Dakar busca alternativas à Arábia Saudita e cogita volta à América do Sul: “Chance existe”

Diretor do Rali Dakar, David Castera avaliou que as alternativas de roteiro estão se esgotando na Arábia Saudita e, por isso, busca novas opções de sede para a disputa. Dirigente colocou Oriente Médio e Ásia como opções, mas não descartou retorno à América do Sul

Diretor do Rali Dakar, David Castera admitiu que busca novos endereços para a maior e mais dura prova off-road do planeta. O dirigente considerou que as opções de roteiro estão se esgotando na Arábia Saudita e apontou Oriente Médio, Ásia e até um retorno à América do Sul como alternativas.

O Rali Dakar nasceu na África, mas precisou abandonar o continente em 2008, por questões de segurança. Depois, a prova desembarcou na América do Sul, passando por países como Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia e Peru. Em 2020, a disputa mudou para a Arábia Saudita, que assinou um contrato com a ASO, promotora do rali, para receber a competição até 2029.

Ainda que o acordo tenha a previsão de outras três provas pela frente, a ASO entende que é hora de buscar alternativas, também por considerar que as opções de roteiro na Arábia Saudita estão se esgotando. Castera revelou que existem negociações em fase inicial com países do Oriente Médio e da Ásia, inclusive da China, mas classificou um retorno à África é “pouco provável”.

“Não se trata apenas de onde queremos ir, mas de onde podemos ir. Para organizar o nosso evento, precisamos de um grande deserto, algo que a Arábia Saudita tem, mas estamos esgotando as opções de traçado e temos de avaliar outros destinos”, disse Castera em entrevista ao veículo argentino Infobae. “Começamos agora, pois precisamos nos preparar com antecedência. O retorno à África é muito difícil por causa da complexa situação geopolítica no norte do continente, temos de analisar bem. Estamos analisando opções no Oriente Médio e na Ásia. Já começamos a falar com representantes de alguns países da região”, seguiu.

Diretor do Dakar não descarta retorno à América do Sul (Foto: Eric Vargiolu/ DPPI)

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“Existe um grande interesse pelo Dakar na China. Chegaram muitas equipes e marcas daquele país. Existe um grande mercado a ser explorado. É uma opção, sem dúvida, mas temos de analisar as datas e o fator climático. O inverno é muito duro e teríamos de mudar a data do evento”, ponderou. “No momento, estamos conversando para fazer uma prova do Mundial de Rali-Raid lá. Eles têm o deserto de Taklamakan e outras regiões interessantes para realizarmos uma prova, o que seria um primeiro passo necessário para o desembarque do Dakar”, indicou.

Ainda, Castera revelou que Austrália, África do Sul e Estados Unidos não figuram como opções de destino para o Rali Dakar, diferente da Argentina, inclusive pela experiência prévia com o país.

“A Austrália está descartada, porque mais de 80% do pessoal que integra o rali vem da Europa, e a logística é muito complexa. Transportar as equipes de barco é muito complicado, e não acho que o evento possa ser realizado com normalidade. Estados Unidos e África do Sul também estão descartados”, contou. “Temos uma grande recordação da América do Sul. Sentimos falta do fervor e da paixão do público ao longo do roteiro. Hoje temos o Desafío Ruta 40 na Argentina, que é um clássico do Mundial, e a possibilidade de voltar existe. Estamos analisando todas as opções, é cedo para dar certezas, mas estamos avaliando”, encerrou.

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