Diários de Viagem: quando o Grande Prêmio conheceu as Cataratas de Interlagos

A última etapa da Stock Car em 2019 também marcou a última cobertura 'in loco' do GRANDE PRÊMIO no ano. Para coroar o fim da temporada recorde de audiência, os repórteres do site tiveram acesso a áreas jamais imaginadas do autódromo de Interlagos (ou quase isso)

Que Interlagos tem a represa, o lago e toda a chuva que costumeiramente cai por lá, o mundo sabe. Agora, que o autódromo mais famoso do país também tem uma catarata – ah, disso poucos têm noção!

É o que os jornalistas do GRANDE PRÊMIO descobriram durante a cobertura da final da Stock Car 2019, durante todo o último final de semana. Afinal, as Cataratas de Interlagos ficam localizadas exatamente na sala de imprensa do autódromo – mais precisamente bem em cima da mesa e das cadeiras em que nossos repórteres estavam. 

Foram três dias escapando de algo que começou como uma goteira do ar-condicionado, mas que se transformou em catarata, cachoeira, dilúvio – como queiram. E que deixou a sala completamente alagada – sob nossos pés, claro.

Mas, tirando isso, a última viagem do GP no ano foi bastante produtiva. Fizemos amizade com um pombo na mesma sala de imprensa – você leu direito – e tivemos muita apuração jornalística (sim, trabalhamos!) de qualidade. Afinal, mesmo molhados, estávamos lá para isso e, aqui no GP, você pode ler muitas e muitas novidades que conseguimos com exclusividade. Vem, Alonso (aliás, pautamos jornais espanhóis, como o Marca e o Soy Motor, com a informação sobre o espanhol)!

De minha parte, como editor da categoria no site, fica só o agradecimento a Pedro Henrique Marum, Juliana Tesser e Cauê Moalli pela ajuda nos últimos três dias de Stock Car no ano, ao pessoal da Vicar, que realizou meu sonho de ficar em um hotel mesmo com a etapa sendo na cidade em que eu moro e, por fim, aos pilotos.

Por quê? Porque são eles que por 12 etapas aceitam parar para me atender mesmo recém-saídos de seus carros, reuniões das equipes e compromissos. Nunca um piloto da Stock Car me tratou mal nesses dois anos de cobertura e eu não posso reclamar – por mais que eu saiba que muitos devam estar cansados de minha cara. Caso leiam aqui, fica o obrigado e a expectativa para que sigam não me odiando em 2020.

Agora, deixo vocês com Marum e Tesser, que espero que tenham se divertido comigo.

A largada da final da Stock Car em Interlagos (Foto: Cauê Moalli/Grande Prêmio)

Juliana Tesser

Fazia muito, muito tempo que eu não acompanhava uma etapa da Stock Car. Não me lembro a data exata, mas tinha para lá de sete anos. Como eu trabalho com moto, não é sempre que dá para fazer as duas coisas. Desta vez, porém, eu estava livre para voltar. 
 
Ao longo desses mais de oito anos de GP, fiz duas vezes MotoGP e cobri dois GPs do Brasil de Fórmula 1, estive em etapas do Mitsubishi Motorsports e também da Superbike Brasil. E esses ambientes são todos muito diferentes. Mas, saibam, quem tem Felipe Noronha, Pedro Henrique Marum e Cauê Moalli, tem tudo nessa vida! Eles me ensinaram as coisas que eu não sabia, apresentaram pessoas e até supervisionaram um momento de reconciliação no choque dos 'meus dois mundos'.
 
Caso você não saiba, depois de anos de uma relação bastante amistosa, GP e Eric Granado tiveram um desentendimento no fim de 2018, que culminou em um afastamento. Sendo sincera, eu não tinha planos de voltar a falar com #51. Sempre o considerei um ótimo entrevistado, mas jamais concordei com as razões (e, especialmente, com o modo) que levaram ao afastamento ― caso você queira ir mais a fundo neste assunto, não deve ser difícil achar as notícias na internet. 
 
Mas foi, justamente, uma troca na equipe de comunicação de Granado que abriu caminho para essa reaproximação. Recebemos uma ‘oferta de paz’ e entendemos que era hora de encerrar a ‘crise’. E eis que a Stock Car surgiu como palco para essa reconciliação. Foi a minha primeira conversa com Eric em mais de um ano. 
 
Mas não era para trabalhar com moto que eu estava por lá, não é? Com Felipe e Pedro, fui redescobrindo o mundo da Stock Car. E, caso você queira saber como a categoria é diferente dos Mundiais, eu explico: na Stock, a gente se sente meio que em casa. Aqui, a gente pode entrar nos boxes só com a nossa credencial de imprensa. Ninguém te olha feio, ninguém te barra na porta. Eu até fiquei meio com o pé atrás de ir entrando assim, mas não tem problema mesmo ― para os jornalistas, claro. É um mundo diferente.
 
Aqui nós temos mais liberdade no acesso aos pilotos, mas, como eles não têm hora certa para conversar com a imprensa, como acontece nos Mundiais (e até que seria útil por aqui), às vezes fica difícil encontrar todo mundo. Eles têm reuniões, também precisam comer e não é sempre que a gente consegue encontrá-los. Mas, e acho que posso falar de forma geral, todos são bem acessíveis.
 
Mesmo sem frequentar muito a Stock Car, tenho boas memórias de muitos dos pilotos de lá. Thiago Camilo e Daniel Serra, por exemplo, foram alguns dos primeiros que entrevistei quando comecei no GP ― o #29, aliás, é o protagonista de uma das melhores histórias que tenho da minha profissão. Bia Figueiredo, por outro lado, me recebeu em casa quando eu ainda nem imaginava trabalhar aqui. Ela foi uma das entrevistadas do meu TCC na faculdade, assim como Ingo Hoffmann.
 
No fim das contas, a Stock Car é mesmo diferente do mundo com que eu me acostumei, mas é bem divertido. Aqui, a gente tem acesso até à festa de premiação. E ainda sai de lá com notícias para serem apuradas. O trabalho nunca para. 
Daniel Serra (Foto: Cauê Moalli/Grande Prêmio)
Pedro Henrique Marum
 
Não estou na cobertura contínua por dois anos, como o Noronha, mas foi a primeira vez nos meus quase seis anos de casa que fui a mais de duas etapas da Stock Car – quatro, ao todo, com as duas de Interlagos, Cascavel e Velo Città. Mas, olha, essa Super Final teve um quê especial. De cara, porque cheguei conhecendo as coisas como um local em vez de um forasteiro – terminamos, inclusive, cavando uma dobradinha grandepremística para a Corrida de Duplas de 2020, em Goiânia, mas vamos ver como isso se desenrola. 
 
Foi um fim de semana em que passamos de sol na manhã de sexta-feira à chuva forte a partir da tarde e de volta ao sol, no sábado. E nessas idas e vindas, o dia a dia de uma cobertura esteve totalmente dominada. É até mecânico o que precisamos fazer nos dias de atividades de pista, sobretudo sábado e corrida: falamos com os primeiros colocados, candidatos ao título e depois dividimos o que vai ao ar primeiro, depois ou fica para o dia seguinte. Mas tem muito mais que chega durante uma cobertura. 
 
Neste caso, conversamos com o CEO da corrida, Carlos Col, com representantes da CBA e, especialmente conforme a temporada vai se encerrando, chegam os boatos sobre destinos e equipes e pilotos para o ano posterior. Foi muito assim em Interlagos. As notícias chegavam de diferentes caminhos, e nós íamos atrás saber o que era ou não verdade. E soubemos bastante: algumas coisas já foram ao ar, como a ida do pole Marcos Gomes para a Cavaleiro – e que rendeu uma das melhores conversas do ano com o novo chefe de Marquinhos, Beto Cavaleiro, já levada ao ar no site. Outras vocês verão nos próximos dias, enquanto algumas seguem em apuração. Tem muita coisa que acontece num fim de semana destes. 
 
No sábado, chegamos na sala de imprensa, sentamos e, logo na sequência, a percepção de que havia uma goteira de proporções olímpicas que caía alguns centímetros à noroeste do meu ombro esquerdo. Como a placa de metal que caiu ao lado da minha cabeça no GP do Brasil de F1 em 2018, esse tipo de coisa sempre acontece comigo. Sempre. Absolutamente todas as vezes, podem checar com qualquer outro repórter do GRANDE PRÊMIO. E ficaria pior, porque quando desligaram o ar condicionado a goteira foi potencializada tal qual o joelho de um pinguim fora do frio. Entendeu? 
 
Nem eu entendi porque aquela goteira era tão grande e tão insistente. Coitadas das lixeiras que serviram de depósito e do carpete, que certamente teve trágico destino…
 
A grande tristeza do fim de semana não foi essa, mas não poder jogar um futmesa semiprofissional com a mesa que estava exposta no paddock por conta de alguma promoção da fornecedora de pneus da categoria. Pensamos, é verdade, em chamar a de fora em dado momento que os mecânicos da Ipiranga jogavam, mas infelizmente tínhamos que trabalhar. 
Trabalho, a amarra do proletário. 
 
De resto, reitero que foi um grande trabalho que fizemos. Trabalhar com Felipe Noronha, Juliana Tesser e Cauê Moalli foi nada menos que um prazer e uma diversão constante – é bom quando o pessoal não se incomoda com a minha dificuldade de aquietar. Espero que tenhamos mais em breve.
 
Deixo um grande abraço e um muito obrigado aos três. Foi muito legal.
 
Paddockast #46
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