Lado a Lado: o Dakar da África X o Dakar da América do Sul

Maior prova off-road do mundo, o Rali Dakar nasceu na África, mas se mudou para América do Sul ainda na primeira década dos anos 2000. Com a mudança, a prova perdeu em distância e duração, mas viu um aumento no número de participantes

“Um desafio para aqueles que vão. Um sonho para aqueles que ficam”. Essa é a frase com que Thierry Sabine definiu sua criação: o Rali Dakar.
 
A história da maior competição off-road do planeta começou em 1977, quando Sabine se perdeu no deserto da Líbia durante o Rali Nice-Abijão. Depois de ser resgatado, Thierry voltou à França encantado com a aventura e decidido a dividir sua experiência com o máximo de pessoas possível.
Dakar deixou a África após cancelar edição 2008 por motivos de segurança (Foto: Yamaha)
Sem muita demora, Sabine transformou seu sonho em realidade, e o primeiro Paris-Dakar foi realizado em 1979, cobrindo um trecho de mais de 10 mil km e com 3.168 km de especiais.
 
A competição seguiu se dividindo entre Europa e África pelos anos seguintes, mas os conflitos étnicos que assolam os países africanos há décadas acabaram se tornando um perigo real para os competidores. 
 
Depois de a prova de 2008 ser cancelada por motivos de segurança, o Dakar fez as malas e embarcou para a América do Sul, onde segue até hoje. A mudança de continente acabou resultando em algumas alterações no programa da competição, como, por exemplo, o número de países visitados, de quilômetros percorridos e até mesmo o número de vítimas fatais.
 
Participando em 2015 de seu 17º Dakar, Jean Azevedo começou sua trajetória na maior competição off-road do mundo em seu cenário original e explica que as mudanças não são apenas numéricas.
 
“O Dakar aqui na Argentina tem milhões de pessoas pelas ruas, não só aqui em Buenos Aires, mas em todo o trajeto a gente tem corredores humanos que ficam acompanhando e isso é muito legal”, conta Jean. “Na África a gente não tinha isso. Na Europa sim, mas na África não, então é legal isso. Dá um ânimo para os pilotos que tenha muita gente torcendo, muita gente acompanhando. Na hora que a gente tá lá competindo, a gente tem essa energia positiva de todos eles.”
 
Além do apoio do público, Jean ressalta que a segurança da prova também melhorou, especialmente por facilitar o trabalho das equipes de resgate.
 
“Na África, a gente estava longe de tudo, com uma estrutura muito primária, no caso de resgate, no caso de acidente. Era mais difícil o resgate. Se fosse um acidente muito grave, você não tinha um hospital com menos de 4h de voo para chegar”, recorda. 
Edição 2015 do Dakar passou por Argentina, Chile e Bolívia (Foto: Flavien Duhamel/Red Bull Content Pool)
“Além do problema dos povos locais, que vivem em guerrilha entre eles, então sempre era uma tensão para os pilotos, porque a gente estava passando por um lugar onde estava tendo algum conflito interno entre eles”, cita.
 
Por fim, o experiente piloto da Honda menciona as mudanças de caráter técnico resultantes da transferência do Dakar para a América do Sul.  “A parte técnica da prova na África exigia mais. Aqui é diferente. Na África era uma prova mais técnica, exigia mais técnica do piloto, aqui na América do Sul já é uma prova mais física. Exige mais fisicamente dos pilotos”, compara.
 
Para retratar bem as diferenças entre os ralis disputados na Europa e na África e as provas em solo sul-americano, o GRANDE PRÊMIO levantou diversos números e estatísticas — que também dão noção da grandiosidade do Dakar.

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