
Segundo o ‘El Mercurio’, a edição de 2015 do Dakar custou aproximadamente US$ 7 milhões (cerca de R$ 21,5 milhões) aos cofres chilenos. Por conta do terremoto que atingiu Iquique no ano passado, o país governado por Michelle Bachelet também chegou a ser dúvida na prova deste ano, mas a redução no valor da taxa paga à ASO acabou por garantir a realização da etapa.
 
Além da tragédia no norte e dos custos envolvidos na realização da prova, também pesou na decisão de deixar a rota do Dakar as críticas do Colégio de Arqueólogos do Chile e do Conselho de Monumentos Nacionais, que reclamavam dos danos provocados pela passagem dos veículos pelo deserto chileno. Na prova deste ano, os pilotos Matteo Casuccio e Kees Koolen chegaram a ser detidos pela polícia acusados de destruírem um sítio arqueológico no deserto de Antofagasta após se perderem durante a quinta especial e passarem por um trecho preservado.
 
No próximo dia 16, a ASO anuncia em Paris, na França, a rota da edição 2016. A expectativa é que o rali passe por Argentina, Uruguai, Bolívia e Peru. 
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