Pilotos do WRC se unem após punição a Fourmaux e ficam em silêncio em entrevistas
Depois de Adrien Fourmaux ter sido multado em mais de R$ 60 mil por ter usado um palavrão durante uma entrevista pós-especial no Rali da Suécia, os pilotos do WRC se uniram em uma espécie de voto de silêncio em protesto no Rali do Quênia contra a FIA. Assim, vão fazer entrevistas apenas para emissoras de seus países ou, em alguns casos, nem isso
O primeiro dia de atividades do Rali do Quênia mostrou que os pilotos do WRC ainda não esqueceram a situação vivida por Adrien Fourmaux no Rali da Suécia, segunda etapa do campeonato, em fevereiro. O francês da Hyundai foi o primeiro a sofrer com as rígidas novas regras de caça ao palavrão e acabou multado em € 10 mil (cerca de R$ 62 mil) por um palavrão dito em uma entrevista. E a decisão dos colegas de grid foi fazer uma espécie de voto de silênio no rali seguinte, que teve início nesta quarta-feira (19), depois do shakedown.
Assim, no Quênia, os pilotos decidiram fazer entrevistas apenas em suas línguas nativas ou nem isso. É, também, uma resposta à falta de reação da FIA à carta que a Aliança dos Pilotos de Rali (WoRDA) soltou ainda no mês passado, dias depois da punição de Fourmaux, contestando a decisão da entidade e cobrando no comunicado “uma comunicação direta” com Mohammed Ben Sulayem para que uma “solução urgente” fosse encontrada.
O galês Elfyn Evans e o belga Thierry Neuville optaram por entrevistas apenas em seus idiomas nativos, enquanto Fourmaux foi um dos que não falaram como um todo. Ao site Dirtfish, especializado em rali, Kalle Rovanperä e Ott Tänak, duas das estrelas principais da categoria, explicaram a decisão.
“Infelizmente vocês (imprensa) não vão me ouvir muito neste fim de semana, mas, se é isso que precisamos fazer para fazer a diferença, faremos”, disse Kalle.

“Infelizmente, desta vez precisaremos fazer um pouco diferente. Como vocês podem ver, a adrenalina fica alta no fim do estágio, então, por conta das últimas decisões, não vamos fazer os comentários pós-estágios até que os pilotos fiquem confortáveis de novo. Esperamos uma solução em breve e que a gente possa voltar ao normal”, falou Ott.
A WoRDA também emitiu novo comunicado sobre a situação, novamente cobrando liberdade de expressão e uma decisão mais rápida vinda da FIA.
“Todos concordamos em ter o mínimo de grosseria possível nos microfones. Ao mesmo tempo, é necessário manter uma certa liberdade de expressão e manter as emoções vivas enquanto os pilotos não precisam ter medo de serem punidos de alguma forma. Pedimos ao presidente da FIA algumas mudanças positivas nas regras para nos ajudar a atingir esse objetivo. Pelas razões explicadas em nossa declaração, é impossível garantir que nós (pilotos e copilotos) seremos capazes de seguir essas regras de forma perfeita e sistemática. É por isso que nós – membros da WoRDA – estamos agora tomando a decisão responsável de permanecer em silêncio no final das entrevistas ou responder em nossa língua nativa. No próprio interesse do nosso esporte, tal ação é infelizmente necessária. Pedimos desculpas a todos os fãs de rali, embora saibamos que eles nos apoiam nisso”, explicou o novo comunicado.
O Rali do Quênia já tem atividades oficiais rolando, com as especiais começando nesta quinta-feira (20) e indo até o domingo (23). Evans lidera o campeonato, com 61 pontos conquistados.
Relembre o caso
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) aplicou a primeira punição após endurecer as regras relacionadas ao uso de linguagem inapropriada no esporte para Adrien Fourmaux, piloto da Hyundai no Mundial de Rali (WRC), que foi multado em € 10 mil (cerca de R$ 62 mil) por um palavrão dito em uma entrevista. Após o Rali da Suécia, realizado em fevereiro, o francês falava à Rally.TV e, ao descrever um erro cometido durante a etapa, usou a expressão “fodemos tudo”.
“Após terminar o Power Stage do Rali da Suécia 2025, o piloto deu uma entrevista e finalizou com as palavras ‘fodemos tudo ontem’. O comentarista da Rally.TV respondeu ao comentário do piloto com ‘desculpas pela linguagem utilizada’. O piloto explicou que se referia aos erros que havia cometido no dia anterior e que usou as palavras de forma coloquial e descritiva. Ele se desculpou, pois não tinha intenção de ofender ou insultar ninguém ao usar essas palavras. Os comissários lembraram o piloto e o representante da equipe da postura da FIA em relação não apenas à linguagem inadequada, mas também ao abuso verbal ou físico, e à realização ou exibição de declarações ou comentários políticos, religiosos e pessoais, especialmente em violação do princípio geral de neutralidade promovido pela FIA em seus Estatutos”, disse o comunicado da entidade.
Além da multa inicial, Fourmaux será punido em mais € 20 mil (R$ 124 mil), no caso de reincidência nos próximos 12 meses. A medida se baseia no artigo 12.2.1 do Código Esportivo Internacional, que prevê sanções para “uso de palavras, ações ou escritos que causem dano moral à FIA ou comprometam os valores do automobilismo”. O regulamento também pune “má conduta, manifestações políticas e desrespeito a cerimônias oficiais”.
Ainda de acordo com o código da entidade que rege o esporte a motor, a punição serão proporcional ao escalão dos campeonatos regidos pela entidade. No caso do WRC, que está no Nivel 3, as sanções serão três vezes mais severas, enquanto na Fórmula 1 o valor é quadruplicado, chegando a € 40 mil (R$ 247 mil). Uma segunda incidência renderá uma multa de € 80 mil (R$ 495 mil) e suspensão de um mês, enquanto uma terceira resultará em multa de € 120 mil (R$ 742 mil) e dedução de pontos no campeonato.
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