Djalma Fogaça vibra ao ver filho “sentar na janelinha” na Stock Car e diz: “Acredito muito nele”

Nome famoso no automobilismo brasileiro, Djalma Fogaça não escondeu a felicidade por ver seu filho começar bem a temporada 2013 da Stock Car, reclamou da transmissão da corrida deste fim de semana e disse que está fazendo um investimento ao incentivar a carreira de Fabio: “Estou fazendo das tripas coração para dar certo”

Neste domingo (10), Djalma Fogaça, quase cinquentão, entrará na pista de Tarumã para disputar a etapa de abertura da F-Truck. Piloto e chefe de equipe, o paulista é conhecido por seu jeito irreverente e aberto de lidar com as situações, em alguns momentos, sem medir palavras. Mas, no último fim de semana, em Interlagos, ele estava é do lado de dentro do muro dos boxes, acompanhando o trabalho de seu filho Fabio, 21, na Stock Car.

Fabio estreou na categoria em dezembro do ano passado, no mesmo autódromo de Interlagos, na Corrida do Milhão, pela equipe Carlos Alves. Mas a estreia ‘real’, como considerou Djalma, aconteceu no último domingo. Na primeira prova da temporada 2013, agora correndo no time de Mauro Vogel – com o qual se acertou para disputar a temporada completa da principal categoria do país – , o jovem paulista se destacou e cruzou a linha de chegada na nona posição. Seu pai não escondeu a felicidade.

Fabio Fogaça fez sua primeira corrida pela Vogel no último fim de semana (Foto: Vanderley Soares)

A primeira conversa da reportagem do Grande Prêmio com Djalma aconteceu na sexta-feira, no pit-wall do Autódromo José Carlos Pace, enquanto Fabio estava na pista no segundo treino realizado no dia. Ali, ele demonstrou a confiança que deposita em sua cria: “Acredito muito nele. Até por isso jogo minhas fichas. Se você ver, na realidade, eu ponho dinheiro nisso aqui, eu não ganho. Então é um investimento que eu estou fazendo. Meu pai já fez isso comigo e me deixou uma condição para eu viver e bem disso [do automobilismo]. Eu tenho que dar o mesmo para ele. Estou fazendo das tripas coração para dar certo”. Isso inclui algumas broncas quando ele percebe que Fabio cometeu algum deslize.

Ver a estreia de Fabio foi “um sonho e, ao mesmo tempo, uma volta no tempo”. E nervosismo não foi um dos sentimentos que atingiu Djalma neste fim de semana. “A minha sensação, de quem vive do automobilismo, não tenho outro negócio na vida, vivo de corrida, é diferente de outro pai, do pai do Galid ou do Rodrigo Pimenta, por exemplo, que não vivem disso”, descreveu.

Como conselho, o que o experiente pai passa ao jovem filho é manter suas características, a humildade e não se deixar levar pela pressão. “O que é importante é ele não se cobrar por andar com um parceiro como o Khodair”, que é muito rápido, segundo Djalma. “Cair nessa comparação agora é suicídio”. Mas, sabendo que pilotos vivem de resultados, ele acha que Fabio tem que ter uma cabeça boa para administrar a pressão. “Acho que, depois de quatro, cinco corridas, aí sim dá para ter uma cobrança maior em cima dele e ele mesmo se cobrar”.

Fabio Fogaça conversa com Mauro Vogel em Interlagos (Foto: Facebook/Fabio Fogaça)

Além disso, “é ele não fugir da característica dele – ele é muito arrojado – e ouvir quem entende de corrida. Quem não entende, ouvir, ser educado. Escutar, porque ao escutar você está aprendendo sempre. Catar as coisas boas disso daí e ser humilde, Tem que manter a humildade em qualquer situação que você esteja. Esse é o conselho que dou para ele”, completou.

Fogaça-pai falou também sobre a carreira diferente que Fogaça-filho teve, sem a base do kartismo e disputando provas de turismo na Argentina, após o título da Stock Jr. “Acho que a Argentina é a melhor escola que tem. Lá tem três categorias top que não coincidem em datas. Tem 20 caras e eles andam em três corridas por mês. A dificuldade do automobilismo, o cara sofrer lá, sofrer na alfândega, sofrer com tudo, é outro país, o cara vê se é aquilo que quer ou não. Essa é a diferença de você estar na Argentina. É saber o que seu piloto ou filho quer”, avaliou. “Tem que aprender ‘tomando pau’?” “Exatamente, tem que tomar porrada”, respondeu.

Após a corrida, o GP voltou a se encontrar com Djalma, dessa vez, dentro dos boxes da Vogel. “O resultado foi fantásico”, considerou. Fabio ainda chegou a liderar a prova por quatro voltas. “‘Ah, quer chegar agora e já sentar na janelinha’? Claro que sim! Por que não?”, indagou. O desempenho na prova de classificação também agradou. Apesar de Fabio não ter avançado para a disputa da pole-position, Djalma ficou feliz pela equipe ter guardado um jogo de pneus novos para o caso do piloto passar para o Q2. “Acreditaram nele. De ter essa oportunidade, você vê que é um cara rápido, com futuro na categoria”. E não fosse um erro cometido na hora do pit-stop, quando deixou o carro morrer, “o resultado poderia ter sido melhor”.

O que Djalma não gostou foi da transmissão da televisão. Perguntado sobre o que sentiu ao ver seu filho na primeira posição, respondeu no seu melhor estilo: “Cara, eu fiquei muito puto para te falar a verdade! É um absurdo o cara ficar quatro voltas em primeiro e não mostrarem o cara uma vez sequer na TV!”. Sobrou também para o locutor da Stock Car para o autódromo: “Estava falando que o Átila Abreu era o líder. Eu tive que ir lá e falar ‘ô, meu, cê tá vendo que faz quatro voltas que o cara está em primeiro e cê tá falando que o líder é o Átila?’ ‘Ah, mas ele não parou para abastecer’ ‘Foda-se! Se acabar a corrida agora, der uma bandeira vermelha, o cara ganhou a corrida!’”

Djalma Fogaça não escondeu o orgulho do filho Fábio (Foto: Orlei Silva)

“Eu tenho certeza que o diretor de imagem tem 200 caras em cima dele falando para mostrar os caras que já pararam e podem voltar a liderar. Mas o cara que está atrás tem que usar uma estratégia dessas para aparecer na TV. Era o líder e podia voltar em terceiro, quarto. Só não voltou porque deixou o motor apagar. Tem que ficar ligado nisso”, completou, ainda um pouco exaltado.

A calma, porém, voltou rapidamente. “Mas, de qualquer maneira, acho que a parte dele ele fez muito bem. Não é fácil chegar e sentar na janelinha”, celebrou.

Um dia depois da corrida e do último contato com o GP, Djalma deu no Facebook – onde, diga-se, é bastante ativo – mais uma mostra de como está orgulhoso de seu filho, essa, com uma pitada de ironia. Ele destacou o estilo agressivo de pilotar do filho ao postar a foto com a seguinte legenda: “Acho que ele é meio delicado para pilotar (risos)”.

Fogaça ataca a zebra da chicane da Curva do Café (Foto: Rodrigo Ruiz/Facebook Fabio Fogaça)

 

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