Com ‘plano B’, Abreu se arrisca e vence primeira em “ano difícil”

Átila Abreu precisou assumir o risco de ter pneus velhos num dia em que alguns estouros foram registrados. Era o necessário para voltar à pista com vantagem para Thiago Camilo e vencer a corrida 2 em Cascavel

Ufa! Numa temporada bastante conturbada para Átila Abreu, a primeira vitória demorou a chegar. Chegou, contudo. Foi neste domingo (20), na corrida 2 de Cascavel. Para que o resultado se consolidasse, o piloto da Shell precisou mudar a estratégia em cima da hora e arriscar a terminar a prova com pneus desgastados. Foi exatamente o que aconteceu, e deu certo. 
 
Átila na sexta fila e terminou em oitavo na primeira corrida. Uma melhora fundamental para que largasse bem na corrida 2, onde já acreditava que tinha chances de dar um bote. O cenário foi se pintando de que a possibilidade existia, de fato, e o trabalho do piloto foi aproveitar a brecha.
 
"Foi um dia que deu tudo certo. Ontem fui dormir meio chateado porque achava que dava para ser melhor na tomada de tempos, então hoje a ideia era brigar por vitória – sobretudo na corrida 2, na corrida 1 não tínhamos o carro mais rápido", avaliou em entrevista ao GRANDE PRÊMIO.
 
"Na primeira prova, podíamos avançar, porque eu achei que nosso carro era mais rápido que os da nossa frente. Não conseguimos abastecer o ideal para a corrida 2 – o Rubinho [Barrichello] e outros fizeram melhor -, mas na hora em que eu passei o Valdeno [Brito] na corrida 2 e ele começou a segurar todo mundo, aquilo me deu alívio e mostrou que dava para brigar pela vitória", contou. 
Átila Abreu (Foto: José Mário Dias)
"A partir disso, mudei a estratégia, troquei só os pneus traseiros e arrisquei com os dianteiros. Mas era a forma de voltar à frente do Thiago [Camilo] e brigar com ele na pista. Foi o que aconteceu: ele chegou, mas os pneus desgastaram também e no fim os dois estavam mortos de pneus. Consegui trazer o carro para casa e ganhar a primeira do ano. Um ano complicado, com o acidente, ficando fora, mas muito feliz em repetir a vitória aqui em Cascavel, que é minha pista favorita", afirmou.
 
Ainda mais profundamente sobre a estratégia, Abreu compartilhou a leitura que fazia da corrida: a vitória estava entre ele e mais três. Os riscos eram necessários, ainda que seguir com os mesmos pneus dianteiros num dia em que alguns estouros foram registrados fosse um 'all in'.
 
"Comecei a perceber que brigaria pela vitória a partir do momento em que eu passei o Valdeno, e ele começou a segurar o Rubinho. Sabia que o Rubinho tinha uma vantagem de uns 3s para mim em termos de combustível. Precisaria estar perto disso na hora da janela. Não tinha muita ideia da corrida do [Rafael] Suzuki, era um escuro, então forcei um pouco para tentar causar uma parada menos confortável", explicou.
 
"Minha leitura era que a vitória ficaria entre Suzuki, Rubinho e Thiago – que tinha o melhor carro do fim de semana -, além de nós. Quando o Suzuki teve problema no pit-stop, sabia que estava entre nós três, com vantagem para o Thiago. E, então, eu fiz a opção por não trocar o pneu para voltar na frente dele", finalizou.
 
A vitória representa mais do que isso. É uma demonstração que Átila segue sendo o mesmo piloto com condições de brigar pelas primeiras colocações. Não que ele achasse qualquer outra coisa. 
Átila Abreu (Foto: José Mário Dias)
"Nunca duvidei, mas é importante para a reta final da equipe, época de renovação de patrocínio, auto-estima de todo mundo melhora… Nunca tive dúvida da nossa capacidade, só não conseguia entender o motivo de estarmos sofrendo tanto mesmo tendo conquistado dois pódios no ano, mas ainda não tinha uma performance tão sólida quanto nesse fim de semana. Agora aconteceu, então me deixa muito feliz e motivado para o Velo Città, que é uma pista em que eu ando bem", falou.
 
A próxima etapa da Stock Car acontece em 10 de novembro, no Velo Città.
 
O GRANDE PRÊMIO acompanha a etapa de Cascavel da Stock Car 'in loco' com o repórter Pedro Henrique Marum.
 

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