Correndo ao lado de casa, brasileiros mostram confiança na inclusão do Brasil no trajeto do Rali Dakar no futuro

Jean Azevedo e Guilherme Spinelli acreditam que o Brasil tem grandes possibilidades de compor o percurso do Rali Dakar no futuro. Brasileiros citaram Copa do Mundo como um dos motivos para o atraso da entrada do país na competição

Originalmente disputado entre Paris, na França, e Dacar, no Senegal, o Rali Dakar fez as malas e deixou os continentes europeu e africano em 2008, quando uma ameaça terrorista forçou a organização a cancelar a disputa daquele ano. Desde então, a maior prova off-road do mundo é realizada em território sul-americano, passando por países como Argentina, Chile, Bolívia e Peru. 
 
Embora aconteça bem ao lado de nossas fronteiras, o Brasil ainda não tem uma presença importante no Dakar, nem em número de participantes e nem no envolvimento com a prova.
No 17º Dakar, Jean Azevedo afirmou que correr no Brasil é um sonho (Foto: Vinicius Branca/Fotop/VIPCOMM)
Stop & Go: Jean Azevedo

Importante mercado para a indústria automotiva, o Brasil é alvo constante dos promotores de campeonatos ao redor do mundo, como acontece, por exemplo, com a MotoGP e a Indy. E o Dakar não é diferente.

 
Dois dos cinco representantes do Brasil na edição 2015 do Dakar, Jean Azevedo e Guilherme Spinelli se mostraram confiantes na possibilidade de o Brasil integrar a rota da prova no futuro.
 
“Acho que a ASO já vem com essa ideia há algum tempo. Eles estão tentando”, afirmou Azevedo. “Acho que, por ter tido a Copa do Mundo e no ano que vem as Olimpíadas, isso talvez tenha dificultado um pouco essa entrada do Dakar no Brasil, mas, com certeza, o Dakar vai permanecer na América do Sul ainda por muitos anos e eu acho que em um futuro próximo deva estar passando pelo Brasil também”, opinou o piloto da Honda South America.
 
Piloto da Mitsubishi, Spinelli seguiu a mesma linha do companheiro das motos e avaliou que a presença da Copa do Mundo no Brasil pode ter influenciado nessa ausência do país no trajeto de 2015.
 
“Eu entendo e ouço da ASO, que é a empresa organizadora, que é uma vontade deles já há alguns anos, mas isso depende de incontáveis coisas que a gente não tem acesso, como, por exemplo, negociações entre o governo brasileiro e a ASO, valores a serem pagos pelos patrocinadores, pelos governos e pelo governo do Brasil”, listou Guiga em entrevista ao GRANDE PRÊMIO. “Enfim, acho que tem alguns empecilhos aí que ainda não foram solucionados e pode ter a ver também com envolvimento do Brasil na Copa do Mundo e nas Olimpíadas. Talvez o momento não seja ideal, mas, para o futuro, esse assunto possa ser reavaliado dentro do governo brasileiro”, comentou.
Guilherme Spinelli citou custo como uma das razões para o baixo número de brasileiros no Dakar (Foto: Vinícius Branca)
Em seu 17º Dakar, Azevedo lembrou que, para quem começou correndo na África, correr na América do Sul já parecia impossível, mas a perspectiva de competir em casa é como um sonho.
 
“Eu que comecei correr na África, para mim não existia essa ideia. O Dakar na América do Sul já era impossível para quem corria na África, não existia nunca essa possibilidade, e agora se ele puder passar pelo Brasil, imagina! É um sonho”, comentou. 
 
A dupla brasileira também falou sobre o baixo número de representantes do Brasil na prova de 2015. Na avaliação de Spinelli, não há uma única razão para este baixo número de brasileiros, mas os custos e o próprio formado da disputa contribuem para isso.
 
“É difícil entender. O que eu mais ouço é que é o custo — o Dakar é uma prova caríssima”, ressaltou. “E o formato, de ser um rali extremamente longo e muito exigente, então nem todos os pilotos e navegadores gostam de um rali tão longo e tão exigente, preferem um rali mais curto”, continuou. 
 
“Por ser um rali de deserto, que 99% das duplas brasileiras não têm nenhuma ou têm pouca experiência em deserto, é tudo novo”, ponderou. “Acho que é um conjunto de coisas que acabou não trazendo brasileiros para o Dakar”, completou.
 
Com uma vasta experiência na prova, que conta, inclusive, como uma participação na disputa entre os carros, Jean vê o custo como razão principal para essa ausência de brasileiros.
 
“O Dakar é uma prova muito cara. Não mudou porque ela saiu da África e veio para a América do Sul. Ela continua muito cara”, sublinhou. “No Brasil, a mídia dá muito pouco espaço para este tipo de esporte, então, consequentemente, a gente tem pouco investimento. Então é difícil”, seguiu. 
 
“A Honda ainda investe muito. Eu tenho a Honda por trás que me ajuda muito, me apoia muito, confia demais no meu trabalho, mas no Brasil não é fácil para a gente conseguir patrocínio para fazer as nossas provas de esporte a motor”, relatou.
 
Na Argentina, por outro lado, o entusiasmo do público segue uma linha crescente. Além do Dakar, o país comandado por Cristina Kirchner também já recebe o Mundial de Motovelocidade no remodelado circuito de Termas de Río Hondo e a F-E nas ruas de Buenos Aires.
 
“O argentino tem uma cultura maior com o esporte a motor. No Brasil, a gente não tem tanto”, comparou Jean. “Talvez aqui na Argentina a mídia dê muito mais espaço para o esporte a motor do que no Brasil e, com isso, o povo argentino é, com certeza, mais fanático e acompanha muito mais os esportes a motor do que no Brasil”, considerou. 
 
“O povo argentino é fanático. Eles pulam a frente, querem tocar nos pilotos. Isso é muito legal”, concluiu Jean. 

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